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Histórico. Já estamos a exportar mais eletricidade do que importamos

Logótipo de Dinheiro Vivo Dinheiro Vivo 18/06/2017 Erika Nunes / Dinheiro Vivo

É um marco histórico para Portugal: pela primeira vez, em 2016, as exportações de eletricidade ultrapassaram as importações, gerando um excedente comercial de 170 milhões de euros, contra uma balança negativa de 125 milhões em 2015. E, este ano, os números parecem querer repetir o êxito. Quebra da produção em Espanha e preços competitivos explicam porquê. E o governo está já a estudar uma interligação a Marrocos para vender ainda mais.

No ano passado, Espanha comprou-nos 5084 Gigawatts-hora (GWh), quando, em 2015, tínhamos sido nós a comprar 2267 GWh ao país vizinho. A subida da exportação de eletricidade (+209%) e a queda das importações (-56,6%) foi possível graças ao aumento da produção das barragens e das centrais termoelétricas (+24%), mas também da energia eólica (+7%) – é a terceira maior fonte de energia do país – e fotovoltaica (+2,8%), num ano em que o consumo interno de eletricidade se manteve praticamente inalterado (+0,6%). Este excedente não pode ser armazenado, pelo que é vendido ao país vizinho sempre que há carência. E foi o caso de 2016: Espanha produziu apenas 97% da eletricidade de que necessitava, menos 2,4% do que no ano anterior, pelo que foi obrigada a importar mais do que exportou, pela primeira vez em 12 anos, quer de Portugal, quer de França.

Com exceção dos intercâmbios de energia programados, a competitividade do preço da eletricidade fez também toda a diferença. Segundo a Redes Elétricas de Espanha, os preços médios do mercado diário na área espanhola (39,67€/MWh) foram ligeiramente superiores aos da área portuguesa (39,44/MWh).

Isto significa que, quando for aumentada a interligação com França, temos potencial para vender também ao resto da Europa a preços convidativos. “É estratégico o reforço das interligações entre Portugal e a Europa. Isto tem vindo a ser discutido há muito na UE e temos como objetivo passar dos atuais 2% de capacidade para 10%, a curto prazo”, adiantou Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia, ao DN/Dinheiro Vivo. “O problema têm sido as objeções ambientais levantadas em França há mais de 20 anos, mas acreditamos que terão de ser ultrapassadas, mais dia, menos dia”.

A livre circulação da energia elétrica pela Europa teria ainda outra vantagem: “Os distribuidores poderiam adquiri-la no país onde fosse mais económica, o que poderia contribuir para baixar a fatura dos consumidores e das indústrias, que reclamam termos dos mais elevados custos de produção graças à conta da luz”, garantem fontes do mercado ouvidas pelo DN/Dinheiro Vivo. O saldo excedentário das exportações em 2016 “permitiu já atenuar valores das rendas e impedir que esse custo fosse transmitido ao consumidor”.

Há uma outra alternativa para escoar a eletricidade excedentária produzida em Portugal. “Estamos a concluir o estudo de viabilidade técnica da interligação com Marrocos, que é uma oportunidade porque o país importa 85% da energia”, adiantou o secretário de Estado. O projeto está ainda na fase de estudo, mas já se sabe que poderá orçar em cerca de 400 milhões de euros. A intenção do Governo é que seja pago “pela energia que passará pelo cabo, da mesma forma que acontece nos países do Norte da Europa e no Reino Unido”, sem que haja custos para o consumidor português. No ano passado, só Espanha vendeu quase 5 mil GWh a Marrocos – sensivelmente a mesma quantidade de energia elétrica que adquiriu a Portugal.

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