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A conversa que marcou o dia em Espanha. “Temos que falar”, disse independentista catalão a Pedro Sánchez

Logótipo de Expresso Expresso 21/05/2019 João Pedro Barros

Sessão de Constituição das Cortes foi marcada pela polémica, devido à presença de quatro independentistas catalães que estão detidos e à oposição de direita aos partidos que defendem a soberania da região. Vox marcou terreno e ocupou os lugares no hemiciclo tradicionalmente associados aos socialistas

O momento em que o primeiro-ministro Pedro Sánchez, sentado no seu lugar no Congresso, cumprimenta o independentista catalão Oriol Junqueras, na Constituição das Cortes © Ballesteros O momento em que o primeiro-ministro Pedro Sánchez, sentado no seu lugar no Congresso, cumprimenta o independentista catalão Oriol Junqueras, na Constituição das Cortes

Foram apenas 23 segundos de conversa, mas o suficiente para dar origem a horas de discussão. Esta terça-feira, na sessão de Constituição das Cortes espanholas para a 13.ª legislatura, resultante das eleições de 28 de abril, Pedro Sánchez (primeiro-ministro em gestão e líder do PSOE, partido vencedor), troca breves palavras com Oriol Junqueras, antigo vice-presidente do Governo catalão, que está em prisão preventiva há mais de ano e meio devido à tentativa de independência de 2017.

A meio da sessão, os dois cruzam-se e Sánchez pergunta a Junqueras: “Como estás?”. A resposta foi “Temos que falar”. Cumprimentam-se. De acordo com o PP, adversário de centro-direita do PSOE, Sánchez diz depois "não te preocupes". Foi o suficiente para Pablo Casado, líder do PP, acusar Sánchez de "condescendência" para com os independentistas e exigir "transparência" na relação entre o PSOE e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), partido de Junqueras.

Porém, fontes do Governo espanhol explicaram ao “El País” que o que Junqueras pergunta é se Sánchez não se sente incomodado com o seu cumprimento no hemiciclo. Terá sido nesse contexto que foi dada a resposta "não te preocupes". Ao PP, que tem defendido uma postura dura face aos independentistas, interessa fazer uma interpretação extensiva das palavras e o número dois do partido, Teodoro García Egea, escreveu no Twitter que votar no PSOE nas eleições europeias é “dizer à ERC para 'não se preocupar'”. “A única coisa que preocupa Junqueras e os acusados de golpistas é um voto no PP”, concluiu.

Pateada aos deputados pró-independência catalã

A Constituição das Cortes já teria sido polémica sem esta conversa, desde logo pelo facto de quatro independentistas que estão presos e a ser julgados no Supremo Tribunal terem sido eleitos e autorizados a comparecer para jurar cumprir a Constituição espanhola. Sempre que os deputados da ERC e do Junts per Catalunya o faziam, em catalão, os homólogos do Cidadãos (centro-direita) e Vox (extrema-direita) faziam barulho com os pés e as mãos nas mesas ou protestando mesmo verbalmente.

Estes quatro deputados presos devem agora ser suspensos, de acordo com as regras parlamentares, ficando sem os respetivos direitos e salário, mas o Congresso (câmara baixa) terá de ratificar a decisão. Os deputados do PP respeitaram o juramento dos partidos independentistas, mas, em declarações aos jornalistas, Casado manifestou-se contra a sua presença: “Acho que é indigno para o povo espanhol que os que tentaram fazer um golpe de estado se sentem no parlamento e cobrem dinheiro público a todos os espanhóis”.

A legislatura será certamente tensa e Pedro Sánchez ainda tem de conseguir os acordos necessários para garantir a investidura. Só para dar mais um exemplo, na votação para a presidência do Congresso – conquistada pela socialista Meritxell Batet – os quinze deputados da ERC escreveram “llibertad” (“liberdade” em catalão) no boletim de voto, tornando-o nulo.

O outro facto político relevante desta terça-feira foi a estreia dos deputados do Vox, a primeira força de extrema-direita com representação parlamentar (24 deputados) desde 1982. O partido liderado por Santiago Abascal quis fazer-se notar e madrugou: às 8h30 locais (mais uma hora do que em Portugal continental) já estavam no hemiciclo, para ocupar os lugares habitualmente utilizados pelo PSOE, à esquerda da presidência da câmara. Abascal acabou por ficar sentado atrás de Pedro Sánchez, uma posição habitualmente utilizada pelo porta-voz dos socialistas.


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