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Nova família multiespécie

Logótipo de Pais&filhos Pais&filhos 18/05/2017 buzina@motorpress.pt (Motorpress Lisboa)

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Os animais estão cada vez mais próximos da família. E isto trouxe novas tarefas, compromissos, responsabilidades e dedicação.

Embora o relacionamento entre humanos e outros animais tenha tido o seu início há milhares de anos, apenas recentemente se começaram a estudar os efeitos e a importância do vínculo estabelecido entre os diferentes elementos que constituem a família multiespécie. A convivência tem se tornado cada vez mais comum e crescente, ultrapassou alguns conceitos e preconceitos e atualmente há uma envolvência emocional que se passou a considerar essencial para alguns humanos. Passámos por isso a ter uma realidade onde humanos, cães, gatos e outros animais de companhia convivem numa sociedade particular interespécie, na qual são apresentadas novas fronteiras e possibilidades de existência. Basta vermos os números que as estatísticas nos indicam, relativamente à crescente população de animais de companhia, que apresentam a maioria dos países, incluindo Portugal.

Se analisarmos algumas teorias psicológicas baseadas em estudos feitos sobretudo com cães, o vínculo estabelecido com humanos é semelhante ao estabelecido entre crianças e adultos. E porquê?

Para espécies sociais como nós e os cães, a relação afetiva emocional estável de dependência do bebé ou do cachorro, mediante a quem nos referirmos, persiste durante tempos variáveis mas é uma necessidade fundamental para ambas as espécies. Este vínculo é então demonstrado no relacionamento humano-cão (eu diria que faltam estudos com outras espécies, pois certamente também se evidenciarão esses vínculos!), mesmo quando os humanos já são adultos. Mas para este vínculo se manter equilibrado, como em qualquer família, é necessário que haja regras claras e que ocorram ações com respostas compatíveis e reciprocidade.

Nova dinâmica

As mudanças na sociedade humana, tornando-se cada vez mais urbana, concentrou-a em centros populacionais elevados e grandes cidades, o que levou a uma nova dinâmica e organização familiar. Como consequência os animais estão cada vez mais próximos da família humana, tanto física como emocionalmente. Quantas vezes oiço, sobretudo a mãe (acho que é um papel que fica sempre para a mulher, não é?), tirar um dia de férias para ir com os filhos à consulta do pediatra e à consulta do veterinário...

O vínculo mencionado anteriormente estreitou-se e passámos a reconhecer a importância dos animais nas nossas vidas e nas dinâmicas familiares. Mas esta nova dinâmica trouxe também novas tarefas, compromissos, responsabilidades e dedicação para com elementos novos da família que na realidade não falam a mesma língua e que os precisamos de compreender.

Por isso, muitas vezes acabam por não corresponder às nossas expectativas ou podem demonstrar comportamentos indesejados, cuja origem está sobretudo em falhas de comunicação! Exatamente como com os nossos filhos. Só que neste caso falamos línguas diferentes e cada um interpreta o outro sob a sua perspetiva!

Temos todos ainda muito a aprender para evitar a rutura deste vínculo que termina sempre com o abandono ou a eutanásia do animal. Mas de facto, se este apresenta comportamentos como agressividade, hiperatividade, urinar inadequadamente ou destruição de móveis ou outros objetos, trata-se de problemas de comportamento que poderão ser tratados mas que geram conflitos dentro da família. Grande parte destes problemas, tal como com as crianças, ocorrem por falta de informação ou de orientação dos tutores, sendo por isso importante conhecer o que é um cão, o que é um gato ou qualquer outro animal que decidamos incluir no nosso seio familiar. Só assim conseguiremos ter uma família multiespécie funcional e feliz.

*Médico Veterinário Especialista Europeu em Comportamento e Bem-estar Animal - Centro para o Conhecimento Animal

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(fonte: Pais e Filhos)

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