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Quando olhamos a sério para as Bitcoins?

Logótipo de Expresso Expresso 12/02/2018 Diogo Agostinho

Já anteriormente abordei o tema, hoje volto à carga. Presentemente, as criptomoedas são uma realidade, ainda não totalmente consolidada. Em Portugal, nos Estados Unidos da América, onde quiserem. Hoje, a Bolsa perdeu o encanto. Hoje, o investimento em Bitcoins, para falar de um caso, é uma realidade ao alcance de todos.

Esta realidade precisa de ser encarada de frente. E Portugal? Como reage a estas criptomoedas? Queremos ser um país acolhedor para estas moedas? Queremos arriscar, dar um salto enorme na nossa economia e aceitar pagamentos via blockchain?

É que este sistema que é mantido pelo pelos vários computadores ligados à rede, apoiado em métodos de encriptação para funcionar e que está pensado para que nada, nem ninguém tenha o poder de alterar os registos, começa a ser um processo assente numa base fundamental para qualquer investidor: a confiança. E se, este sistema, conseguir consolidar-se e entrar nas opções do investidor conservador, então estamos a falar de uma nova economia nos meios de pagamento e de reserva de valor. De um novo modelo financeiro, de uma enorme revolução no sistema financeiro capitalista conforme o conhecemos.

Estamos a falar de um modelo disruptivo para o negócio da banca tradicional, para a valorização da Bolsa de Valores e de uma nova lógica no sistema de concessão de crédito, bem como de mudanças no sistema aduaneiro dos diferentes países, pelos impactos no comércio advindos das novas formas de pagamento e, via blockchain, de gestão das cadeias logísticas.

O que estamos a abalar com estas criptomoedas, para lá de um conjunto de práticas dadas como imutáveis, é um sem fim de instituições e de regras por elas produzidas. E essa mudança abala a forma como nos governamos. Este debate não é um mero tema lateral ou acessório. Este debate é, de facto, um tema central. Como nos podemos adaptar a estas mudanças tão rápidas? Com mais ou menos quedas no valor das moedas digitais, os mercados são assim mesmo, não podemos olhar para este fenómeno como um entretenimento, ou um mero esquema em pirâmide. Temos de ter em mente que este é um movimento recente no qual a maturidade e a fixação de regras ainda está a ser feito, por isso é importante perceber do começo as implicações, para que não seja perdida a possibilidade de participar e influenciar algo que poderá vir a definir muito daquilo que virá a ser a vida económica e financeira, daqui a poucas dezenas de anos, com os óbvios impactos na vida dos cidadãos e dos Estados. Aqueles que entrarem ao começo poderão necessariamente recolher frutos mais depressa e em maior abundância do que os que ficarem para o fim e apenas reagirem à mudança, sem procurar moldá-la.

O mundo está em forte mudança. O mundo está hoje, cada vez mais digital. O Facebook, para dar apenas um exemplo, é hoje uma mudança social brutal na forma como nos relacionamos, na forma até como se organizam as empresas para captar os seus potenciais clientes. O peso, hoje, das redes sociais é brutal na escolha de um produto, que um consumidor queira adquirir. Esta mudança de paradigma, esta economia 4.0, necessita, com urgência, de uma União Europeia 4.0, de sistemas políticos 4.0, como disse e bem o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa no Encontro da COTEC Europa. As mudanças da sociedade civil, independentemente do sector do qual nascem, precisam de ser acompanhadas pelas instituições que devem regular e acompanhar o funcionamento da vida em sociedade, pois todos sabemos que sem regras não existe civilização.

As discussões estéreis, dos Partidos e Parlamentos, estão ultrapassadas. Acordemos e discutamos seriamente as novas realidades.

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