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Volta: a nova vida de Bruno Pires depois de um ponto final forçado

Logótipo de O Jogo O Jogo 06/08/2017 Hugo Monteiro

Estudante de bioneuroemoção Bruno Pires está, pela primeira vez, a viver a Volta a Portugal de fora para dentro.

O estudante de bioneuroemoção Bruno Pires está, pela primeira vez, a viver a Volta a Portugal de fora para dentro, na expectativa de que, mais cedo ou mais tarde, possa aplicar os seus novos conhecimentos ao ciclismo.

Quando a Team Roth acabou, a vida de Bruno Pires desabou. Com mais um ano de contrato com a equipa suíça, o alentejano de 36 anos não estava preparado para dizer adeus ao ciclismo. Depois de um período de luto, o agora ex-ciclista regressou à Volta a Portugal para conhecê-la por dentro, integrando o staff dos patrocinadores, sem se escusar a assumir outras funções, como aconteceu no prólogo, quando ajudou a embalar os ciclistas.

"Penso que vai ser uma experiência muito positiva, porque vou estar no meio em que sempre estive. Se calhar, vou começar agora a conhecer as pessoas -- antigamente, eram as pessoas que me conheciam a mim. Tudo é uma fase, tudo é cíclico e eu terminei uma fase da minha carreira de que me orgulho bastante. E agora estou aberto a outras", explicou à agência Lusa.

Mas a adaptação à realidade pós-ciclismo, a modalidade que o levou a participar em duas Voltas a Itália (2011 e 2013) e numa Vuelta (2012), não está a ser fácil. "A minha vida está um pouco mais parada. Não quer dizer que seja assim com todos. Até à data, tenho estado a fazer alguns cursos, a aprender coisas que não sabia", revelou, indicando que está a estudar uma área pioneira, chamada bioneuroemoção.

"Envolve a parte biológica, neurológica e emocional e adequa-se muito bem àquilo que é o ciclismo, porque os atletas não são máquinas. É preciso trabalhar a parte humana com eles também, principalmente quando se termina uma carreira como eu terminei. Não foi uma coisa programada e, por vezes, isso deixa marcas difíceis de ultrapassar. Esta área a mim tem-me ajudado bastante, até para, quem sabe, trabalhar com uma equipa, mas com uma visão diferente daquela que se vê. É uma viagem que não tem sido fácil, mas penso que me vai ajudar bastante no futuro", confessou o alentejano do Redondo.

Bruno Pires passou seis anos no pelotão internacional, um dos quais na Leopard Trek dos irmãos Schleck (2011) e outros quatro na Tinkoff de Alberto Contador, e, talvez por isso, quando soube da extinção da Team Roth, nunca pensou regressar a Portugal, onde representou as variantes da Maia e a Barbot-Siper, na fase inicial de uma carreira que durou 14 anos e na qual conquistou dez vitórias, a maior das quais o título de campeão na

cional (2006).

© Nuno Veiga/Lusa

"Atendendo ao panorama que nós tínhamos, a minha ideia sempre foi terminar a minha carreira no estrangeiro. Isso veio a acontecer, não de uma forma programada... sim, tinha a vontade de fazer a Volta antes de acabar a carreira e isso aconteceu o ano passado. Então, se formos a analisar as coisas, eu acabei por fazer tudo o que tinha pensado, não no tempo que eu pensava, porque tinha um ano de contrato mais. Mas a vida decidiu assim, há que aceitar", defendeu.

O antigo ciclista não esconde que pretende ficar ligado à modalidade que marcou a sua vida, porque o ciclismo é a sua língua, aquilo que sabe falar.

"É verdade que toda esta área que tenho estado a estudar tem-me ajudado bastante. Esta área tem-me dado uma bagagem muito grande e uma visão diferente. E sim, gostava de aplicar isto no ciclismo, porque sei que estaria a inovar e a fazer diferente do que se está a fazer. Não sei como a ideia seria aceite e se terei a oportunidade de pôr estas ferramentas em prática. Vamos esperar. Para já estou aqui. Há uma coisa que aprendi com tudo isto: temos de viver o presente. E isso é o que vou fazer: viver a volta do lado de fora", concluiu.

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