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Diz adeus às peles: 5 looks com alternativas cruelty-free

Logótipo de Espalha-Factos Espalha-Factos 11/09/2018 Leonor Carmo
faux fur © ZARA faux fur

Os casacos de pelo de marta, as estolas em pelo de raposa e chapéus em pelo de angorá têm os dias contados. Também gostarias de dizer “adeus” às malas de crocodilo e sapatos em pele de cobra? Agora já podes. Cada vez mais marcas apostam nas alternativas às peles de animal, tendo em vista um futuro para a indústria da moda não só mais ético e sustentável, mas também mais consciente e responsável. Com o veganismo a crescer nos campos alimentar e da cosmética, este movimento atinge novas alturas. Agora, no mundo da moda.

faux fur jacket © Zara faux fur jacket

Casaco em pelo falso. Coat Edit Woman Editorial AW 15-16/ZARA

Alternativas ao pelo animal

Martas, coelhos, chinchilas, lobos, ratos almiscarados, cordeiros, ovelhas, castores, lontras, arminhos, coiotes, gambás e guaxinins. No universo da criação de peles, estes são alguns dos animais que fazem parte da composição de inúmeras peças em pelo.

Relativamente ao pelo animal, o quadro de alternativas ainda não é muito promissor. As únicas alternativas derivam de materiais sintéticos, sobretudo do poliéster, plástico poliuretano e acrílico. De entre estes, o poliéster é o mais comum na produção deste tipo de peças. Para além de oferecer mais resistência às rugas, durabilidade e retenção de cor que muitas fibras naturais, também pode ser reciclado a partir de outros plásticos.

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O Espalha-Factos recomenda:

Se ao padrão deste inverno juntarmos faux fur, o resultado só pode ser um êxito. Para um visual icónico, sobrepõe este casaco da ZARA (89,95€) a um vestido justo – também da ZARA (12,95€). Para rematar o look, um salto alto a combinar. Este par custa 29,99€ e é da Mango. O ensemble fica-te por 132,89€.

© Mango © Espalha-Factos © zara © zara

Porém, este material não vem sem desvantagens. Para além de não ser biodegradável, o processo de reciclagem também nem sempre é fácil. Quando o poliéster é misturado com outras fibras, é menos provável que a peça seja reciclável. Por outro lado, a produção de poliéster requer grandes quantidades de energia, água e químicos nocivos. E a poluição do meio ambiente não para aí. Muitas vezes, os microplásticos que se libertam das fibras acabam nos oceanos, prejudicando ecossistemas. Temos ainda que  considerar os prejuízos ambientais que advêm da extração de combustíveis fósseis.

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Fraude na indústria: em quem confiar?

Infelizmente, a venda de pelo verdadeiro sob a designação de “faux fur” é mais comum do que gostaríamos de acreditar. Assim, o Espalha-Factos dá-te umas dicas para teres a certeza de que aquilo que estás a comprar não é pelo animal.

Verifica se o material na base da peça é, claramente, tecido. Se sim, não precisas de te preocupar.Confere se, na ponta, os pelos ficam mais estreitos. Se sim, é, provavelmente, pelo verdadeiro.Queima alguns pelos da peça questionável. Se cheirar a cabelo humano queimado, então é pelo animal.

faux fur coat © Zara faux fur coat

All About Denim TRF Editorial Outono 2018/ZARA

As realidades do couro e outras peles

Alguns ainda acreditam que o couro é um subproduto da indústria da produção de carne e, como tal, apenas uma forma de reciclagem. Um modo de cortar o desperdício. Será isto verdade? Bem, sim e não.

Sem a indústria de criação de peles, a produção de carne poderia deparar-se com um monte de peles em aterros. Por outro lado, a venda de peles pode ser um negócio muito lucrativo– ao passo que a venda de carne nem sempre o é. Assim, os pecuários recorrem, muitas vezes, à indústria de peles para maximizar o lucro. E esta é uma indústria multimilionária.

