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Volta a Portugal: Uma amizade à prova de clubes

Logótipo de LusaLusa 07/08/2017 Ana Marques Gonçalves

Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, 07 ago (Lusa) – A amizade de Alejandro Marque (Sporting-Tavira) e Gustavo Veloso (W52-FC Porto) permanece indiferente a cores clubísticas, com os dois candidatos a abstraírem-se da rivalidade e a prepararem em ‘conjunto’ a Volta a Portugal em bicicleta.

Há duas semanas, Marque e Veloso causaram rebuliço no Facebook, ao partilharem uma sequência de fotos de um estágio (semi) conjunto em Manzaneda. Os adeptos portugueses, pouco acostumados a demonstrações de afeto entre atletas de dois clubes rivais e maioritariamente educados pelas tradições futebolísticas, inundaram as caixas de comentários de ambos, enaltecendo o exemplo dado pelos dois galegos.

NUNO VEIGA/LUSA © LUSA / NUNO VEIGA NUNO VEIGA/LUSA

“Teve um impacto muito grande no público, sobretudo no daqui. Na Galiza, encararam de forma normal, porque já sabem que treinamos juntos”, contou ‘Alex’ à Lusa.

Os dois antigos vencedores da Volta a Portugal cruzaram-se pela primeira vez há mais de 15 anos, numa subida ao Alto do Seixo, quando o mais velho (Veloso) já era profissional, no Carvalhelhos-Boavista, e o mais novo ainda era um amador no C.C. Estradense. Entre pedaladas pelas paisagens galegas, construíram uma amizade que as cores clubísticas não conseguem abalar.

“Costumo dizer que treinamos juntos desde 2001. Ele era amador e já treinávamos juntos. Porque haveríamos de deixar de fazê-lo agora? Somos amigos, na Galiza só há dois locais para fazer estágios em altitude, ou vamos a um ou a outro. Eu fui primeiro para um e depois para o outro e ele também lá estava, como aconteceu em anos anteriores. Não vamos treinar cada um para o seu lado, quando somos amigos”, argumentou o líder da W52-FC Porto, de 37 anos.

‘Dragão’ e ‘leão’, que costumam sair para treinar em conjunto duas ou três vezes por semana, partilharam 20 dias de estágio em Navacerrada e coincidiram, uma vez mais, em Manzaneda, na antessala da Volta a Portugal.

“Primeiro, estivemos em Madrid. Eles [ciclistas da W52-FC Porto] estavam num apartamento diferente e eu estava sozinho. Em Manzaneda, ele estava com a mulher e os filhos e eu estava num sítio diferente. Combinávamos e treinámos. É o que fazemos praticamente desde que éramos amadores. Vivemos a 30 quilómetros um do outro. Pelo facto de estarmos em equipas rivais não vamos deixar de ser amigos e de treinar juntos”, defendeu Marque, de 35 anos.

O vencedor da Volta2013 explicou à Lusa que, quando estão a treinar em altitude, cada um faz o seu trabalho. “Às vezes, quando podemos combinar, marcamos para não estarmos sozinhos e para não treinarmos sozinhos. Cada um faz as suas séries. Quando são ritmos mais baixos, vamos juntos e depois cada um faz o seu trabalho. Ele tem de ir a uns ‘watts’, eu tenho de ir a outros, o que chega primeiro ao alto dá a volta. Não mostramos as cartas”, garantiu.

O ciclista do Sporting-Tavira revelou que, nas longas jornadas partilhadas, ele e Veloso falam um pouco de tudo: da vida, do ciclismo, de quem poderá estar bem ou mal na prova rainha do calendário nacional. Mas nunca de estratégias da sua equipa.

“As pessoas ficam um bocado surpreendidas, mas é como o caso de dois futebolistas. Quando estão em equipas diferentes, parece que têm de ser inimigos, mas depois vão para a seleção e são amigos. É a mesma coisa. Para mim, as pessoas estão acima dos trabalhos”, destacou Veloso.

No entanto, até 15 de agosto, a amizade permanece em suspenso, com o galego portista, de 37 anos, a tentar o assalto ao ‘tri’, após os triunfos de 2014 e 2015, e o sportinguista a procurar a segunda amarela, depois da que conquistou em 2013, com apenas quatro segundos de vantagem sobre Veloso.

AMG // NFO

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