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Fortuna de José Neves triplica com IPO da Farfetch

Logótipo de ECO.PT ECO.PT 10/09/2018 Mariana de Araújo Barbosa
"Já no ano de 2008, o meu sonho era estarmos aqui hoje para convidarmos as startups de todo o mundo a vir construir o futuro do retalho connosco" © Swipe News, SA "Já no ano de 2008, o meu sonho era estarmos aqui hoje para convidarmos as startups de todo o mundo a vir construir o futuro do retalho connosco"

José Neves vai ver a sua fortuna triplicar com a dispersão do capital da Farfetch, empresa que fundou e da qual é CEO e principal acionista. As contas são simples: José Neves tem quase 43 milhões de ações na companhia (42.858.080) que, tendo em conta o preço médio a que deverão entrar no mercado de capitais (um intervalo entre 15 e 17 dólares), valerão mais de 685 milhões de dólares. Isso faz com que o valor da sua fortuna, considerando apenas a Farfetch, dispare, à boleia da capitalização da plataforma de artigos de luxo.

No âmbito do processo de entrada em bolsa, a empresa vai vender 37,5 milhões de ações (30,06 milhões de títulos ordinários aos quais se somam os 7,45 milhões de ações alienadas pelos atuais acionistas). A informação consta dos documentos enviados pela empresa à SEC, a entidade que corresponde à portuguesa CMVM nos Estados Unidos — o regulador do mercado. Estas ações valerão um total de 637,5 milhões de dólares, mas para a empresa vão apenas 446,5 milhões. O resto vai para os acionistas que vão vender títulos no IPO.

Assumindo o ponto médio do intervalo do preço de venda das ações, a Farfetch ficará avaliada em 4,56 mil milhões de dólares, o equivalente a 3,92 mil milhões de euros, com a venda destas ações. A avaliação que a colocação em bolsa permite fazer da Farfetch está em linha com o que era antecipado pelo mercado, em torno dos cinco mil milhões de dólares. Atualmente, antes da entrada em bolsa, a empresa vale cerca de 1,5 mil milhões, depois de sucessivas rondas de financiamento. Vai triplicar, tal como a fortuna de Neves.

Pela primeira vez, o nome de José Neves figurou este ano na lista dos portugueses mais ricos, no ranking divulgado pela Exame. De acordo com a publicação, os 25 mais ricos de Portugal detêm 18 mil milhões da riqueza nacional, sendo as famílias Amorim, Soares dos Santos e Azevedo as primeiras do Top 25. A previsão da fortuna de José Neves, na altura da publicação do ranking em nono lugar, era já de 698 milhões, considerando os ativos da Farfetch.

Neves, o fundador. E o risco

José Neves criou a Farfetch em 2007, fazendo crescer o negócio desde então. Só nos últimos três anos, a platafomra de venda de artigos de luxo viu as receitas crescerem 173%. Fechou o ano passado com uma faturação de 385,9 milhões de dólares, quando o ano de 2015 tinha terminado com vendas abaixo dos 150 milhões de euros.

Apesar deste crescimento, continua a dar prejuízos. A Farfetch revelou, nos documentos enviados à SEC no âmbito do processo de admissão ao mercado de capitais, que entre janeiro e junho deste ano registou prejuízos de 68,4 milhões de dólares, refletindo um agravamento de 133% face ao mesmo período do ano passado. No total do ano passado, a empresa apresentou prejuízos de 112 milhões (contra 81 milhões em 2016).

Os prejuízos são normais numa empresa que está a começar a crescer. Apesar de estar a dar os primeiros passos, já tem uma pégada relevante. Tem 13 escritórios em nove países, contando já com 3.009 trabalhadores em todo o mundo. Uma importante “fatia”, cerca de 37% do capital humano, são da área tecnológica. Por isso, o futuro depende também grandemente de a empresa continuar a conseguir recrutar e reter talento “incluindo engenheiros de software, cientistas de dados” e outros profissionais tech.

E José Neves é visto também como chave para o sucesso ou insucesso futuro da Farfetch. “O nosso CEO, José Neves, tem uma influência considerável em muitas questões da empresa, sobretudo por ser detentor da empresa. A nossa estrutura de votação dupla [Classe A e Classe B] vai influenciar a sua [dos acionistas] capacidade de influenciar assuntos de gestão e pode desencorajar outros de procurarem quaisquer mudanças no controlo que os donos de ações da nossa Classe A possam ver como benéficas”, assume a empresa.


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