Hoje em dia, o leque de opções é vasto. Há muito que ouvimos falar de couro caprino, suíno e ovino. E enquanto o couro de vaca é o mais acessível aos consumidores, a procura por versões mais exóticas também não é pouca. Peles de jacaré, cobra, rã, peixe foca também são usadas na fabricação de vestuário, calçado, marroquinaria e estofos para mobiliário e automóveis.

Dos casos mais polémicos que envolvem animais usados para a indústria de peles, destacam-se os gatos e cães. As peles destes últimos eram frequentemente disfarçadas de pele de lobo nas etiquetas de vestuário, sobretudo na China. E na África do Sul as peles de avestruz constituem 80% do valor da ave abatida. A carne é que se torna, então, um subproduto da indústria de peles.

© Foto: Robbie Noble/Unsplash

Casacos de couro. Foto: Robbie Noble/Unsplash

Nos últimos anos, em virtude de ser um material de alto custo e das exigências da moda moderna, o mercado de materiais que substituem o couro, sejam estes sintéticos ou naturais, cresceu consideravelmente. Também alcança grande projeção no mercado couro reconstituído ou “recouro”, composto de fibras de couro, látex natural e outros agentes vegetais. Para além de ser ecologicamente correto, ao aproveitar as sobras das indústrias do couro, este material apresenta flexibilidade, resistência e aparência semelhantes às do couro.

Mesmo assim, muitos substitutos do couro e pelo animal ainda se servem de têxteis sintéticos à base de plástico. Isto significa, mais uma vez, que não são totalmente não-tóxicos ou ecologicamente responsáveis.

Quais são as melhores opções?

A alternativa ideal seria pelo menos tão durável, atraente e versátil quanto o couro animal, mas utilizaria biofontes e técnicas de produção sustentáveis. Embora muitas bioalternativas às peles tradicionais tenham sido desenvolvidas, estas ainda não foram produzidas à escala comercial. Hoje em dia, já contamos com couro feito a partir de cogumelos ou das fibras de celulose que sobram do chá de kombucha.

E essas são só duas das opções. O universo do couro falso também conta com materiais criados a partir de algodão, papel, casca de árvore, algas marinhas e fibras de agave, ananás, maçã ou banana. E em Itália prepara-se a criação de um produto semelhante ao couro, mas que apenas se serve das peles, sementes e talos de uvas.

E, surpresa das surpresas: com a missão de retirar a crueldade da indústria de peles, até já existem empresas, como a Modern Meadow, que criam couro em laboratório. Estes materiais são fabricados a partir de células vivas que produzem colagénio, uma proteína que forma a pele dos animais. Depois, o material é curtido e o resultado é couro falso extremamente semelhante ao verdadeiro, mas sem deixar uma gigante pegada ecológica.

© Modern Meadow, Inc.

Couro animal./Modern Meadow

Cortiça 

Impermeável e facilmente reciclável, a cortiça já é usada por marcas em todo o mundo. Em Portugal, a indústria da cortiça já tem muitos anos de História. E é sabido que a economia nacional beneficia largamente do setor, já que Portugal produz 49% da cortiça mundial e a quota de exportações portuguesas do material equivale a 846 milhões de euros.

Além do mais, a produção de cortiça é altamente sustentável, já que, para a produção da mesma, a árvore não precisa de ser cortada. Ao fim de nove anos, a casca de sobreiro já regenerou completamente e está novamente pronta para a “despela”, o processo de extração da cortiça.

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O Espalha-Factos recomenda:

Para um visual mais boémio, combina este vestido da ZARA (59,95€) com umas sandálias criadas através de garrafas de plástico recicladas, cortiça e pneu reciclado. Este modelo em castanho, a cor da estação, é da NAE e custa 69€. Para conduzir, uma mochila em cortiça da Loja da Cortiça (71€). O look completo custa 199,95€.

