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As exclusividades improváveis

Logótipo de Jornal dos Clássicos Jornal dos Clássicos há 4 dias Tatiana Ferreira
© Fornecido por Jornal dos Clássicos

Gostaria de ter um automóvel raro? Exclusivo? Uma preciosidade tal, que não encontrará outra igual nas concentrações? Um automóvel que só os entendidos conhecem? E que tal um Citroën Xantia ou um Peugeot 309?

 

Não, não é uma afronta ao bom gosto e grau de exigência do estimado leitor.

 

Quem nunca ouviu dizer: “É tudo muito bonito, muito bonito... se não fosse o mas!”? Pois, só que aqui é o contrário. Felizmente, temos o “mas”! O “mas”, habitualmente um desmancha prazer, desperta aqui o entusiasmo. Até pode trazer uma certa nobreza a um patinho feio (ou julgado como tal). Eis alguns exemplos:

 

Alfa 155 Q4

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O sucessor do 75 nunca mereceu o carinho dos puristas da Alfa Romeo, escandalizados com a passagem à tracção dianteira. Mas há que reconhecer que a marca não poupou esforços para promover o cuore sportivo da sua berlina. A versão Q4 é uma ilustração disso mesmo.

 

À semelhança do 155 GTA, vencedor do campeonato italiano de Turismo em 1992, por baixo da carroçaria do Alfa Romeo 155 Q4 esconde-se um Lancia Delta HF Integrale. A transmissão e o motor são comuns aos dois modelos, embora a potência do 155 seja inferior (190 cavalos em vez de 210 para o Delta).

 

Com menos potência e mais peso (1400 quilos), o 155 Q4 não tem a mesma eficácia que o seu dador de órgãos, seis vezes campeão mundial de ralis. Mas não deixa de ser um desportivo, polivalente e que pode ser utilizado em condições mais adversas. E já reparou na cotação do Lancia Delta HF Integrale? Por isso, se encontrar um dos 2.701 exemplares agarre-o!

 

Se não for suficientemente exclusivo para si, então pode sempre procurar um raríssimo 155 GTA Zagato, baseado no 155 Q4, comercializado... no Japão, exclusivamente.

 

Citroën Xantia V6 Activa

 

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A presença de um Xantia num artigo sobre paixão e exclusividade automóvel não é assim tão estranha. É que este Xantia é muito mais do que parece. Passa despercebido na rua, excepto para os “citroënistas” e para quem já ouviu falar do “teste do alce” no qual é simulado um desvio perante um obstáculo (uma má recordação para o primeiro Mercedes Classe A). O Xantia Activa, não só passou no teste, como detém o recorde da passagem mais rápida, desde 1999 (!), à frente de máquinas como o McLaren 675 LT ou o Porsche 911. Conhece muitos automóveis que se podem gabar do mesmo?

 

O motor não tem a magia de um V6 Alfa Romeo, mas é um V6 agradável que dispõe ainda assim de 194 cavalos. De qualquer maneira, o mais importante é a suspensão Hydractive II combinada com o sistema SC-CCAR, que permite curvar a velocidades dignas dum super desportivo! O familiar da Citroën parece estar em cima de caminhos de ferro! Se a versão V6 é a mais exclusiva e a mais nobre, o Xantia Activa existe igualmente em versão 2.0 Turbo CT a gasolina e em duas versões diesel (2.1 TD substituída pela versão 2.0 HDi, ambas de 110 cavalos).

 

Quando chegar a uma rotunda com o seu Xantia Activa, lado a lado com um Audi R8 descapotável, não se preocupe! Este Citroën é capaz de inverter os complexos de inferioridade!

 

Fiat Ritmo 125TC Abarth

 

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Em 1981 é apresentada uma versão ainda mais desportiva do Fiat Ritmo, o 125 TC Abarth com um motor Lampredi de 2000 cm3 de cilindrada e 125 cavalos (já tinha sido lançada anteriormente um 105 TC com motor 1600 cm3). Há que recordar que na mesma altura, a referência Golf GTi tinha um motor 1600 cm3 de 110 cavalos (1800 cm3 de 112 cavalos a partir de 1982).

 

O desenho bastante original da Bertone é retocado para fazer sobressair a vocação desportiva do 125 TC: as jantes, a asa traseira, os para-choques e a entrada de ar no capô estão aqui para lembrar aos mais desatentos que este Fiat vem dar mais... ritmo à condução!

 

O motor, alimentado com um carburador duplo, permite óptimas performances face aos rivais, com um 0 aos 100 em menos de 9 segundos, sendo que o chassis também permite um comportamento bastante satisfatório para a época.

 

Em 1983, é lançado o Ritmo II, com uma nova frente (mais convencional), e a versão Abarth acompanha a evolução, designando-se agora 130 TC (desta vez com dois carburadores duplos e 130 cavalos). O 125 TC, mais original e mais raro, merece ser coleccionado e não deixará ninguém indiferente mesmo quando estacionado ao lado de um Golf GTi.

