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Clima. Civilização enfrenta “ameaça existencial” até 2050 se não agir rápida e drasticamente

Logótipo de Expresso Expresso 05/06/2019 Hélder Gomes

Se as temperaturas globais subirem três graus centígrados até meio do século, 55% da população mundial em 35% da área terrestre experimentará mais de 20 dias de calor mortal por ano, estima relatório de grupo de investigação australiano. Noutras zonas, haverá mais de 100 dias de calor letal todos os anos e muitos ecossistemas entrarão em colapso

Expresso © Christopher Furlong/Getty Images Expresso

Vinte dias de calor letal por ano, mais de mil milhões de pessoas deslocadas e ecossistemas colapsados são alguns dos cenários prováveis até 2050 se não forem tomadas ações rápidas e dramáticas para conter as alterações climáticas. A previsão é de um relatório recente do grupo de investigação australiano Breakthrough National Center for Climate Restoration, noticiado esta quarta-feira pela CNN.

Não sendo um estudo científico, o documento traça cenários baseados em pesquisas existentes e faz um retrato sombrio de um futuro em que a produção de alimentos cai e algumas das cidades mais populosas do mundo são parcialmente abandonadas. O prefácio é assinado pelo almirante aposentado Chris Barrie, antigo chefe da força de defesa australiana, que escreve que “depois da guerra nuclear, o aquecimento global induzido pelo homem é a maior ameaça à vida humana no planeta”. “Um futuro apocalíptico não é inevitável mas, sem uma ação drástica imediata, as nossas perspetivas são fracas”, acrescenta.

Os autores do relatório, David Spratt e Ian Dunlop, ambos investigadores climáticos há muito tempo, alertam que as alterações climáticas representam atualmente uma “ameaça existencial de curto e médio prazo para a civilização humana”. Se as temperaturas globais subirem três graus centígrados até meio do século, 55% da população mundial em 35% da área terrestre experimentará mais de 20 dias de calor mortal por ano, “além do limiar da sobrevivência humana”, estimam.

Do “aumento do fervor religioso até ao caos total”

Na África Ocidental, na América do Sul tropical e no sudeste asiático, haveria mais de 100 dias de calor letal todos os anos, o que levaria à fuga de mais de mil milhões de pessoas. Neste cenário, muitos ecossistemas entrariam em colapso, incluindo os existentes no Ártico, na floresta amazónica e nos sistemas de recifes de corais.

A produção de alimentos cairia devido ao “declínio catastrófico” nas populações de insetos, o clima ficaria demasiado quente para os humanos sobreviverem em áreas significativas de cultivo de alimentos e haveria uma escassez crónica de água. Com comida insuficiente para a população mundial, os preços disparariam, argumentam ainda os autores do documento.

O aumento do nível das águas do mar levaria pessoas a abandonarem partes de Banguecoque, Bombaim, Cantão, Cidade de Ho Chi Minh, Hong Kong, Jacarta, Manila e Xangai, entre outras cidades. Cerca de 15 milhões de pessoas seriam deslocadas do Bangladesh.

“As consequências sociais vão desde o aumento do fervor religioso até ao caos total. Neste cenário, as alterações climáticas provocarão uma mudança permanente na relação da humanidade com a natureza”, conclui o relatório.

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