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“Isto não são apenas rimas, é a minha vida exposta”. Regula à patrão no festival O Sol da Caparica

Logótipo de BlitzBlitz há 6 dias Manuel Rodrigues (texto) e Dário Cruz (fotos)

Antes de embarcarmos na reportagem propriamente dita, permitam-nos um regresso a 2002, ano da estreia discográfica de Regula, com o álbum 1ª Jornada. Na altura, o rapper do Catujal mostrava a Portugal um trabalho bastante coeso, casa-mãe do clássico "Especial" (que contava com a participação de NBC), mas ainda a milhas da maturidade que atualmente lhe é possível creditar. Porém, e apesar da falta de consistência na voz, Regula tinha nas suas dicas e, acima de tudo, nos seus relatos, duas armas infalíveis que denunciavam um futuro auspicioso na matéria. Ei-lo, volvidos quinze anos, na crista da onda do hip hop português e a pisar, pela primeira vez em nome próprio (já aqui estivera com os 5-30), o palco principal do festival O Sol da Caparica. É impossível não aplaudir o feito, por mais que se goste ou não da sua obra.

“Isto não são apenas rimas, é a minha vida exposta”. Regula à patrão no festival O Sol da Caparica © Dário Cruz “Isto não são apenas rimas, é a minha vida exposta”. Regula à patrão no festival O Sol da Caparica

“Pay Day” dá o tiro de partida para um dos concertos mais celebrados da noite, com o rapper a fazer-se valer da camada mais jovem para o apoio vocal. À sua retaguarda, DJ Kronic, veterano que assina alguns dos mais notáveis projetos de hip hop em solo português, assegura o disparo de instrumentais e o scratch entre músicas. A voz nasalada de Regula e o flow de quem está constantemente chateado com a vida e com os que o rodeiam são imagens de marca e ganham outra força ao vivo, conjugadas com a sua presença em palco, que, não sendo – de todo – efusiva, consegue contagiar a plateia. “Casca Grossa”, “Nasty” e “Langaife”, todas elas pertencentes ao mais recente álbum do músico, editado em 2015, são exemplos claros da eficácia desta fórmula: no centro do palco, Gula cospe como se estivesse na sua sala de estar a fumar um charuto enquanto conta maços de notas. E o público delira.

Oitenta por cento (ou noventa, vá…) das letras de Regula debruçam-se sobre as suas vivências de bairro (“isto não são apenas rimas, é a minha vida exposta”, pode-se ouvir em “Gana”), com todo o lado menos florescente que isso possa implicar: da venda de droga às rixas com a polícia, dos encarceramentos às mortes precoces. Regula usa e abusa das metáforas na esmagadora maioria dos temas (“Catujal é o meu bairro, uns vendem cal outros vendem barro”, partilha em “Langaife”), todavia, não poupa no conteúdo explícito, como em “W.O.M.B.” (acrónimo para “weed on my balls”), tema que versa sobre os lugares recônditos onde se pode esconder a erva da polícia. Ainda assim, é através das canções de clube, condimentadas com muito álcool, nádegas e seios que Regula sai triunfante dos seus concertos. “Mêmo a Veres” e “Casanova” despoletam reações explosivas nas linhas da frente, com miúdas e miúdos a debitarem as letras como se de uma ensaiada tabuada dos nove se tratasse. Isto é tudo dele, não haja dúvida.

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