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Ferraris que Hollywood eternizou

Logótipo de Jornal dos Clássicos Jornal dos Clássicos 05/07/2020 Tatiana Ferreira
© Fornecido por Jornal dos Clássicos

Elvis vs. Steve McQueen. Quando a discussão junta películas cinematográficas e Ferraris o Rei do Rock and Roll fica numa posição de vantagem relativamente ao intemporal e icónico actor. Em 1964, um 250 GT TdF de 1958 marca presença em Viva Las Vegas e, em 1966, a estrela do filme Spinout seria um 250 GT Cabriolet de 1960, sendo ambos protagonizados por Presley.

 

Embora McQueen tenha adquirido o seu primeiro Ferrari em 1963 não viria a contracenar com nenhum até 1968, em The Thomas Crown Affair. O raro 275 GTS/4 NART Spider vermelho, um de apenas dez construídos, não foi o primeiro Ferrari a apaixonar os espectadores mas certamente será um dos mais famosos e valiosos, tendo sido vendido em leilão por mais de 23 milhões de euros, em 2013.

 

Após o também conhecido por “King of Cool” ter domado o NART, verificou-se um crescendo interesse por parte de realizadores e espectadores nos automóveis da mítica marca italiana. Em 1971, Walter Matthau conduziu um 275 GTB em A New Leaf, sendo a vez de Robert Altman, em 1973, se colocar ao volante de um Daytona Spyder no thriller The Long Goodbye.

 

O facto de um Ferrari ser sempre uma peça embelezadora de qualquer filme não impediu que faltasse um aspecto importante a todos estes: velocidade. Os automóveis eram conduzidos devagar, como Enzo provavelmente nunca quereria que fossem, e por vezes nem o chegavam a ser. As altas velocidades apenas seriam atingidas em finais dos anos 70, ganhando ainda mais força ao longo dos anos 80, alimentadas, em parte, pela popularidade das séries Magnum, P.I. e Miami Vice, do pequeno ecrã, onde as estrelas eram o 308 vermelho e o icónico Testarossa branco que marcaram indubitavelmente uma geração.

 

Embora uma lista deste género se adivinhasse mais extensa, há uma regra para a escolha das máquinas que convém referir - nada de réplicas -, e que exclui à partida candidatos como o 250 GTO de Vanilla Sky, o California Spyder de Ferris Bueller’s Day Off, e o 250 Lusso de The Heist. Foi também dada preferência a bons momentos de acção com o mínimo recurso a efeitos especiais.

 

The Rock (1996)

 

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Entusiastas e proprietários de Ferrari, o actor Nicolas Cage e o realizador Michael Bay têm introduzido alguns automóveis da marca em alguns dos seus filmes, hábito que começou em 1996 com este filme de acção, onde Cage rouba um F355 Spider com o intuito de perseguir Sean Connery, este ao volante de um Humvee H1, pelas íngremes ruas de São Francisco.

 

Bad Boys II (2003)

 

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Sete anos depois, é Will Smith que se junta a Michael Bay e à sua paixão pela Ferrari. Enquanto que no primeiro filme da saga Smith conduz o Porsche 911 3.6 Turbo de 1994, propriedade do realizador, desta vez senta-se ao volante de um 550 Maranello. Embora nalgumas cenas o 550 seja, na verdade, um 575M, não falta acção, com destaque para a cena de perseguição em autoestrada: cerca de cinco minutos de boa condução, com o rugido do V12 captado com mestria, tal como aconteceu em The Rock.

 

Scent of a Woman (1992)

 

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Entre finais da década de 80 e inícios dos anos 90, o mal-amado Ferrari Mondial Cabriolet  apareceu em diversos filmes, entre os quais se destaca este, que valeu o Óscar para melhor actor a Al Pacino, o qual interpreta o papel de um invisual que, a certa altura, com o parceiro como guia no banco do passageiro se senta ao volante e protagoniza uma cena verdadeiramente “hollywoodesca”, conduzindo o Cavallino a alta velocidade pelas ruas de Brooklyn.

