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Uma cidade de pobres atolada em lixo dos ricos

Logótipo de Expresso Expresso 14/02/2019 Luís M. Faria

Cada vez se torna mais difícil ignorar os custos ambientais e de saúde do lixo plástico, como mostra uma reportagem da BBC na Malásia

Expresso © Sergei Malgavko/GETTY Expresso

O problema do lixo que países ricos enviam para países pobres a fim de ser reciclado é ilustrado numa reportagem que a BBC acaba de publicar. Realizada em Jenjarom, uma vila com 30 mil habitantes que fica próximo do maior porto do país, conta como a indústria da reciclagem do plástico desfigurou o local e causou danos à saúde de muitos dos habitantes.

O ano passado, depois de a China deixar de aceitar resíduos plásticos para reciclagem, a Indonésia tomou-lhe o lugar. Só em Jenjarom abriram dezenas de fábricas, a maioria delas clandestinas e com equipamento rudimentar, numa corrida desenfreada para apanhar uma fatia de um mercado estimado em largas centenas de milhões de euros. Embora 30 das fábricas tenham entretanto sido fechadas pelas autoridades, isso parece não passar de uma gota de água num oceano.

Em princípio, o plástico reciclado é transformado em aglomerados que depois serão reutilizados. Mas como nem todos os plásticos são recicláveis e os sistemas de controle para distinguir quais são e não são funcionam mal - a fraude é comum nessa área - as unidades de reciclagem viam-se com muito plástico que não tinham remédio senão enterrar ou queimar.

As queimas eram feitas a partir da meia-noite, gerando fumos negros cujo cheiro incomodava seriamente os residentes. Um professor de química e engenharia biomolecular em Singapura disse à BBC que os fumos em questão são carcinogénicos. Mesmo que a exposição a eles dure pouco tempo, podem causar dificuldades na respiração. Se se prolongar, os efeitos são potencialmente muito mais graves.

Aproveitar a oportunidade económica

Já o ano passado uma reportagem feita pela Reuters se ocupara do mesmo problema numa outra zona. Yeo Bee Yin, o ministro da energia, tecnologia, ciência, alterações climáticas e ambiente, chegou a explicar no Parlamento o dilema que o seu país enfrenta: proteger o ambiente e as pessoas, mas sem deixar passar uma valiosa oportunidade económica.

Parte substancial do negócio da reciclagem do plástico na Malásia é controlado pelos chineses, que alugam terrenos a proprietários locais para instalar as suas unidades. Só em Jenjarom, mesmo após o recente êxodo forçado dos clandestinos - que por certo se foram reinstalar noutro lado - ficaram 17 mil toneladas de lixo a que ninguém sabe o que fazer.

A ministra da Habitação, Zuraida Kamaruddin, explicou que as autoridades estavam a tentar determinar quem é o proprietário de um terreno onde se acumulam quatro mil toneladas de lixo plástico. Os jornalistas facilmente detetaram embalagens de marcas conhecidas do Reino Unido e do Japão. Esses dois países são os maiores fornecedores de lixo à indústria da reciclagem, depois dos Estados Unidos.


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