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Novo relatório conclui que aquecimento global já está a afetar a saúde humana

Logótipo de Expresso Expresso 04/06/2019 Mafalda Ganhão

Impactos serão cada vez mais graves no futuro, alerta o estudo elaborado por especialistas de 27 academias nacionais de ciência. Casos de doenças do foro mental podem aumentar

Expresso © Michel Porro/Newsmakers/Getty Images Expresso

Uma nova investigação sobre os efeitos do aquecimento global na saúde humana concluiu que são já visíveis as consequências da mudança climática, prevendo-se impactos cada vez mais graves no futuro.

O relatório “O Imperativo da Ação Climática para Proteger a Saúde Humana na Europa”, elaborado por especialistas de 27 academias nacionais de ciência, alerta para o risco de os efeitos diretos desse aquecimento provocarem mais vítimas - resultado das ondas de calor extremo ou do aumento das inundações - mas chama também a atenção para os efeitos indiretos, desde a propagação de doenças transmitidas por mosquitos até ao agravamento dos casos de doenças do foro mental. Aqui se incluem como problemas como “stress pós-traumático, ansiedade, abuso de substâncias e depressão”, aponta o estudo.

Em função das conclusões, Andrew Haines, co-presidente do Conselho Consultivo da Academia Europeia de Ciências, não duvidou em avançar que “as alterações climáticas devem ser classificadas como uma das mais sérias ameaças à saúde”.

São inquietantes os cenários traçados, com o relatório a antecipar a propagação de doenças infecciosas na Europa à medida que as temperaturas aumentam e aumenta a variedade de mosquitos. As preocupações abrangem o risco de poderem aumentar as intoxicações alimentares, já que as bactérias prosperaram em ambientes mais quentes.

“Estamos a sujeitar os jovens e as gerações futuras a esses riscos de saúde crescentes por muitas centenas de anos, se não milénios”, disse Andrew Haines, apelando a práticas urgentes para contrariar as perspetivas atuais.

Num plano mais otimista, a investigação assinala que as ações já tomadas para reduzir as emissões de carbono permitiram benefícios importantes, sobretudo pela redução do número de mortes prematuras, atribuídas à poluição do ar na Europa – estão a morrer menos 350.000 pessoas por ano.

O relatório avança também que mesmo pequenos cortes na ingestão de carne podem resultar em cortes significativos nas emissões de carbono, além de trazerem benefícios do ponto de vista da saúde.

Um relatório anterior, divulgado e dezembro pela Organização Mundial da Saúde, estimava que combater a crise climática salvaria pelo menos um milhão de vidas por ano, tornando-se “um imperativo moral” agir.

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