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Wim Wenders, mais de 60 filmes, meio século de cinema europeu

Logótipo de O Jogo O Jogo 15/07/2017 Administrator

O cineasta alemão Wim Wenders, distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, hoje anunciado, dirigiu mais de 60 filmes, numa carreira iniciada há 50 anos, com a 'curta' "Lugar do espetáculo".

Rodada em 16 milímetros, "Schauplatz"/"Lugar do espetáculo" era um trabalho de escola, datado de 1967, que viria a ser dado como perdido, mas que congregava referências do realizador - o cinema norte-americano, a música dos Rolling Stones -, que viria a reforçar em "Summer in the city", a sua primeira longa-metragem, dedicada à banda britânica The Kinks, concluída em 1970, ano em que terminou a formação na Escola Superior de Cinema e Televisão de Munique.

Seguir-se-iam então "A angústia do guarda-redes no momento do penalty" (1971), a partir da novela do austríaco Peter Handke, escritor com o qual tem mantido estreita colaboração, e "A letra escarlate" (1972), sobre o romance do norte-americano Nathaniel Hawthorne.

Com "Alice nas cidades" (1974), Wenders iniciou a chamada "trilogia da estrada", que passaria por "Movimento em Falso" (1975) e "Ao correr do tempo" (1976). No ano seguinte, dirigiu "O amigo americano", inspirado no romance de Patricia Highsmith, uma homenagem ao cinema negro norte-americano, que contou com um dos seus heróis, o realizador Nicholas Ray, que dirigira "Johnny Guitar" e "Fúria de viver", e de quem viria a documentar os últimos dias, em "Nick's Movie - Lightning Over Water"/"Um Acto de Amor" (1980).

Em 1982 foi a vez de "Hammett", uma ficção sobre o escritor Dashiell Hammett, que rodou nos Estados Unidos, com o Zoetrope Studios, de Francis Ford Coppola, em conflito com o sistema norte-americano de produção.

Quase em simultâneo, transportou essa realidade para "O estado das coisas", o primeiro filme de Wenders rodado em Portugal, e uma das primeiras produções internacionais de Paulo Branco. O ato de rebeldia viria a ser compensado com a conquista do Leão de Ouro, do festival de Veneza.

É o tempo dos filmes da consagração: "Paris, Texas" (1984), Palma de Ouro em Cannes, "Tokyo-Ga" (1985), sobre Yasujiro Ozu, "As asas do desejo" (1987), também distinguido em Cannes, pela melhor realização.

Na década de 1990, Wenders passou a cruzar cada vez mais as longas-metragens de ficção, como "Até ao fim do mundo" (1991) - que também teve rodagem em Portugal -, "Tão longe, tão perto" (1993) e "Crimes invisíveis" (1997), com 'curtas' e filmes de caráter documental, que impõem igualmente a reflexão sobre o cinema e o que o rodeia, trate-se de "Lisbon Story" (1994), "Buena Vista Social Club" (1999) ou o mais tardio "The Soul of a Man" (2003), sobre os blues e Blind Willie Johnson.

A tendência prosseguiu nas duas últimas décadas, com obras de ficção como "Terra da abundância" (2004), "Estrela solitária" (2005), "Imagens de Palermo" (2008), "Tudo vai ficar bem" (2015) e "Os belos dias de Aranjuez" (2016), a alternarem com produções documentais como "Pina" (2011), sobre a coreógrafa alemã Pina Bausch, que foi nomeada para o Óscar de melhor documentário, ou "O sal da terra", filme dedicado ao fotógrafo Sebastião Salgado.

"Submergence", que completou este ano, e o filme sobre o papa Francisco, "A Man of His Word", a estrear em 2018, são as mais recentes obras do realizador.

Wenders, que presidiu a Academia de Cinema Europeu depois de Ingmar Bergman, recebeu, entre outros prémios, o Leopardo de carreira, no Festival de Locarno, e o Urso de Ouro honorário, do Festival de Berlim.

Em 2015, foi homenageado no Lisbon & Estoril Film Festival. O realizador esteve em Lisboa, para apresentar "Tudo vai ficar bem", que exibiu em 3D, e a exposição de fotografia "À luz do dia até os sons brilham", com as imagens de Portugal que captou.

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