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Bancos dão novos créditos à habitação a um ritmo inédito desde 2008

Logótipo de Expresso Expresso 14/01/2020 Diogo Cavaleiro

O crédito à habitação tem registado vários recordes, apesar do travão do Banco de Portugal imposto no ano passado

Expresso © nuno fox Expresso

Os bancos em Portugal estão a conceder novos créditos à habitação a um ritmo que não era visto desde 2008, antes da crise internacional e da crise da dívida.

A cada dia de novembro, os bancos a operar no país deram 32 milhões de euros em novo crédito à habitação. Ao todo, foram canalizados 978 milhões de euros para empréstimos que financiam a aquisição de casas só naquele mês, mais 2% do que no mês anterior. Mas os números de novos créditos à habitação mostram outra perspetiva: contando o acumulado desde o início do ano, 2019 foi o melhor ano em novas operações desde 2008. O que quer dizer que há mais de uma década que a banca não dava tantos novos empréstimos para a compra de casa (considerando os meses de janeiro a novembro).

Segundo os dados atualizados esta terça-feira, 14 de janeiro, pelo Banco de Portugal, com os referidos 978 milhões de euros, novembro foi o melhor mês desde junho de 2018 no que diz respeito ao crédito à habitação. É, aliás, o segundo mês em que mais crédito à habitação foi concedido desde junho de 2010 (a última vez em que, num mês, os bancos concederam mais de mil milhões de euros em novos empréstimos com este fim).

Ainda assim, alargando o espetro (de uma análise mensal para anual), desde 2008 que não havia tantas novas operações à habitação entre janeiro e novembro. Os bancos concederam 9.513 milhões de euros em novos créditos nos primeiros 11 meses de 2019, acima dos 8.932 milhões entre janeiro e novembro de 2018.

No final do ano passado, as novas operações de crédito à habitação chegaram aos valores de 2010. Agora, a um mês do fecho de 2019, os números chegam ao recorde do período homólogo de 2008. Para falhar este feito no final do ano, seria preciso que os bancos dessem crédito ao ritmo mais baixo em mais de 30 meses, de acordo com cálculos do Expresso.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal © José Carlos Carvalho Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Quatro meses a subir

Há quatro meses consecutivos em que há uma subida das novas operações de crédito à habitação e, chegando ao valor mais alto desde junho do ano passado, este representa um regresso aos valores na concessão antes da imposição de limites pelo Banco de Portugal no que diz respeito ao crédito.

O supervisor começou, no início de 2018, a reparar que havia incentivos para que os bancos fossem mais flexíveis e menos exigentes na hora de olhar para os critérios da concessão de crédito e impôs limites a partir de julho desse ano, como rácios de esforço da prestação a pagar ou na maturidade dos empréstimos (máximo de 30 anos). Mas o crescimento das novas operações de crédito à habitação a partir do terceiro trimestre de 2019 vem sendo já notada pelo supervisor. E em novembro continuaram.

No relatório de estabilidade financeira, publicado em dezembro passado, o supervisor do sector bancário sublinhava que a procura por crédito à habitação tem surgido num quadro de “de riscos acrescidos para a atividade económica, mas com persistência de elevada confiança dos consumidores, suportada por expetativas de continuação do crescimento do rendimento disponível”. A redução de “spreads” mínimos nas operações de crédito à habitação por parte dos bancos tem servido também para mostrar que há também vontade do lado da oferta.

Como os preços do imobiliário têm crescido também com operações sem recurso a crédito, o Banco de Portugal não levanta grandes preocupações relativamente à estabilidade financeira. Apesar do aumento das novas operações, o saldo de crédito à habitação, o chamado "stock) (os empréstimos que estão nos balanços dos bancos, e não apenas as novas operações) está estabilizado – tem vindo a cair, com subidas muito pontuais, como em novembro.

O aumento do rendimento disponível e a ausência de grandes opções de poupança em ambiente de juros baixos servem de incentivo às famílias para amortizarem antecipadamente parte dos créditos. E, normalmente, as amortizações têm sido superiores às novas operações.

Crédito ao consumo trava após recorde

Se o crédito à habitação subiu em novembro, o crédito ao consumo concedido pela banca a operar no país recuou em novembro, de acordo com os dados disponibilizados esta terça-feira. As novas operações fixaram-se em 466 milhões de euros, o que representa uma descida expressiva face aos 526 milhões de outubro.

Este tinha sido o mês recorde no que diz respeito ao crédito ao consumo (também ele visado pela medida do Banco de Portugal do verão de 2018).

A autoridade comandada por Carlos Costa avisou, no relatório de estabilidade financeira, que está a avaliar o crédito ao consumo e “aumento continuado das maturidades no crédito automóvel e crédito pessoal” como fator "potenciador de vulnerabilidade”.

Ao todo, incluindo crédito à habitação, consumo e ainda para outros fins, as novas operações fixaram-se em 1.667 milhões de euros em novembro, uma descida face aos 1.709 milhões de outubro (o contributo do consumo foi essencial para esta descida).

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