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O Ouro depois do cancro: Mentel-Spee sobe ao pódio após nove meses de tratamento e duas operações

Logótipo de SIC NotíciasSIC Notícias 13/03/2018 Manuela Vicêncio

Contra todas as expectativas, Bibian Mentel-Spee voltou a conquistar o ouro nos Jogos Paralímpicos de PyeongChang, na Coreia do Sul, depois de mais um ano dedicado a vencer o cancro. 2017 foi mais um ano de luta para a atleta paralímpica holandesa enfrentou o diagnóstico mais pesado pela 9ª vez.

Em julho de 2017, Bibian Mentel-Spee voltou a ser diagnosticada com um cancro pela 9ª vez. Voltou apenas sete meses depois de ganhar o ouro duplo nos Campeonatos Mundiais.

Com vestígios da doença no pescoço, esófago e costelas a atleta holandesa chegou a temer pela participação nas olimpíadas. Esperava que o tratamento terminasse em outubro, para ter tempo para se preparar para os Jogos de Pyeongchang, mas em dezembro os médicos alertaram-na para a necessidade de uma operação urgente para reparar os danos na coluna vertebral deixado pelo cancro.

"Descobri que minha vértebra C6 tinha 40% de cancro. Tinha cerca de 48 tratamentos de radiação para fazer durante o verão de 2017", disse Bibian Mentel-Spee à BBC Sport.

Foi operada pouco antes do Natal e a 3 de janeiro voltou à sala de operações. Menos de três meses depois estava a subir à montanha e a conquistar a medalha de ouro em snowboard adaptado, na prova de LL2 para atletas com amputações do joelho ou deficiências semelhantes.

"Eu tinha mais motivos para ficar sentada no sofá, com tudo o que aconteceu nos últimos dois anos, mas a melhor maneira de tratar meu corpo e de recuperar de todas as cirurgias, radioterapia e quimioterapia é fortalecer o meu organismo e garantir que meu sistema imunológico está o mais forte possível. Faço isso praticando desporto".

A resposta de Bibian Mentel-Spee diz tudo sobre o pesadelo que viveu nos últimos anos com 9 reincidência de cancro e inúmeros tratamentos de radioterapia e quimioterapia, para além da amputação da perna.

A medalha não podia ser mais sofrida e ganha com sangue suor e lágrimas.

Mentel-Spee venceu não só a prova, como a compatriota Lisa Bunschoten, que sofreu um corte profundo no rosto quando ambas as atletas caíram na pista, na última prova de snowboard cross feminino, que lhes valeu os dois melhores lugares no pódio: medalha de Ouro e Prata em Pyeongchang.

A guerra de Mentel-Spee começou em 2002 quando os médicos encontraram o primeiro tumor no tornozelo que a impediu de seguir para os Jogos olímpicos de Salt Lake City.

Foi-lhe amputada a perna abaixo do joelho, mas quatro meses depois estava de volta ao snowboard.

Em 2014, nos jogos de Sochi fez história ao vencer o outro na primeira vez que esta prova foi incluída nos Jogos Olímpicos de inverno.

Hoje é exemplo para a modalidade e para o desporto. No palmarés conta com quatro títulos mundiais em dois campeonatos de 2015 e 2017, mas o ouro conquistado esta semana na Coreia do Sul.

O Ouro depois do cancro: Mentel-Spee sobe ao pódio após nove meses de tratamento e duas operações © Ng Han Guan O Ouro depois do cancro: Mentel-Spee sobe ao pódio após nove meses de tratamento e duas operações

"É tão incrível como venci o Ouro. Sinto-me mal por ter sido contra a Lisa, mas estou feliz por ter ganho."

"E é incrível ver até onde chegou o desporto", foram as palavras da atleta holandesa depois de conquistar o Ouro.

Uma lição não só para o desporto, como para a vida.

O melhor exemplo dos valores dos Olímpicos: de heroísmo, superação e sacrifício.


Veja também: Há um forte histórico ao abandono em Cascais

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