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Um ciclo para descobrir o atual cinema israelita

Logótipo de Diário de Notícias Diário de Notícias 14/11/2017 João Lopes

Apesar da sua presença discreta no mercado, a cinematografia de Israel passou a ter uma montra anual nas salas portuguesas: o Ciclo de Cinema Israelita, iniciativa da Embaixada de Israel em colaboração com o Cinema City, neste ano na sua 10.ª edição, a partir de quinta-feira.

Everything Is Broken Up and Dances, de Nony Geffen © Fornecido por Diário de Notícias Everything Is Broken Up and Dances, de Nony Geffen

Vale a pena lembrar que, neste ano, a produção israelita teve especial evidência em dois dos maiores festivais do mundo. Em destaque estiveram os mais recentes trabalhos de Amos Gitai, West of the Jordan River (Field Diary Revisited), apresentado na Quinzena dos Realizadores em Cannes, e de Samuel Maoz, Foxtrot, que foi a Veneza arrebatar o Grande Prémio do Júri.

Neste ciclo, a história das raízes políticas e simbólicas de Israel surge como tema central de Ben Gurion, Epilogue, de Yariv Mozer, produção com chancela do canal Arte que foi distinguida como melhor documentário de 2016 nos prémios da Academia Israelita de Cinema. Trata-se de evocar a trajetória de Ben Gurion (1886-1973), fundador do Estado de Israel, através de muitos materiais de arquivo, incluindo uma entrevista da fase final da sua vida.

O peso da história, a energia das suas heranças, mas também os seus fantasmas e contradições, parecem continuar a definir algumas das mais importantes linhas dramáticas da produção israelita. No conjunto de cinco filmes a exibir, a única exceção será And then She Arrived, de Roee Floretin, comédia romântica protagonizada por Michael Aloni, ator muito popular em Israel, internacionalmente conhecido através de um filme que teve especial impacto no circuito dos festivais: Out in the Dark (2012), de Michael Mayer, centrado na relação homossexual entre um estudante palestiniano e um advogado israelita.

Da herança da Segunda Guerra Mundial fala-nos Past Life, de Avi Nesher, através de um drama situado em finais da década de 1970: no seu centro estão duas irmãs, uma dedicada à música, outra ao jornalismo, enfrentando os reflexos traumáticos de um passado que, afinal, em grande parte desconhecem. Em registo melodramático apresenta--se An Israel Love Story, realizado pelo veterano artesão Dan Wolman, cuja filmografia inclui os mais diversos registos, da comédia adolescente (Gelado de Limão V, 1983) ao drama intimista (Tied Hands, 2006); desta vez, Wolman narra a paixão de dois jovens adultos, em 1947, tendo por pano de fundo os acontecimentos que desembocaram na declaração de independência de Israel (a 14 de maio de 1948).

De uma maneira ou de outra, são filmes em que encontramos sinais dispersos das convulsões do Médio Oriente nas últimas décadas. Nessa perspetiva, Everything Is Broken Up and Dances, de Nony Geffen, será o título mais revelador, centrando-se na crise psicológica de um jovem que, depois de combater no Líbano, vive de forma trágica a ilusão de uma identidade imaginária. Todos os filmes serão exibidos no Cinema City em, pelo menos, uma sessão diária (de 16 a 22), com a exceção de Ben Gurion, Epilogue, que passará apenas nos dias 18 e 19.

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