 

Goldeneye (1995)

 

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A estreia de Pierce Brosnan no papel de 007 tem início numa cena de condução ao longo de uma sinuosa estrada de montanha algures na Europa ao volante do mítico Aston Martin DB5, automóvel eternamente associado ao espião britânico. A certa altura, no retrovisor, surge uma misteriosa mulher ao volante de um F355 GTS vermelho, tão belo como a condutora. Embora, num cenário real, a máquina inglesa não tivesse grande hipótese numa corrida contra o puro-sangue italiano, ambos testam o seu limite monte abaixo, lado a lado, entre trocas de olhares e os usuais momentos de humor.

 

Le Mans (1971)

 

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Podem-se levantar algumas questões relativamente à (in)justiça de incluir na mesma lista Ferraris de produção e de competição. Contudo, alguns têm demasiada importância para serem excluídos, como é o caso do 512S de 1970, uma das estrelas do filme de culto de qualquer entusiasta dos carros – Le Mans. Muitas vezes lembrado pela relação forte com a Porsche, este filme não deixa a Ferrari para segundo plano, assistindo-se a uma verdadeira batalha entre o 512S vermelho e o Porsche 917 com o lendário esquema de cores da Gulf. Uma vez que o guião previa uma vitória da Porsche, a marca germânica cedeu alguns modelos para as filmagens, ao passo que os Ferraris foram emprestados por um coleccionador privado, dada a relutância da Ferrari em enviar os seus automóveis para uma predestinada derrota.

 

Rendezvous (1976)

 

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Nesta curta-metragem o Ferrari que permitiu a entrada nesta lista nem sequer chega a ser vislumbrado. Porque um Ferrari não se identifica apenas pelo design, sendo que o característico cantar do motor é, também, uma forma quase infalível de identificar um, este filme merece destaque pela fantástica banda sonora providenciada pelo V12 do 275 GTB do realizador Claude Lelouch, assim como pela velocidade e cenas de condução captadas a partir da câmara montada no para-choques frontal de um Mercedes 450 SEL 6.9 pelas ruas de Paris. Sim, apenas o som pertence a um Ferrari, mas vale a pena.

 

The Hidden (1987)

 

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O Ferrari 308 GTS será, provavelmente, o modelo da casa de Maranello com mais papéis em Hollywood, sendo este um dos mais obscuros. Nesta longa-metragem de ficção científica um ser extraterrestre apodera-se do corpo de humanos, tornando-os psicóticos e, curiosamente, amantes de Ferraris. Como não poderia deixar de ser, a cena de abertura está repleta de acção, com a primeira vítima a assaltar um banco, fugindo ao votante de um 308 GTS preto que será bastante maltratado até chocar contra uma barreira policial. Mais tarde, é a vez de um Mondial Cabriolet entrar em cena.

 

Against All Odds (1984)

 

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Alguns anos antes, outro Ferrari 308 preto seria o protagonista de uma das melhores cenas de perseguição do cinema, com o soberbo duplo Carey Loftin, de Bullitt e Vanishing Point, ao volante, num duelo com um 911 SC vermelho ao longo da Sunset Boulevard e Bel Air, na cidade de Los Angeles. Sem quaisquer efeitos especiais, apenas a velocidade e a perícia dos condutores nos proporcionam estes fantásticos momentos de acção.

 

The Gumball Rally (1976)

 

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Uma corrida através dos Estados Unidos, desde Nova Iorque até Los Angeles, serve de guião a este filme de comédia onde os “personagens” principais são um Ferrari 365 GTS/4 de 1972 e um Shelby Cobra 427 de 1966 que nos proporcionam momentos de acção verdadeiramente espectaculares, começando pelo ecoar dos motores, de madrugada, nos sólidos arranha-céus da cidade que nunca dorme, e que se prolongam por mais de 4800 quilómetros. A realização merece destaque pela pureza das filmagens, com máquinas reais rolando a velocidade real, ruídos captados na perfeição e os grandes planos dos manómetros, com os ponteiros levados quase ao limite. Tanto o Ferrari como o Shelby ainda existem. O primeiro, chassis nº 14829 e um de apenas 121 produzidos, pode ser visto no Petersen Automotive Museum em Los Angeles, ainda que equipado com jantes diferentes das que se podem ser vistas no filme, sendo que o Cobra (CSX3243) pertence agora a uma colecção privada, tendo sido, entretanto, sujeito a um processo de restauro.

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