 

Ford Fiesta XR2 MkI

 

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O início dos anos 80 corresponde ao início da moda dos pequenos GTi’s lançada pelo Golf. A concorrência não podia ficar sem fazer nada e preparava a resposta. A Ford apresenta a sua em 1981, tendo por base o Fiesta lançado cinco anos antes.

 

O motor é um 1600 cm3 do Escort, com carburador Weber duplo que permite ao pequeno desportivo ter uma potência de... 84 cavalos. Se a potência sabe a poucochinho hoje em dia, na altura também era igual, sobretudo quando comparada com os 110 cavalos do Golf GTi ou do Renault 5 Alpine Turbo. E se calhar é melhor assim, já que o chassis também está longe de igualar as referências do segmento e dificilmente suportaria mais cavalos.

 

Mas se é verdade que em termos estritamente desportivos, o Fiesta XR2 MkI está aquém da concorrência, se falarmos em termos de exclusividade, aí sim já merece a luz dos holofotes. É que com a sua decoração exterior desportiva deliciosamente vintage (faróis adicionais, autocolantes, plásticos dos guarda-lamas...), a pequena bomba da Ford está cada vez mais rara, mesmo muito rara. A resgatar com urgência!

 

Lancia Delta HPE HF

 

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Ai, o Lancia Delta HF! Conhece algum petrolhead que não goste do Lancia Delta HF? As linhas! O comportamento na estrada! As vitórias nos ralis... Não, não! Para tudo! Não é esse que está a pensar. Trata-se aqui do Lancia Delta HF HPE, ou seja a versão desportiva da segunda geração do Delta lançada em 1993, disponível com uma inédita carroçaria de 3 portas (HPE fazendo referência a uma versão coupé do Beta).

 

Para colar mais com o posicionamento premium da Lancia no grupo Fiat, as linhas não são tão agressivas como o ilustre antecessor, embora as últimas versões tenham adoptado um estilo mais... tuning. O interior é luxuoso com bancos Recaro em alcantara e um equipamento completo. O motor é o famoso Lampredi 2000 cm3, com 186 cavalos (193 nas últimas versões) mas que só pode contar com a tracção às rodas dianteiras para se expressar, o que limita o potencial do Delta II.

 

O Delta original tem a assinatura prestigiosa de Giugiaro? Pois o Delta II é da autoria de Ercole Spada, autor, por exemplo, do Aston Martin DB4 GT Zagato. Nada mau, pois não? Assim, o Delta HF HPE é um automóvel com uma linha elegante, bem equipado e agradável de conduzir (dentro dos limites do eixo dianteiro), cujo único grande defeito é ser o sucessor de uma lenda! Será esse um argumento válido para continuar a ignorar as suas outras qualidades?

 

Mercedes-Benz A 160 Hakkinen/Coulthard Edition

 

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A partir de 1998, a McLaren volta a dominar a Fórmula 1 conquistando nesse ano o título de condutores e construtores, com motores Mercedes. Para comemorar o feito, a marca alemã decide lançar uma edição especial com as cores dos monolugares colocadas no pequeno monovolume da marca.

 

Limitada a 250 exemplares (125 Hakkinen edition e 125 Coulthard edition), as especificidades são sobretudo decorativas, já que o motor é o 1600 cm3 de 102 cavalos combinado a uma caixa semi-automática, o chassis ganha uma ligeira afinação mais desportiva e as jantes AMG são de 17 polegadas. No habitáculo, os passageiros beneficiam por exemplo de um equipamento mais completo com uns estofos em pele vermelhos e aquecidos bem como de um sistema audio Bose.

 

A primeira geração do Classe A, lançada há pouco mais de 20 anos, ainda não pode ser considerada um clássico. Mas esta versão, pela sua exuberância, pela sua raridade (250 exemplares!) e pelos pilotos homenageados merece claramente o interesse dos petrolheads!

 

Mini Cabriolet

 

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O Mini cabriolet?! Não se trata do Mini BMW, mas sim do Mini da era Rover. O conceito não foi da iniciativa da Rover, muito menos de Sir. Alec Issigonis, o criador do Mini. Ainda assim, esta versão cabriolet tem origens alemãs, pois é no início da década de 90, que um concessionário alemão lança uma versão descapotável do novo Mini Cooper 1.3i.

 

As transformações são meramente estéticas. Além da supressão do tejadilho, o Mini cabriolet Lamm (é esse o nome) tem uns guarda-lamas alargados e uns para-choques mais maciços. O sucesso das vendas leva a Rover a reflectir sobre a possibilidade de propor um Mini cabriolet na sua rede global de concessionários. Os testes levados a cabo no Reino Unido mostram-se conclusivos, pelo que a partir de 1994 a Rover propõe uma nova versão do histórico Mini (lançado em 1959!): uma versão cabriolet. Mas ao contrário do que era expectável, sobretudo depois do sucesso verificado com o concessionário Lamm, a nova aposta resulta num fracasso comercial, as estimativas mais optimistas apontando para cerca de 1000 exemplares produzidos.

