Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Hiperatividade, ciência versus facebook

Logótipo de Pais&filhos Pais&filhos 07/02/2017 buzina@motorpress.pt (Motorpress Lisboa)
alt © Fornecido por MOTORPRESS LISBOA, Edição e Distribuição, Lda. alt

Nem tudo o que mexe é hiperativo, nem todos os que sonham têm défice de atenção. Mas destruir um fármaco com ?cultura de facebook? é demasiadamente leviano

Houve um aumento na prescrição de metilfenidato para o dobro, entre 2010 e 2014. Podem existir várias explicações, desde exagero de prescrições até melhor diagnóstico e medicação de crianças e jovens que necessitavam mas não o estavam a tomar. Por outro lado, o melhor conhecimento dos problemas de dispersão, falta de concentração e atenção, e de hiperatividade pode justificar o aumento. Especulação à parte, o que se sabe, sim, é que embora haja crianças medicadas inutilmente, é grande o número das que precisam e não estão medicadas e, entre as que estão, a esmagadora maioria colhe benefícios.

Recomenda-se este fármaco quando há uma perturbação da concentração e atenção que afete a vida das crianças de forma significativa, para lá do normal cansaço, má gestão dos estímulos artificiais que desviam a atenção ou da irrequietude natural das crianças e jovens, sobretudo do sexo masculino. Nem tudo o que mexe é hiperativo, nem todos os que sonham têm défice de atenção! As crianças, vivendo num mundo ?entre quatro paredes?, precisam de se expandir, de se mexer. No entanto, a incapacidade de concentração num estímulo, sobretudo abstrato, desviando--se para ?qualquer mosca que passe? faz com que a criança retire muito pouco das aulas, se sinta mais distante do ?filme? que está a passar na sala de aula e invente outras coisas, mexendo-se, perturbe os outros e se comporte de modo hiperativo, sendo disruptivo para a aula e prejudicando gravemente o seu próprio processo de aprendizagem, ou então mergulhe na sua vida interior e se abstraia. Acresce que estar constantemente a ser admoestado e de castigo, ver as notas aquém do que sabe ser possível, ler apenas metade do cabeçalho e responder impulsivamente de modo incompleto, diminuem a autoestima, causam tristeza e geram problemas sociais e psicológicos.

Os benefícios da terapêutica, que pode ser instituída por um pediatra ou neuropediatra e que não necessita de ser baseada em testes e exames, vão ajudar o processo de aprendizagem e permitir à criança o desenvolvimento das suas capacidades.

O argumento de que ?é um químico? é anedótico porque o cérebro funciona, exatamente, com mediadores químicos, e nos casos de hiperatividade e défice de atenção, dispersão e impulsividade, esse mediador está em falta. Com o crescimento o cérebro arranjará outras formas de funcionamento e não é precisa medicação para a vida toda, como alguns ignorantes dizem. Além disso, é boa prática as crianças interromperem a medicação nas férias letivas; a ideia de que se fica ?preso a uma droga? é mais um dos mitos urbanos veiculados na Internet.

Quanto a contraindicações, nas redes sociais há pessoas que gostam muito de dizer que ?é veneno?. Dá vontade de rir ? leiam a bula do ibuprofeno ou do paracetamol, que dão aos vossos filhos e verão a ?galeria de horrores?. Com o metilfenidato os efeitos colaterais são raros e, salvo exceções, resumem-se a situações transitórias e breves de baixa de apetite ou pequenas insónias.

O metilfenidato não dá ?superpoderes?, apenas faz render melhor as capacidades naturais a estas crianças. Não ficarão engenheiros, pianistas ou escritores com o medicamento se não tiverem esses talentos, mas podem nunca vir a ser engenheiros, escritores ou pianistas, tendo esses talentos, por não conseguirem estudar, concentrar-se e andarem toda a escolaridade a saltitar de ?mosca para mosca?, irritando os professores, enervando os pais e diminuindo a sua autoestima. E se pensássemos numa coisa chamada Ciência? Talvez valha mais do que o diz-que-diz das redes sociais?

Leia também:

Vencer o desafio da hiperatividade

?Estamos a exagerar no diagnóstico da hiperatividade?

Este país não é para anjos

AdChoices
AdChoices

Mais da Pais&filhos

image beaconimage beaconimage beacon