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Trump imerge mercados emergentes

Logótipo de ExpressoExpresso 11/09/2018 Paulo Barradas

Os mercados emergentes representam mais de metade do produto mundial bruto (PIB mundial) e têm sido historicamente o motor do crescimento económico global. Mas nunca estiveram tão endividados como agora, de acordo com o FMI. Nem nunca os investidores em mercados emergentes foram tão pouco remunerados pelo seu risco, por investirem nesses mercados.

Após vários anos a inundar os mercados emergentes com dinheiro fácil do FED através do seu programa de Quantitative Easing (QE), o banco central dos EUA parece agora ignorar os efeitos colaterais da retirada dos estímulos financeiros da sua política monetária nas debilitadas economias emergentes.

A política orçamental de Trump para reduzir impostos e aumentar a despesa pública, numa altura em que a economia americana está próxima do pleno emprego, está a obrigar o FED a ser mais ambicioso na retirada dos estímulos do QE, fortalecendo o dólar.

A combinação de taxas de juro mais altas nos EUA com a valorização do dólar está a causar uma reversão abrupta nos fluxos de capitais para os mercados emergentes, podendo provocar crises de financiamento em economias mais dependentes de investimento externo.

Durante muitos anos, num cenário de baixas taxas de juro e volatilidade nos mercados desenvolvidos, os gestores de ativos procuraram e encontraram maiores rentabilidades nos mercados emergentes em crescimento.

Apesar das reduzidas percentagens alocadas ao investimento em mercados emergentes dos grandes fundos, os montantes de investimento externo representam tipicamente uma elevada percentagem do pequeno e ilíquido mercado de capitais das economias emergentes.

O investimento em mercados emergentes é assim uma forma de diversificação do portfolio de cada gestor de ativos individual. Mas quando muitos gestores de ativos fazem o mesmo, obtém-se o efeito de “multidão” e de “manada” nas decisões de investimento.

Adicionalmente, muitas vezes os gestores de ativos utilizam o mesmo tipo de benchmarks dos mercados emergentes devido a falta de transparência e de informação sobre esses mercados, aumentando a correlação entre portfolios e diminuindo o efeito esperado de diversificação.

Assim, qualquer sobressalto nos mercados ou até mesmo as simples realocações dos portfolios podem provocar desequilíbrios e precipitar movimentos de saída de investidores, amplificando os choques nos mercados.

A comunidade financeira internacional necessita fazer mais e melhor na proteção contra o efeito de contágio nos mercados financeiros. Uma melhor análise e ponderação de risco baseada em informação mais transparente e acessível, são indispensáveis para uma melhor tomada de decisão de investimento, considerando que existem outros com o mesmo nível de informação e que farão exatamente o mesmo. Como acontece nos mercados desenvolvidos.

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