Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Seferovic na fogueira de Jesus

Logótipo de SIC Notícias SIC Notícias 25/11/2021 Luís Aguilar

Ponto prévio: Jorge Jesus é um dos melhores treinadores da história do futebol português. Um criativo obcecado pela perfeição.

© ALEJANDRO GARCIA

Autor de várias equipas que praticaram um jogo avassalador com títulos para mostrar. Tem ainda o mérito de assinar uma carreira construída a pulso onde nunca lhe deram fosse o que fosse.

Precisou de trabalhar de forma exaustiva e esperar bem mais do que outros sem a mesma capacidade até chegar aos grandes palcos. Estes são méritos inegáveis. Em sentido totalmente oposto está o impacto da sua comunicação num balneário.

A forma como deixa cair alguns jogadores para se elevar é algo que nunca aprendeu a suster. Sobre o jogo tem muito para ensinar e mostrar. Sobre a parte motivacional é um aprendiz que insiste em ignorar as lições. Em Barcelona viu-se o melhor e o pior de Jorge Jesus. O estratega que consegue travar o Barça e quase ganha a batalha, seguido do general que resume tudo à falha de um dos seus soldados.

Seferovic não precisa que alguém reforce, de forma sistemática, a dimensão do seu desperdício, o momento do mesmo ou as consequências caso o Benfica não consiga passar à fase seguinte da Champions.

Mesmo um jogador com a força mental do suíço (parte sempre como elemento a dispensar para depois se tornar a figura do ataque) dificilmente pode evitar ser assaltado pelas constantes imagens daquela bola a sair ao lado. Mas está feito.

É um erro.

Um erro daqueles que até poderá figurar na galeria dos grandes falhanços da época nesta edição da Champions. Ainda assim, nada que não possa acontecer ao leitor ou ao autor desta crónica nas funções de cada um.

Mais grave é passar por algo semelhante e ter de ouvir o chefe a pisar e repisar o momento à frente de toda a gente. Foi isso que Jorge Jesus fez a Seferovic. Desde a flash interview à conferência de imprensa.

Um show de mau gosto em que isolou o suíço do resto da equipa. Pode estar arrasado, pode estar incrédulo pelo falhanço em cima do apito final, mas o jogador já está na fogueira. Não é preciso pôr mais lenha. Até porque quem falha hoje, marcou ontem e pode marcar amanhã.

Jorge Jesus é treinador há mais de 30 anos. E, ao contrário do que disse após o jogo, já viu falhanços assim e até piores. Basta recordar Bryan Ruiz na primeira época em que treinou o Sporting. E vai continuar a ver. Por mais que lhe doa, por mais que o irrite, por mais que lhe tenha roubado a hipótese de ser o primeiro treinador do Benfica a ganhar em Camp Nou.

O jornal AS resumiu bem o lance: “Entram 999 a cada mil.” Jesus, por outro lado, é perito em tiros ao lado, por cima e para fora do estádio quando se trata de proteger um jogador que já está em baixo.

Pelo menos com aqueles que não contratou. Fica a pergunta: o discurso teria sido igual se aquele remate fosse de Darwin ou de Cebolinha?

A PÁGINA DE LUÍS AGUILAR

AdChoices
AdChoices

Mais de SIC Notícias

image beaconimage beaconimage beacon