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Escritor Mia Couto diz que justiça moçambicana está desacreditada

Logótipo de LusaLusa 11/07/2018 Paulo Machicane
ALEJANDRO GARCIA/EFE © EPA / ALEJANDRO GARCIA ALEJANDRO GARCIA/EFE

Maputo, 11 jul (Lusa) - O escritor moçambicano Mia Couto considerou hoje que o sistema judicial do país não goza de credibilidade, assinalando que impera a impunidade para os poderosos envolvidos com o crime e prevalece a insegurança no seio de cidadãos honestos.

Mia Couto debruçou-se sobre a justiça no país, como principal orador da palestra "Um olhar sobre a justiça", organizada pela Associação Moçambicana dos Magistrados Judiciais (AMMJ).

"A perceção que se tem é que a opinião pública pensa que a justiça não tem credibilidade, perdeu a fé da sociedade", declarou Mia Couto.

Recorrendo à sua experiência de biólogo ligado a questões ambientais, o escritor enumerou vários casos de crimes contra recursos naturais para apontar a impotência da justiça face aos autores desses delitos.

"Parece que há uma luz verde para as forças invisíveis envolvidas nesses crimes e uma luz vermelha contra os que tentam travar esses atropelos", assinalou.

Relatos de envolvimento de moçambicanos no tráfico de cornos de rinocerontes e de pontas de marfim acabam com a detenção de pessoas sem poder e com a impunidade de pessoas com influência nas estruturas do Estado.

"O que eram riquezas dos moçambicanos já não é nosso, os rinocerontes já foram todos abatidos, sem que nada acontecesse para os autores desses crimes", considerou o escritor.

Mia Couto assinalou que os avanços que Moçambique tem registado ao nível dos serviços sociais básicos são menorizados, porque a maioria da população continua a sentir-se desprotegida devido à impotência das instituições judiciais.

Sem uma justiça atuante, continuou, a maioria da população vive com um sentimento de orfandade.

Apesar da sua preocupação com o estado da justiça no país, o escritor defendeu que existem profissionais sérios e íntegros no setor.

"É um erro e uma injustiça pensa que todos os profissionais da justiça são corruptos", defendeu Mia Couto.

PMA // EL

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