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Ludi… crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S?

Logótipo de ECO.PT ECO.PT 07/07/2018 Paulo Moutinho
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Um elétrico já surpreende muitos condutores pela imediatez com que a potência se transforma em velocidade. Num Model S, é quase assustador. Os 600 cv "colam" o condutor ao banco.

3, 2, 1… We have liftoff. Não levantamos voo literalmente, mas com este Tesla “voamos” baixinho. É essa a sensação que se tem quando carregamos a fundo no pedal do acelerador do Model S. Em silêncio total, o que é quase contranatura, ficamos colados ao banco a ver o asfalto ser devorado cada vez mais rapidamente, sempre à espera daquela pausa para respirar que se tem numa tradicional passagem de caixa mas que... nunca acontece. O P100D da Tesla é um foguete.

É potência total, de forma contínua. Afinal, estamos a falar de um automóvel totalmente elétrico que tem a particularidade de oferecer uma potência equivalente a mais de 600 cv, com tração às quatro rodas, capaz de gerar uma força gravitacional de 1,1 vezes, ou seja, como uma vez descreveu Elon Musk, é “mais rápido do que cair”. Isto no modo mais louco de todos, o “Ludicrous”, que é, efetivamente, de loucos. É pura diversão para quem gosta.

A sensação é avassaladora. Um elétrico já surpreende muitos condutores pela imediatez com que a potencia se transforma em velocidade, mas no caso do Model S, na versão mais potente, é quase indescritível. Só mesmo com alguns números se pode dar alguma noção do quão rápido este automóvel é: bastam 2,7 segundos para chegar dos zero até aos 100 km/h. Velocidade máxima? 250 km/h, limitado eletronicamente. Antes de lá chegar, já o Tesla passou o contador da velocidade digital de branco para vermelho. É um alerta.

Andar com o “Ludicrous” é quase como pedir para ser fotografado num qualquer radar de velocidade (e há tantos espalhados por aí). Mesmo no “Sport”, a versão desportiva, há muita potência à distância de um ligeiro toque no acelerador, pelo que o “Chill” acaba por ser o modo mais civilizado. Não dispara, mas é mais do que suficiente para bater a concorrência naquele semáforo vermelho que em segundos se transforma numa luz verde.

“Esse é que é… É a bomba!”

O P100D, o mais potente dos Model S, é garante de diversão para quem gosta de fazer o gosto ao pé direito… e de ficar com o estômago feito num oito – sim, porque quem não está preparado para a potência, sofre. Dá vontade de conduzir, conduzir e… conduzir mais um bocadinho, com ou sem destino pré-definido. É extremamente viciante. E, ao contrário de muitos elétricos, há bateria suficiente para deixar o condutor saciado. Chega, no limite, para 600 km.

Não será, certamente, no modo “Ludicrous” que se conseguem estas centenas e centenas de quilómetros que quase fazem desaparecer aquele anseio que se sentia num automóvel elétrico de anterior geração. Fazem-se bastantes, é verdade, mas quando pela frente está uma viagem de meio país, o “Sport”, mas principalmente, o “Chill”, são a opção mais aconselhada. E assim, sim, há autonomia que baste. Uma bomba, duas bombas, três bombas. Passamos por várias até ao Algarve. Atestar? Perdão. Recarregar? Sim, mas por precaução já que nunca se sabe se há postos a postos para o fazer junto à praia.

Conexões à corrente não faltam no topo de gama da fabricante norte-americana. Desde a tradicional ficha do candeeiro de casa — carrega cerca de 150 km em oito horas — até às fichas rápidas, as CHAdeMO, que se encontram nalguns postos do país, alguns em autoestrada. Em vários postos chegam a haver três tomadas diferentes, mas apenas uma de cada. E e a CHAdeMO é sempre a mais solicitada. Por isso, chegar ao posto e encontrar outro Tesla… desanima.

Mas, entre os condutores de elétricos parece haver grande companheirismo. “Espere aí que já vou desligar”, diz-nos o dono de outro S. “Estava só a carregar mais um pouco já que vou para Espanha. Carreguei no Supercharger de Montemor-o-Novo [há outros em Fátima e na Guarda], por isso parei só para garantir que chego a Sevilha”, diz o condutor de um 85D, modelo da anterior geração do Model S. É em tudo idêntico, mas o dono não resiste: “Esse é que é… É a bomba!”. E é mesmo.

Carregadinho de tudo. Bateria e luxo

Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S? © Swipe News, SA Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S? Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S? © Swipe News, SA Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S?

Com a bateria tal e qual a do smartphone nas primeiras horas da manhã, a marcha segue, sempre com grande suavidade. Não só não se ouve nada quando se está aos comandos de um Model S, como todo o automóvel está concebido para garantir o máximo conforto a todos os ocupantes – cinco ou mesmo sete, com os dois bancos extra na bagageira. Desde os bancos com um excelente apoio lombar, totalmente ajustável, até ao generoso espaço no habitáculo.

Quem vai atrás não tem razões de queixa – nem as malas, viagem na bagageira de 750 litros, ou debaixo do capot em substituição do… motor (59,5 litros). É um elétrico! Mas quem vai à frente fica com a melhor parte. O condutor porque tem nas mãos um “brinquedo” de gente grande, mas o “pendura” porque dificilmente fica entediado. No meio dos dois, num tablier gigante está uma TV. Não é bem, mas quase. São 17 polegadas de ecrã, colocado na vertical, que tem tudo. Mesmo.

Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S? © Swipe News, SA Ludi... crazy. Quer ficar colado ao banco de um Tesla Model S?

Da navegação em 3D, com mapas da Google, passando pelo browser para navegar na internet, até ao Spotify. É simplesmente brilhante, de tal forma que quando se volta a modelos mais comuns, mesmo aqueles com um preço semelhante ao do S P100D, que ronda os 150 mil euros, quase nos perguntamos se “aquilo” é que é o sistema de infoentretenimento.

Depois de ver este, a Tesla “estraga” os da concorrência, também por tudo o que se pode controlar no que à condução diz respeito. Não só permite selecionar os modos de condução como afinar a altura do carro, bem como ajustá-lo face ao terreno em que se conduz. E vai até ao desbloqueio da porta para carregar as baterias – disfarçada num dos farolins – ou à percentagem de abertura do teto de abrir. É este o nível de detalhe, revelador do tempo e dinheiro que marca investiu para conceber um automóvel que maravilha quem o conduz e deslumbra quem o vê passar. É que tudo isto vem com um “embrulho” de linhas simples, fluidas — até os puxadores de portas são escamoteáveis –, mas sempre desportivas.

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