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Rafael Marques ressalva “abertura” e “frontalidade” de Lourenço

Logótipo de RFIRFI 05/12/2018 Cristiana Soares
© AMPE ROGÉRIO/LUSA

Rafael Marques foi hoje recebido por João Lourenço. Activista e Presidente falaram de corrupção, repatriamento de capitais, direitos humanos e economia. No fim do encontro, Rafael Marques ressalvou a “abertura” e “frontalidade” do chefe de Estado.

Confira aqui as declarações aos jornalista activista angolano à saída do Palácio Presidencial

"Gostaria de agradecer ao Sr. Presidente a bela iniciativa. É importante que o diálogo com a sociedade civil e com outras forças da sociedade seja estimulado. O encontro correu muito bem. Começamos por falar da situação das Zungueiras e de como as autoridades provinciais estão a reagir, no sentido de garantir que se encontre uma solução para o problema.

Também falamos, obviamente, sobre corrupção. É importante o contributo da sociedade no sentido da moralização, não só das instituições públicas, mas dos próprios cidadãos, de modo a que encontremos soluções para que a corrupção deixe de ser este cancro que corrói a sociedade e delapida os recursos que deveriam ser investidos na educação e na saúde.

Como encara desafio do combate à corrupção traçado pelo executivo do Presidente João Lourenço?

É importante que todos os cidadãos participem na construção de uma nova sociedade. Não é apenas tarefa do Presidente ou tarefa de alguns jornalistas ou investigadores. Toda a sociedade deve contribuir para que, efectivamente, possamos viver com regras, de forma moralizadora, com integridade.

É importante da parte do executivo esforços no sentido de criar uma economia que gere mais empregos, para que as pessoas tenham oportunidade de através dos seus salários sustentar as famílias de forma condigna.

É um processo em que todos nós nos devemos envolver. É preciso que o exercício da cidadania seja constante e diário. O país é de todos nós e todos nós devemos fazer a nossa parte. Não devemos esperar que as decisões sejam exclusivamente ou do Presidente ou do executivo, porque enquanto cidadãos podemos fazer melhor.

Recebeu a garantia da criação de um canal para fazer chegar ao Presidente alguma preocupação em relação a esses casos?

Não é preciso essa garantia. O facto de estar aqui significa que há abertura por parte do Sr. Presidente da República para que os cidadãos possam expor as suas preocupações.

Como é que encara este novo e inédito momento?

Com bastante esperança. Cabe a todos nós, enquanto cidadãos, trabalharmos para o bem da nossa pátria. Este é o esforço que devemos fazer e, por isso, é que num breve momento conseguimos falar de como a economia é fundamental, para que possamos falar em reformas educativas, saúde. Mas tem que se gerar empregos para que as pessoas possam ter salários condignos, mais cidadãos inseridos no mercado de trabalho. Só dessa forma poderão contribuir para o sustento condigno das suas famílias.

Ficou marcado novo encontro?

Penso que havendo necessidade quer da parte do Presidente, quer da minha não haverá qualquer obstáculo, se houver caso disso.

Nesta nova governação a situação dos direitos humanos melhorou?

Temos todos de contribuir. Sobre direitos humanos penso que há bastante atenção do Presidente da República e do seu executivo para que haja melhorias. É necessário que não façamos depender as políticas do Estado apenas da vontade do presidente. Cada um de nós tem de fazer a sua parte.

Que leitura faz da governação do Presidente nesses últimos meses?

Há uma grande mudança em relação ao executivo anterior, mas todos nós sabemos que a situação económica não é boa e os cidadãos estão a sofrer com isso.

Que soluções podemos encontrar, de forma célere, para que efectivamente todas essas mudanças ao nível da mentalidade nas instituições do Estado e essa agenda do Presidente seja bem-sucedida?

É necessário que as pessoas tenham o que comer para que efectivamente possam celebrar a democracia.

Foi designado pelo Presidente de República como activista político. Que prioridades para 2019 do ponto de vista político?

Não sou activista político. Sou jornalista de investigação, defensor dos direitos humanos. Não faço política.

Todos os cidadãos devem contribuir, porque todos nós conhecemos casos de corrupção, nas escolas, nos hospitais, em todos os sectores.

A corrupção não é só feita por altas entidades públicas, há corrupção diária na nossa sociedade. Há pequena corrupção que é prejudicial.

Como vamos moralizar a sociedade deve ser a nossa maior preocupação, de modo a que nós saibamos assumir a responsabilidade enquanto cidadãos, de fazermos melhor pelo nosso país.

A ‘Operação Resgate’ é um meio para se atingir essa mudança de comportamento?

Todos nós temos reservas sobre a Operação Resgate pela forma como está a ser conduzida. Isso é líquido. É necessário que as medidas coercivas, sobretudo as que afectam as camadas mais desfavorecidas, sejam acompanhadas de acompanhadas de medidas, de soluções, de alternativas, para que as pessoas que não têm outra forma de subsistência possam ser inseridas no mercado de trabalho, ou se possam criar mercados alternativos com condições higiénicas. É preciso que passe a haver alguma sensibilização por parte das autoridades no sentido de garantir a questão da higiene alimentar e a questão do lixo.

O que lhe disse o Presidente sobre a forma como as Zungueiras estão a ser tratadas?

O Sr. Presidente falou-me de como a Comissão Administrativa de Luanda está a tentar lidar com a situação e a reunir com as zungueiras e outras pessoas interessadas no sentido de se encontrar uma alternativa. Falou inclusive no caso das zungueiras que perderam as suas mercadorias, de como eventualmente serão ressarcidas por parte da Comissão Administrativa.

O fundamental aqui é reconhecer que o Presidente tem essa frontalidade de falar directamente e, também, quando as situações são erradas de tomar nota e tentar corrigi-las.

Repatriamento de capitais, também esteve em cima da mesa?

Também falamos de repatriamento de capitais. Todos nós sabemos que muitos dos fundos estão fora de Angola e são poucos os que têm conhecimento sobre o destino dados a esses fundos.

Por exemplo, Portugal já disse que se tivesse de fazer esse repatriamento isso pesaria na economia portuguesa. Nós, como angolanos, temos de pensar assim: o que equilibrará a nossa economia? Se o nosso dinheiro, que saiu daqui para outro país não pode regressar, que outras medidas poderão ser encontradas no sentido de garantir que se estanque esses níveis de corrupção e que haja, da parte da comunidade internacional, o entendimento dos anos de saque de Angola chegaram ao fim? Esses países devem agora contribuir para que Angola seja um país mais bem gerido e os recursos angolanos sejam, em primeiro lugar, para beneficiar os cidadãos angolanos.

Em relação às investigações de combate à corrupção, apresentou casos concretos ao Presidente da República?

Falamos de uma forma genérica. Os casos de corrupção, o Presidente disse-o claramente, devem ser remetidos à Procuradoria-Geral da República, que é a instituição vocacionada para o efeito. Tenho feito isso. Espero que com este incentivo possamos com as nossas investigações enviar mais casos à Procuradoria-Geral da República.

O mal-entendido de ontem ficou ultrapassado?

Ultrapassado. O Presidente lamentou o incidente e foi um gesto nobre. Está resolvido. Está ultrapassado.

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