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Música no Coração. Fornecedores apertam gigante dos festivais para pagar dívidas

Logótipo de Expresso Expresso 19/05/2019 Miguel Prado

A empresa de Luís Montez, responsável por eventos como o Super Bock Super Rock, ainda não publicou as contas dos últimos três anos e só na última semana viu dois fornecedores avançarem para tribunal para reclamar pagamentos atrasados

Luís Montez espera que este ano a Música no Coração volte a ter capitais próprios positivos © Foto Luís Barra Luís Montez espera que este ano a Música no Coração volte a ter capitais próprios positivos

É uma das maiores empresas de eventos em Portugal, responsável por conhecidos festivais de verão, como o Super Bock Super Rock, Meo Sudoeste, Sumol Summer Fest, entre outros. Também dona de várias rádios, a Música no Coração, de Luís Montez, é uma referência no sector. Apesar disso, não tem sido fácil conhecer, com exatidão, a situação financeira da empresa: o último ano de contas publicadas é 2015, não tendo a Música no Coração publicado ainda os seus resultados dos três anos seguintes.

Montez garante ao Expresso, contudo, que as contas em falta “serão publicadas até ao final do presente mês”. Será então a oportunidade para perceber os números de uma empresa que, segundo o próprio dono, enfrentou um período difícil. “É verdade que os últimos 10 anos foram os mais difíceis da atividade, mas somos resilientes e, com a nossa equipa e parceiros, estamos a ultrapassar essas dificuldades e a fortalecer a empresa”, acrescenta.

A última vez que a Música no Coração publicou oficialmente as suas contas foi em março de 2017, dias depois de ter sido notificada de que seria alvo de um procedimento administrativo de dissolução, por não ter registado as suas contas durante dois anos consecutivos. E assim, de uma assentada, a Música no Coração regularizou a situação publicando os números de 2014 e 2015.

A garantia de Montez de que contas mais atualizadas serão publicadas nas próximas semanas permitirá perceber o quadro mais recente de dívidas e prazos de pagamento a fornecedores. Alguns deles não suportaram os atrasos e avançaram para tribunal.

Foi o caso da Road Lights Efeitos de Iluminação, que a 11 de maio fez entrar no portal Citius uma ação executiva no valor de 7456 euros. Na segunda-feira, 13 de maio, o Expresso questionou Luís Montez sobre este processo, e o dono da Música no Coração respondeu que a fatura dessa empresa “está liquidada”.

O pagamento foi feito esta semana, confirma ao Expresso Leocádia Silva, sócia da Road Lights. “Essa fatura é de um trabalho de 2016, relativo a um ecrã LED para um concerto dos The National”, esclarece a responsável da Road Lights, indicando que a sua empresa deixou de trabalhar com a Música no Coração e decidiu avançar judicialmente uma vez que ao longo de mais de dois anos não conseguiu ser paga, apesar de ter recebido várias promessas por parte do devedor.

Mas este não é um caso isolado. Já esta semana, deu entrada no portal Citius, a 14 de maio, um outro processo contra a Música no Coração, de pouco mais de 17 mil euros, movido pela CP Comboios de Portugal, que já em dezembro do ano passado tinha avançado para tribunal contra a empresa de Luís Montez numa ação de 23 mil euros. Em fevereiro último, a Música no Coração foi alvo de uma outra ação executiva, de 66 mil euros, movida pela Nortaluga – Aluguer de Equipamentos.

Luís Montez diz que “a sazonalidade da atividade gera, por vezes, dificuldades nos pagamentos” © FOTO LUÍS BARRA Luís Montez diz que “a sazonalidade da atividade gera, por vezes, dificuldades nos pagamentos”

Ao longo do ano passado foram intentadas contra a Música no Coração 10 ações judiciais, cujo valor somado se cifra em 230 mil euros. Luís Montez diz ao Expresso que relativamente a essas ações “a grande maioria está liquidada e o que não está tem um plano acordado de regularização”.

Instado a explicar se a sua empresa tem problemas de tesouraria que justifiquem os atrasos nos pagamentos a fornecedores, o fundador da Música no Coração responde que “a sazonalidade da atividade gera, por vezes, dificuldades nos pagamentos”. E acrescenta que ao longo dos seus 27 anos de vida a empresa “teve vários eventos que não tiveram o desempenho desejado”.

“É verdade que existe venda antecipada de bilhetes, mas também é verdade que, antes de se anunciarem artistas, é necessário efetuar pagamentos, sem antes termos acesso à respetiva receita”, contextualiza.

Uma travessia no vermelho

Os últimos números publicados pela Música no Coração indicam que em 2015 a empresa tinha capitais próprios negativos no valor de 8,6 milhões de euros, fruto da acumulação de prejuízos. De lá para cá não é pública a evolução dos resultados e da sua situação patrimonial.

“Os capitais próprios têm vindo a melhorar nos anos mais recentes, fruto do trabalho da equipa. Nestes 10 anos, com um contexto de mercado muito adverso e difícil, no sector do entretenimento e da comunicação social (rádios), conseguimos dar a volta. A nossa expectativa é, neste ano de 2019, apresentar capitais próprios positivos”, responde Montez quando questionado pelo Expresso sobre qual o valor atual dos capitais próprios da empresa (que não detalhou).

O dono da Música no Coração relativiza ainda os processos de execução de dívidas a fornecedores, notando que a sua empresa tem mais de 300 fornecedores a quem paga anualmente mais de oito milhões de euros.

Montez sublinha também que “a Música no Coração tem as suas obrigações com a Autoridade Tributária e com a Segurança Social em dia”, bem como os pagamentos à banca e aos seus colaboradores. Atualmente, a empresa emprega 93 pessoas.

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