 

Um preço muito superior ao Mini Cooper que lhe serve de base terá sido provavelmente (muito provavelmente) a causa principal do fracasso comercial. Uma aposta errada da Rover, mas uma aposta certa para os coleccionadores.

 

Peugeot 309 GTi Turbo

 

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Não se trata de nenhum lapso de escrita. Existiu mesmo um Peugeot 309 GTi Turbo. Nos anos 80, a Peugeot participa no campeonato “Production”, o campeonato francês de turismo, com um 505. Mas para 1988, a marca decide substituir o velhinho 505 pelo 309 GTi no dito campeonato. A Peugeot decide então colocar um turbo no 309 GTi 8 válvulas (o 16 válvulas ainda era um projecto), o que permite atingir os 180 cavalos de potência para um peso de 800 quilos.

 

Por razões de homologação, são produzidos alguns exemplares de estrada do 309 GTi Turbo, ou seja, um 309 GTi no qual é colocado o kit “PTS” (Peugeot Talbot Sport), com cerca de 165 cavalos. Não se sabe ao certo quantos foram produzidos, mas estima-se que existam algumas dezenas. Pelo que se encontrar um (terá mais hipóteses numa próxima viagem a França), não o deixe escapar porque não voltará a ver outro!

 

Renault 11 Turbo Zender

 

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Nos anos 80 o Renault 11 consegue fazer esquecer o fracasso comercial do Renault 14 e é em 1984 que a então Régie lança a versão Turbo. Embora mereça boas críticas da imprensa, um defeito é apontado a esta versão desportiva: demasiado discreto. É aí que aparece a Zender.

 

O preparador alemão encarrega-se de tornar mais visível a vocação desportiva do 11 Turbo. O motor continua a ser o 1397 cm3 com o mesmo carburador simples Solex e o Turbo Garrett, cuja potência mantém-se nos 105 cavalos. As alterações são sobretudo estéticas, como por exemplo os para-choques específicos, as embaladeiras ou ainda as jantes. O que não impediu umas alterações ao nível do chassis, rebaixado em 10 mm à frente e 34 mm atrás e a colocação do eixo traseiro do Super 5 GT Turbo.

 

Cerca de 650 exemplares do Renault 11 Turbo Zender foram produzidos para o mercado francês e alemão.

 

Rover 827

 

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Gosta de exclusividade? Gostaria de ter um coupé que reflectisse isso mesmo, com a elegância britânica (mas um Jaguar é muito caro)? Que fosse fiável (mas não acha os japoneses muito bonitos)? E, sobretudo, não quer ser mais um a andar de CLK ou Série 3 Coupé? Então e que tal um Rover 827 SC?

 

Sim, eu sei, entre os requisitos acima referidos estava a fiabilidade. Precisamente. Ainda antes do casamento com a BMW, a Rover namoriscou alguns anos com a Honda. Desse affair anglo-japonês resultou alguma partilha de componentes, nomeadamente o V6 Honda 2.7 litros de 177 cavalos e que equipa o coupé da série 800, lançado em 1992. Um motor suficientemente capaz de o transportar sem grandes dificuldades do ponto A ao ponto B e cuja fiabilidade corresponde aos padrões da Honda, ou seja, excelente. Tudo isto confortavelmente instalado nos estofos em pele Connolly e usufruindo de um elevado nível de equipamento.

 

O Rover 827 SC consegue a proeza de juntar o melhor de dois mundos: requinte so british e fiabilidade japonesa! O preço algo elevado prejudicou a carreira deste automóvel, mas hoje é uma excelente alternativa para quem quer exclusividade a preço acessível.

 

Volkswagen Golf Rallye

 

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No final dos anos 80, sua majestade Golf GTi vê o seu domínio ameaçado pela concorrência, nomeadamente Kadett GSi 16v ou Peugeot 309 GTi 16s, respectivamente com 150 e 163 cavalos, quando o Golf GTi 16v conta com apenas 139 cavalos. Há que reagir e o sucesso do Lancia Delta no Grupo A do mundial de ralis dá algumas ideias à Volkswagen.

 

Têm o Golf, do mesmo segmento que o Delta, têm a transmissão Synchro e já que estão limitados quanto à utilização do turbo (depois do fim do Grupo B), a utilização de um compressor permite contornar os obstáculos colocados à sobre alimentação. Calha bem a Volkswagen tem o compressor G, instalado no Corrado G60.

 

É então lançada a produção dos 5000 exemplares necessários para a homologação no grupo A, a partir do Golf GTi de 8 válvulas (as 16 válvulas ficaram reservadas para as versões de competição). Esteticamente, destacam-se as embaladeiras, os guarda-lamas e para-choques maiores e os faróis do Jetta... Daí resulta um Golf desportivo com 160 cavalos e uma transmissão integral semi-permanente que, em caso de necessidade, transfere o excesso de potência do eixo dianteiro para o eixo traseiro.

 

O Rallye é o Golf II mais potente e dos mais raros: características sedutoras para a legião de fãs do Golf GTi... e para os outros!

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