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Mass Effect: Andromeda

Logótipo de Gamereactor Gamereactor 20/03/2017 Mike Holmes

Mass Effect: Andromeda

Mass Effect 3 foi lançado há 5 anos, tempo suficiente para o apetite por um novo RPG espacial da Bioware crescer para níveis insaciáveis. Agora chegou finalmente Mass Effect: Andromeda, o primeiro jogo da saga na nova geração, e o início de uma aventura separada da trilogia original. Com um misto entre elementos dos jogos anteriores e algumas ideias novas, este é um jogo ambicioso, talvez o mais ambicioso da saga, com muitos fatores em andamento.

Mass Effect: Andromeda © Gamereactor Mass Effect: Andromeda

Lego Worlds

Infelizmente o resultado é um jogo que embora faça muito de bom, também tem vários defeitos. Vai dividir muitos fãs da saga, e enquanto alguns vão aceitar Andromeda apesar das falhas, outros não serão capazes de demonstrar uma atitude tão benevolente.

Já muito se tem falado das falhas técnicas de Mass Effect: Andromeda na internet, sobretudo ao nível das animações faciais. A internet está já recheada de "gifs" hilariantes, e é verdade que as animações e a qualidade dos modelos de algumas personagens deixam muito a desejar. É realmente lamentável, porque é algo que acaba por retirar impacto a alguns momentos emocionais do jogo.

Jogámos a versão Xbox One, que é a pior de todas as variantes disponíveis - PC, PS4, PS4 Pro -, e nesta versão a qualidade gráfica de Mass Effect: Andromeda não impressiona. Embora o design de alguns elementos seja brilhante, como a arquitetura extra-terrestre de tirar o folêgo, ou os inimigos Kett, existem modelos pobres, texturas de má qualidade, e problemas de definição. A isso devem aliar algumas quebras de fluidez notáveis. Mais uma vez, isto diz respeito à versão Xbox One. As restantes estão superiores, mas sofrem também elas de modelos e animações medíocres.

Embora a qualidade gráfica seja importante, o que realmente dá nome à Bioware são os seus sistemas RPG e a qualidade da narrativa e do guião. Isso é visível em Andromeda, mas apenas a espaços, já que existem diálogos e frases francamente fracas. Os novos protagonistas, Ryder, são um pouco mais descontraídos e divertidos que os Sheppard, e os seus atores fazem um bom trabalho (embora a versão masculina se assemelhe demasiado com Nathan Drake).

Tal como na trilogia anterior, podem jogar com uma personagem feminina ou masculina, desta vez na forma de Ryder, mas num formato diferente. Nos jogos anteriores só existia um Sheppard - feminino ou masculino -, mas em Mass Effect: Andromeda as duas personagens estão presentes no mesmo universo porque são irmãos gémeos. Existem alguns momentos fortes com estas personagens, e outras que vão conhecendo pelo caminho, mas nunca sentimos uma ligação tão forte a este elenco como sentimos nos jogos anteriores.

Sem querer revelar demasiado da estória, aqui fica um pequeno resumo. Elementos das espécies principais da Via Láctea - Humanos, Krogan, Turian, Asari, e Salarian - embarcaram numa viagem de mais 600 anos para chegarem até à galáxia de Andromeda, tudo com o objetivo de encontrarem uma nova casa para estas raças (tudo isto começa antes da invasão dos Reapers em Mass Effect 3). Quando a expedição chega ao aglomerado Heleus, e a tripulação acorda, tudo começa a correr mal, a começar pelo Habitat 7, o mundo escolhido pelos humanos, que está agora envolto em relâmpagos constantes, poços de gravidade, e uma raça alienígena hostil. É um início e um conceito bastante forte para uma aventura nova e original, mas o jogo depressa cai em solo familiar - não só para fãs de Mass Effect, mas também de Dragon Age: Inquisition.

A base da estória tem momentos interessantes, e no todo acaba por ser positiva, mas não é tão forte como a narrativa da trilogia original. Ainda assim, existem vários pontos altos durante a campanha e as missões principais, incluindo alguns confrontos épicos contra bosses. Mais do que as personagens que nos acompanharam, ficámos intrigados para saber mais sobre esta galáxia e as espécies que a habitam. Algum do conteúdo secundário é também bastante bom, provavelmente motivamos pelo excelente trabalho da CD Projekt Red com The Witcher 3: Wild Hunt, mas também existem missões secundárias banais para 'encher chouriço'.

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Mass Effect: Andromeda tem uma estrutura semelhante à de Dragon Age: Inquisition, no sentido em que não é um jogo em mundo aberto, mas está dividido em áreas massivas. Podem perder bastantes horas só a explorar um planeta, e aqui vão encontrar bases inimigas, missões secundárias, e outras curiosidades. A qualidade nem sempre se mantém, e alguns elementos por vezes lembram mais a exploração de um MMORPG que um jogo a solo, mas pelo menos não falta conteúdo.

