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Sting económico no MEO Marés Vivas, resultados low cost

Logótipo de BlitzBlitz 17/07/2017 Jorge Lopes (texto) e Hugo Sousa (fotos)

A atual e muito preenchida digressão mundial de Sting, a 57th & 9th Tour, tem ar de negócio barato de montar e altamente rentável, o que vem a calhar após o elevado investimento num musical, The Last Ship (2014), que ficou longe de apaixonar a Broadway. A julgar pela aparição em Gaia, a dimensão visual da coisa reduz-se ao jogo de luzes, num palco habitado por sete cavalheiros trajando preto informal (incluindo nos coros Joe Sumner, o filho mais velho de Sting, que já havia tocado a abrir o programa de domingo no palco principal) onde o acordeão de Percy Cardona oferece a única, e inspirada, cor sónica fora dos carris baixo-bateria-guitarras – e é em «Fields of Gold» que adquire maior protagonismo. Mas quando se tem o repertório pop-rock de Gordon Sumner, qualquer noite faz-se por si a uns 90%.

Sting económico no MEO Marés Vivas, resultados low cost © Hugo Sousa Sting económico no MEO Marés Vivas, resultados low cost

O primeiro terço é o tempo escolhido para desaguar os temas da fase mais cativante, a final, dos Police. Cativante porque mais ousada, com mais possibilidades formais em aberto. Lá estão «Synchronicity II», «Spirits in the Material World», «Every Little Thing She Does Is Magic». Já o público prefere quando se passa por uma «Englishman in New York» injectada com dub. No departamento seguinte o enfoque vai para a discografia a solo de Sting (que vai falando ao povo num português nublado), entre o enérgico («Petrol Head») e o contemplativo («Fields of Gold», «Shape of My Heart»), com uma excepção na muito saudada «Message in a Bottle» (momento em que uma embarcação, perto da margem a curtir o concerto, acena com luz branca e assim dá à luz meta-comentário irónico) e numa versão de «Ashes to Ashes» de David Bowie entregue por Joe Sumner, que podia não ter acontecido que ninguém se queixaria.

O último bloco encarreira hits, quase todos dos Police, sobretudo da fase new wave curta e grossa: «Walking on the Moon», «So Lonely», «Roxanne», «Next to You». Aqui infiltrada, «Desert Rose» é claramente mais rica e entusiasmante e tocada com um ânimo que deixa para trás a sensação de piloto automático que por vezes se intui durante o cumprimento da quota de êxitos da antiga banda de Sting. Os abraços de casais aos primeiros acordes de «Every Breath You Take», canção sobre um stalker rejeitado e ressabiado, continuam a parecer algo perturbantes – ou sinal de que não se passa cartão às letras. O segundo encore desacelera para «Fragile», escolha deliciosamente perversa e contra-intuitiva, mas em que o «the rain will fall» do refrão bate certo com a orvalhada que começa a cair. Estava-se capaz de apostar que são os euros mais fáceis de ganhar na carreira de Sting.

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