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A Alemanha conservadora ficou mais Verde

Nas eleições Europeias, na Alemanha, os verdes foram o segundo partido mais votado. A euronews esteve em Munique, na Baviera onde a noite eleitoral foi de euforia, para a direção e para os militantes dos Verdes. A Baviera, uma das regiões mais ricas do país, é tradicionalmente dominada pelos conservadores. Proprietário de vários bares, de uma padaria e de um restaurante, Stephan Alof fartou-se da inação dos dois principais partidos políticos em que costumava votar e agora apoia os Verdes. "Excelente resultado. Faz-nos sentir muito bem. Nunca tínhamos tido uma percentagem de votos tão elevada. Estamos nos 21%. É emocionante. Agora é preciso passar da teoria à prática em relação à ecologia, à luta contra a extrema-direita, o apoio aos pobres, o desemprego dos jovens na União Europeia", disse à euronews Stephan Alof. "Já não conseguia apoiar o ritmo de caracol dos democratas-cristãos e dos sociais-democratas no que toca à proteção do ambiente. Hoje, os Verdes são o único partido político em crescimento. São os únicos que entenderam que é preciso uma mudança já, e não daqui a dez ou quinze anos", sublinhou o apoiante dos Verdes. O sentimento de emergência climática A euronews viajou pelas zonas rurais da Baviera para perceber melhor o sentimento de emergência climática de uma parte dos eleitores. As consequências do aquecimento da temperatura global são visíveis. Muitas árvores estão a morrer. "Pode ver aqui os fungos e os buracos feitos pelos escaravelhos. Não são apenas duas ou três árvores que estão a morrer, são florestas inteiras a morrer. É importante sublinhar que não são os fungos e os escaravelhos que estão a matar os pinheiros, são as alterações climáticas. Os nossos pinhais estão a ser destruídos pelo aquecimento global. É dramático. O receio é que a floresta morra completamente aqui", contou Ralf Straussberger, perito em ciência floresta e membro da Associação Amigos da Terra. Para fazer face à seca e às ondas de calor, Ralf Straussberger convenceu os proprietários florestais a unir esforços para lançar o maior projeto de reconstrução florestal na Baviera. "É uma situação dramática. Se os políticos não tomarem medidas para parar as alterações climáticas, vamos ter um clima mediterrânico. As temperaturas vão subir quatro ou cinco graus. As nossas espécies locais não vão suportar essas temperaturas e vão morrer. É preciso replantar a floresta, plantar faias e carvalhos. É a única forma de estabilizar as florestas para que amanhã haja florestas", disse Ralf Straussberger. Os católicos de Munique e a proteção da natureza Recentemente, Stephan Alof voltou a ser eleito para o conselho da Paróquia da Igreja Católica de São Maximiliano em Munique. A proteção da natureza é um tema importante para a comunidade local. No início do ano, uma petição para a proteção da biodiversidade reuniu dois milhões de assinaturas. "Sim, fiz parte dessa iniciativa e fui um dos primeiros a assiná-la. Fiquei surpreendido por tanta gente na Baviera ter assinado a petição. As pessoas querem mudanças verdadeiras. Foi o que vimos nas eleições europeias", sublinhou Stephan Alof. Apicultores da Baviera criticam uso de pesticidas Para os apicultores da Baviera, a proteção da natureza é uma questão de vida ou de morte. A euronews falou com Matthias Rühl, um apicultor alemão obrigado a mudar as suas colmeias de sítio para evitar que fossem pulverizadas com produtos químicos perigosos. "Tivemos que fazer uma evacuação o mais rapidamente possível. Sabíamos que os helicópteros que iam pulverizar o campo com produtos químicos podiam chegar a qualquer momento. Éramos oito pessoas a tentar evacuar o sítio e levar as abelhas, durante a noite, de carro, foi um stress", recordou Matthias Rühl. "Neste momento, temos pouco espaço devido às colónias de abelhas que tivemos de colocar aqui para fugir à ação de envenenamento. Eles pulverizaram o campo com um inseticida chamado Tebofenozid que acelera a descamação. Ninguém me faz acreditar que este inseticida não influencia as nossas colmeias", acrescentou o apicultor alemão. A próxima Política Agrícola Comum O voto ecologista poderá influenciar a próxima reforma da Política Agrícola Comum. Na linha de mira dos Verdes, os métodos da agricultura industrial que poluem a terra, a água e a atmosfera. Os Verdes propõem que o orçamento da PAC favoreça uma nova política agrícola e alimentar, protetora da biodiversidade, das pessoas e dos animais, capaz de garantir a autossuficiência do continente europeu no contexto das mudanças climáticas. "Estamos no meio de um deserto verde, neste campo não há nada para além da planta semeada. Quase que poderíamos dizer que uma abelha morreria de fome ao atravessar este deserto verde. Quando as abelhas não morrem devido aos inseticidas, morrem de fome", explicou Matthias Rühl. O Parlamento Europeu tem um papel decisivo ao nível do orçamento e da política agrícola. "Muita coisa tem de mudar na Europa e as mudanças têm de ser rápidas. Os subsídios diretos devem remunerar os que fazem algo pela sociedade e pelo ambiente. O sistema de subsídios tem de mudar imediatamente", declarou Matthias Rühl.
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