Um dos pontos em realce no novo Mass Effect é o combate. A Bioware construiu um sistema que permite explorar um largo número de opções táticas e de estilos de jogadibilidade, das quais só vimos algumas durante a nossa campanha acima das 30 horas de jogo (esperem bem mais se dedicarem tempo ao conteúdo secundário). Têm novamente acesso a uma série de armas, poderes bióticos, e acessórios de tecnologia, mas desta vez não estarão tão restritos por classes. As habilidades estão disponíveis em árvores de combate, biótico, e tecnologia, mas as restrições são escassas. Podem escolher um poder de cada árvore, por exemplo, mas cada habilidade pode depois ser melhorada através de vários pontos. Mais que nunca, podem criar personagens híbridas ou especializadas, mas existe uma vantagem para quem decidir seguir mais uma árvore específica. As melhores habilidades requerem um determinado número de pontos investidos nessa árvore antes de ficarem desbloqueados, o que significa que não podem ter as habilidades mais poderosas das três árvores.

Quanto aos controlos em si, funcionam bastante bem, embora sejam diferentes dos capítulos anteriores. Por exemplo, correr e entrar em cobertura no passado era tudo com o mesmo botão, mas em Andromeda a cobertura é feita de forma automática - basta chegar perto de uma cobertura. Uma grande novidade é a introdução do Jetpack, que acrescenta maior verticalidade à jogabilidade. Podem saltar mais alto, planar, e usar os seus jatos para deslizarem em todas as direções. A certo ponto da estória podem desbloquear "perfis", que atribuem diferentes bónus dependendo do número de pontos de habilidade que têm em cada árvore.

Sempre que uma das missões principais terminam, podem discutir o seu resultado na nova nave, Tempest. É aqui que vão interagir com a tripulação e os vossos companheiros, e é também aqui que podem tentar criar relações românticas, mas embora a Bioware tenha prometido sequências sexuais mais bem feitas e intensas, as que vimos não nos impressionaram - sobretudo depois de alguns momentos hilariantes de Dragon Age: Inquisition. A bordo da nave também podem ver mensagens, organizar reuniões, fazer video-chamadas, enviar forças especiais em missões, evoluir os companheiros (pode ser automático ou manual), organizar o arsenal, e toda uma série de outras atividades.

Outra mecânica nova para Mass Effect é o sistema de pesquisa e análise, uma ferramenta que podem usar enquanto exploram o mundo para catalogar instrumentos, fauna, flora, inimigos, estruturas, e artefactos. A esmagadora maioria destas análises são opcionais, mas se dedicarem tempo a estes pormenores podem melhorar as condições do Nexus e receber alguns bónus extra. Alguns sistemas pareceram-nos excessivamente complexos e confusos, o que será apreciado por uns porque acrescenta profundidade, e amaldiçoado por outros devido à confusão que cria.

Mass Effect: Andromeda © Gamereactor Mass Effect: Andromeda

Outro elemento opcional é o multijogador cooperativo. Existe uma ligação entre este modo e a campanha principal, mas não tão extensa como em Mass Effect 3. Até quatro jogadores podem unir forças para enquanto cumprem objetivos contra inimigos controlados pela inteligência artificial. Existem várias classes, mas inicialmente terão que jogar com humanos, só depois podem desbloquear outras raças. Não encontrámos problemas a jogar na Xbox One, mas um colega que jogou no PC queixou-se de lag e quebras na ligação.

Mass Effect: Andromeda © Gamereactor Mass Effect: Andromeda

Mass Effect: Andromeda é um jogo massivo que faz muito de bom, mas embora mantenha o ADN da série presente, não consegue proporcionar uma experiência tão rica e imersiva como os antecessores. A base da estória é interessante, mas eventualmente o jogo começa a seguir caminhos já percorridos e perde o foco. Existem momentos altos, não nos interpretem mal, momentos que nos lembram porque adoramos os jogos da Bioware, mas perto de 40 horas depois, não conseguimos afastar a sensação de que Andromeda podia e deveria ter sido mais do que é.

O facto de aparecer no dia de lançamento com vários problemas técnicos, incoerências gráficas, e falhas de desempenho em algumas plataformas, também não ajuda. Mass Effect: Andromeda não é o jogo que queríamos, e não é tão forte quanto a trilogia original, mas também não é um mau jogo. Se não derem demasiada importância aos problemas técnicos, às animações esquisitas, e aos diálogos ocasionais que parecem fora de sítio, ainda há aqui uma aventura espacial que merece ser explorada por fãs de ficção científica. Só temos pena de não conseguir afastar esta sensação de que os dias de glória de Mass Effect ficaram na Via Láctea.

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