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Barómetro da semana: Quem são, afinal, os eco-terroristas?

Logótipo de TVI24 TVI24 03/04/2019 Guya Accornero, ISCTE-IUL
Reuters © TVI24 Reuters

O ambiente domina as notícias do último barómetro de um março excecionalmente quente e seco. E o ambiente esteve, há poucas semanas, no centro de uma das maiores manifestações de rua, em Portugal e fora, dos últimos anos. O ambiente pode ser um conteúdo da política, e a manifestação uma das formas da política e da participação. Mas qual é a relação entre as duas coisas?

Há pouco mais de que uma semana, o famoso cientista político John Dryzek deu uma palestra no ISCTE-IUL sobre ‘The Changing Terms of Environmental Discourse’. Autor e co-autor de livros como The Politics of the Earth, Democratizing Global Climate Governance, e The Politics of the Anthropocene, Dryzek é conhecido sobretudo por ser um dos maiores representantes daquela que foi considerada como uma verdadeira ‘viragem deliberativa na teoria democrática’ e por juntar a sua reflexão sobre a democracia deliberativa e a política ambiental. No pensamento dele, crise da democracia e crise ambiental – e sobretudo a mudança climática - estão estritamente ligadas e apenas o fortalecimento de práticas deliberativas nos processos políticos e decisórios poderia oferecer uma saída para ambas.

É claro que precisamos de ter algum cuidado com as definições e quando falarmos de democracia tentar ser claros sobre o que entendemos e pretendemos descrever e implementar – e isso também vale para o discurso sobre a crise da democracia. Entretanto, é inegável que haja uma ligação direta entre a qualidade do discurso sobre o ambiente e a qualidade da democracia. Alguns dias antes desta palestra, a 15 de Março, em todo o mundo centenas de milhares de jovens ocuparam pacificamente as ruas das suas cidades para manifestar contra a mudança climática e para pedir aos governos que cumpram o acordo de Paris de 2015.

Lembramos que, durante a cimeira de Paris, o governo tinha aplicado o ‘estado de emergência’ em todo o país, justificado pelo ataque ao Bataclan pouco antes. A consequente suspensão do direito de manifestação – um dos basilares direitos democráticos – afetou sobretudo os ativistas que queriam manifestar-se contra a cimeira e que, puxados na área da ilegalidade, foram violentamente reprimidos. O assim chamado ‘eco-terrorismo’ chegou a ser considerado a primeira ameaça à segurança interna nos EUA, segundo o Departamento de Justiça, enquanto todos conhecemos as posições sobre mudança climática e direitos ambientais de líderes com tendências autoritárias como Trump e Bolsonaro.

Recentemente, um ciclone de uma violência extraordinária matou 812 pessoas na África, sobretudo no Moçambique. A seca e a falta de água por aqui ameaçam as cultivações no Alentejo. O maior desastre humano no País deveu-se a um incêndio e, este ano, os fogos chegaram com incrível antecedência.

E quem são, então, os eco-terroristas?

       

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho e a codificação das notícias é realizada por Carla Mendonça com o apoio de Leonor Cardoso. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Atualmente fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.

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