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China pede a Trump para travar escalada com Pyongyang

Logótipo de Diário de Notícias Diário de Notícias 13/08/2017 Abel Coelho de Morais

O presidente chinês, Xi Jinping, manteve ontem uma conversa telefónica com Donald Trump sobre a crise com a Coreia do Norte, naquilo que foi descrito em Pequim e em Washington, ainda que por diferentes palavras, como uma tentativa de manter aberto "o caminho do diálogo, das negociações e de um acordo político", isto segundo as autoridades chinesas, e de o regime de Pyongyang pôr termo "à escalada do seu comportamento provocatório", segundo a Casa Branca. Na conversa entre os dois dirigentes, ainda segundo Pequim, Xi terá feito notar a importância de "todas as partes envolvidas exercerem o máximo de contenção" nas suas declarações.

A China é o principal aliado da Coreia do Norte e destino de mais de 90% do comércio externo desta, tendo votado favoravelmente as mais recentes sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovadas por unanimidade na passada semana. Estas penalizam a economia de Pyongyang num valor equivalente a um terço do valor total das suas exportações, mas Pequim tornou claro que não aceitaria o descalabro económico do regime norte-coreano nem as tentativas de Trump de ligar uma solução do problema ao défice comercial dos EUA com a China.

Num outro contacto telefónico, Trump falou com Emmanuel Macron, tendo os dois presidentes discutido a questão da Coreia do Norte. No comunicado sobre esta conversa, a Casa Branca indica que os "EUA e os seus aliados têm pronta uma séria de medidas diplomáticas, económicas e militares" para enfrentar a situação. Por seu lado, o Eliseu indicou que Macron deu conta da sua preocupação com "a crescente ameaça balística e nuclear" norte-coreana.

O contacto entre os presidentes da China e dos Estados Unidos não parece ter tido efeitos imediatos na tensão que continuava ontem bem patente nas declarações de Trump e do regime de Pyongyang, assim como nos desenvolvimentos verificados quer na Coreia do Sul quer no Japão. Neste último país, as forças armadas deslocaram baterias de mísseis antimíssil Patriot para as áreas - as prefeituras de Shimane, Hiroxima e Kochi - sobre as quais deverão passar os mísseis norte-coreanos apontados às águas em torno da ilha de Guam, a antecipar o anunciado disparo destes, que poderá suceder nos próximos dias.

Letreiro à entrada de uma estação de metro em Seul indicando a existência de um abrigo para emergências no interior. Sul-coreanos estão a adquirir refeições prontas e alimentos na expectativa de um conflito militar na península © Reuters Letreiro à entrada de uma estação de metro em Seul indicando a existência de um abrigo para emergências no interior. Sul-coreanos estão a adquirir refeições prontas e alimentos na expectativa de um conflito militar na península

Na Coreia do Sul, apesar de a presidência ter divulgado uma nota a saudar o contacto telefónico entre Xi e Trump, classificando-o como um "catalisador que conduza a presente situação para uma nova dimensão", foi confirmado o aumento do nível de prontidão das forças armadas e também a realização de manobras conjuntas com os EUA, que estão marcadas para a próxima semana. Na sua propaganda, Pyongyang define-as como uma provocação e um "ato de agressão".

Na semana ora terminada, Pequim e Moscovo apresentaram um plano prevendo precisamente uma moratória nos exercícios conjuntos da Coreia do Sul e dos EUA em troca da suspensão dos disparos de mísseis norte-coreanos. Nem Washington, nem Seul, nem Pyongyang aceitaram o plano.

Compra de alimentos

Outro sinal da tensão regional é que tem havido nos últimos dias uma corrida à compra de alimentos e refeições prontas em Seul e noutras cidades da Coreia do Sul. Sintoma de que os sul-coreanos estão na expectativa de se verem confrontados com situações de emergência. As autoridades de Seul anunciaram também a realização generalizada de exercícios de defesa e proteção civil para dia 23.

Ainda na Coreia do Sul, noutro plano, o dirigente da principal força da oposição, o Partido da Liberdade, Hong Joon-pyo, advogou ontem a recolocação no país de forças nucleares táticas dos EUA, isto é, obuses para artilharia e bombas para aviões. Entre os anos 1960 e o início dos anos 1990, algumas centenas destas armas encontravam-se presentes no território sul-coreano, como fator de dissuasão, tendo a sua retirada sido decidida em outubro de 1991 durante a presidência de George Bush, o pai de George W. Bush. O argumento na época é que, com a retirada destas armas, EUA, Coreia do Sul e Japão tinham um argumento suplementar para pressionar a Coreia do Norte a pôr fim ao seu programa nuclear. O que não veio a suceder.

No que respeita a declarações, na noite de sexta para sábado (hora portuguesa), Trump esteve ao telefone com o governador de Guam, Eddie Calvo, declarando posteriormente que os residentes na ilha podem "sentir-se absolutamente seguros" e se "alguma coisa suceder (...), a Coreia do Norte vai ter grandes, grandes problemas". O presidente americano afirmou ainda que se o regime de Pyongyang continuar a política de ameaças aos EUA e seus aliados, "vai lamentá-lo, e vai lamentá-lo muito rapidamente". O presidente americano comentou ainda considerar novas sanções, "muito fortes", à Coreia do Norte, sem detalhar se seriam unilaterais ou se passariam pela ONU.

A retórica de Pyongyang manteve o tom habitualmente incendiário e hiperbólico, com a agência oficial KCNA a divulgar um comunicado em que se lia estar a Coreia do Norte "preparada para travar qualquer guerra que os EUA queiram travar" e "pronta a incendiar o seu território", aguardando apenas "a ordem final" de Kim Jong-un.

Exemplo desta atmosfera de tensão, e também de receio, o The New York Times publicava na edição de sexta-feira um mapa com pormenores do alcance dos mísseis balísticos intercontinentais norte-coreanos, revelando que, pelo menos no plano teórico, estes cobrem agora praticamente todo o território europeu, incluindo Portugal continental, além dos EUA e do Médio Oriente.

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