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Orbánização: pode a Hungria influenciar o resto da União?

Com as eleições europeias ao virar da esquina teme-se a "Orbánização" da Europa: a influência que o Primeiro-ministro húngaro pode ter no resto na União Europeia. Mas é dentro da Hungria que surgem também novas forças políticas que querem contrariar o legado de Orbán. Cercas na fronteira, redução da liberdade de imprensa, mudanças constitucionais que põem em causa a liberdade de justiça ou a paridade na política: as consequências da liderança de Viktor Orbán na Hungria são já conhecidas pela Europa fora. Mas as sondagens para as eleições europeias, a menos de uma semana de distância, sugerem um crescimento alargado de forças políticas de extrema-direita na União Europeia. Projeta-se mesmo a conquista de um terço do Parlamento Europeu. Ainda assim, é de dentro da Hungria que surgem também movimentos e associações cujo objetivo é contrariar a tendência de Orbán. É o que propõe a Hungarian Europe Society, um grupo de pensadores europeístas que conta já com 20 anos de existência e que segue com atenção o crescimento das forças extremistas de direita. Istvan Hegedus, fundador do grupo, prevê "uma escalada". Orbán é "um dos ideólogos das forças políticas populistas, eurocépticas e de direita. Na verdade, é o herói delas." Mas quanto ao futuro da União depois das eleições, Hegedus deixa uma nota de esperança. Admite que os novos partidos eleitos se podem unir em causas específicas, como a imigração ou o futuro da Europa, mas que "o funcionamento das instituições europeias não está em perigo e que o Parlamento Europeu terá uma maioria relativamente segura de forças políticas democráticas e pró-europeias". Mesmo dentro da Hungria, e apesar do Fidesz controlar dois terços do parlamento nacional e liderar as sondagens europeias, novas formações políticas emergem. É o caso do "Momentum", o partido de oposição mais recente. Começou como um movimento da sociedade civil, contra a proposta de Viktor Orbán de receber em Budapeste os Jogos Olímpicos de 2024. "Sentimos que essa decisão tinha sido tomada sem consultar o povo", explica Daniel Berg, membro do partido. Na altura, conseguiram reunir 250 mil assinaturas em apenas um mês. Para Daniel, "um grande sucesso" e "a primeira vitória sobre Viktor Orbán em muito tempo, porque ele retirou a proposta". O Momentum é agora candidato ao Parlamento Europeu e espera eleger uma ou duas eurodeputadas. "Temos duas cabeças-de-lista muito competentes, duas jovens mulheres: uma médica e uma socióloga". Definidos na imprensa como um "partido hipster", o Momentum fala, sobretudo, a um eleitorado jovem, urbano, com acesso ao ensino universitário. O oposto da base de apoio do Fidesz.
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