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Zé Roberto: "Pelo meu lado é um rodízio"

Logótipo de O Jogo O Jogo 06/03/2017 Ana Proença

A idade do lateral do Palmeiras (42 anos) é uma tentação para os técnicos adversários: são capazes de lançar até três jogadores para explorar o flanco. "E no final eu estou inteiro", diz o esquerdino a O JOGO

Com 33 anos, o alemão Philipp Lahm, ex-colega de Zé Roberto no Bayern Munique, anunciou há pouco tempo que se vai retirar no fim da temporada. O brasileiro, com 42 anos e contrato renovado no campeão Palmeiras, está para durar. Por isso diz que é "um gato, mas ao contrário": em vez de perder, ganha vidas.

A longevidade cultiva-se ou não é para todos?

-No meu caso, não há grande segredo. Sempre procurei cuidar bem da minha carreira. Lembro-me de que era ainda um jovem quando me transferi para a Europa, para representar o Real Madrid. Regressei ao Brasil para jogar seis meses no Flamengo e depois fui comprado pelo Bayer Leverkusen. Na Alemanha, descobri que o meu corpo é o meu instrumento de trabalho e passei a estimá-lo, com refeições equilibradas e horas de sono adequadas. Graças a Deus, também nunca tive uma lesão grave. Tudo isto foi importante para que eu, com 42 anos, ainda esteja num alto nível.

A Imprensa brasileira pasma e escreve coisas como "Zé Roberto faz piques de menino". Isto é combustível no seu depósito de motivação?

-Apreciações dessas só me dão ainda mais força e motivação para esta paixão que tenho pelo futebol. Fico feliz, é o reconhecimento do meu trabalho. E estamos a falar de uma raridade, porque o Brasil futebolístico é um pouco preconceituoso em relação à idade. Quando um jogador atinge os 32/33 anos, as pessoas dizem logo que é veterano, que está em fim de carreira, mas no meu caso foi precisamente ao contrário. Aos 32 anos cheguei à melhor fase: foi quando disputei o Mundial"2006, na Alemanha - fui duas vezes o jogador mais valioso, um dos destaques na seleção. Retornei então ao Brasil, para jogar no Santos, e fui considerado o melhor em atividade. Isso rendeu-me um convite para jogar dois anos pelo Bayern Munique. Com aquela idade, a minha carreira teve um "up", cresceu mais e estabilizou. Ter o poder de decisão sobre quando vou parar é motivo de orgulho. Cuidei bem da minha carreira e ela recompensou-me.

Como se comportam os adversários que o encaram no terreno de jogo? Tendem a procurar o seu espaço ou fogem da sua zona?

-[risos] Não, não... Costumo brincar com a situação e digo que do meu lado é um rodízio de jogadores. No primeiro tempo aparece-me um pela frente, no segundo o treinador opta por colocar outro e, antes de terminar, ainda lança um terceiro no corredor. Por causa da idade, eles tentam explorar mais o meu flanco, mas depois chega o final do jogo e eu estou inteiro, cem por cento fisicamente, e o treinador adversário surpreendido pela minha forma. Hoje em dia jogar na lateral esquerda é muito exigente, porque a movimentação é constante. É preciso marcar, mas depois também é necessário subir para ajudar a equipa na parte ofensiva. Se não estiver bem, vou passar mal. Mas como sempre priorizei a parte física, não tenho tido dificuldades.

Lateral ou médio: a idade mudou alguma coisa?

© Fornecido por O jogo

-Quem tem bastante experiência consegue posicionar-se bem e correr menos no miolo. Na lateral, a exposição é maior. Completo 22 anos de carreira profissional e fiz diferentes posições: ponta, médio-centro, construtor e lateral. Fica difícil eleger uma posição em que goste mais de atuar. No meio, por ter mais liberdade para armar e me movimentar, talvez me sinta mais à vontade, mas na lateral também não tenho qualquer problema.

"Tragédia do Chapecoense serve de lição"

O acidente de aviação que vitimou quase toda a equipa de futebol do Chapecoense, em 2016, chocou o mundo. Zé Roberto perdeu amigos e extrai "uma lição de vida". "Houve negligência, falha humana. Antes da tragédia, já havia advertências contra a Lamia. Quando alguém está mais interessado no dinheiro e em baratear viagens do que no ser humano... Por muitos terem essa visão é que se deu o desastre. A dor vai ser amenizada, mas as vidas não voltam e a cicatriz permanecerá. A partir disto, acredito que as pessoas podem tratar a logística de forma diferente, respeitando o ser humano."

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