© NAE
© Zara

Borracha Reciclada 

A borracha reciclada também faz parte do conjunto de alternativas disponíveis, de que os pneus reciclados são o maior exemplo, sobretudo no fabrico de sapatos, cintos e até alças de guitarras. Algumas borrachas podem ter uma textura e densidade bastante semelhantes às do couro e, como tal, tornam-se os compostos perfeitos para a criação de malas. A marca Paguro, por exemplo, é uma marca que usa borracha reciclada, com acabamento mate, em vários acessórios.

O Espalha-Factos recomenda:

A mochila da Paguro (148€) neste material grita por um look mais desportivo. E quem usa este conjunto de calças (12,99€) e blusão (14,99€) em azul elétrico certamente não passará despercebido. Com os ténis chunky (39,99€) a combinar, parecerás um ícone do street style. Todas as peças à exceção da mochila são da Pull and Bear. O visual completo custa 215,97€.

© Pull and Bear

© Pull and Bear
borracha reciclada © Paguro borracha reciclada

Algodão encerado 

O algodão encerado, preferencialmente orgânico, é um substituto perfeito do couro. A maravilha está no acabamento, garantido pela aplicação de uma dose de parafina ou cera de abelha no tecido de algodão. O material é flexível, impermeável e, ao contrário do couro, facilmente lavável. Imagina só o dinheiro que irás poupar em idas à lavandaria. A tua carteira- e o ambiente- agradecem.

O Espalha-Factos recomenda:

Para um look mais clássico, a Mango foi a nossa melhor amiga. As estrelas do conjunto são as jeans em algodão encerado (29,99€), ótimas imitadoras de cabedal. E a carteira: de pele, só tem efeito. Esta bolsa em poliuretano (19,99€) pode ser pequena, mas quando combinada com as peças certas, resulta numa grande dose de luxo e sofisticação. Os brincos metálicos em tom rubi irradiam magnificência e riqueza, mesmo que sejam apenas 12,99€. A camisa fluída num tom mais leve, o branco, equilibra o look (19,99€). O visual inteiro fica a 82,96€.

© Mango © Mango © Mango © Mango

Piñatex 

A marca portuguesa NAE é uma das muitas que já estão a substituir o couro por Piñatex, um material composto por fibras das folhas de ananás, um subproduto da colheita do ananás. Este material aproveita partes desperdiçadas do fruto e não só é cruelty-free, como amigo do ambiente. Também garante aos agricultores de ananases mais uma fonte de lucro a partir das suas colheitas. A falsa “pele” é altamente impermeável e durável.

O Espalha-Factos recomenda:

O conjunto abaixo apresenta duas alternativas ao couro: os ténis e a bolsa. Os ténis slip-on em piñatex são da NAE e podes encontrá-los na loja portuguesa Sapato Verde (99€). Num look quase monocromático, os ténis, as jeans cropped da ZARA (25,95€) e a t-shirtda Bershka (7,99€) compõem a tela branca. O grande apontamento de cor é garantido pela mala da Kantala, de um material criado a partir de folhas de agave e piñatex (73,31€). Podes comprar o conjunto por 206,25€.

kantala pinatex agave © Kantala kantala pinatex agave

© Bershka

Como será o futuro das peles?

Derivados de fontes de matéria-prima sustentáveis e disponíveis, os “biocouros” inegavelmente superam os métodos tradicionais de produção de couro em termos de sustentabilidade.

As novas alternativas ao couro são ecologicamente corretas, sustentáveis e humanas. Ao mesmo tempo, oferecem as qualidades que os consumidores esperam dos produtos de couro.

Com tantas alternativas às peles de animal já no horizonte, é provável que estas sejam cada vez mais preferidas sobre os produtos tradicionais. É uma escolha que beneficiará tanto os animais, como o nosso planeta.

O post Diz adeus às peles: 5 looks com alternativas cruelty-free aparece primeiro no Espalha-Factos.

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