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Incêndios voltam a bater recorde e Portugal pede ajuda à Europa

Logótipo de Diário de Notícias Diário de Notícias 12/08/2017 Filipa Ambrósio de Sousa

Dia após dia, Portugal tem batido recordes pelos piores motivos. Este sábado foram registadas 226 ocorrências, o maior número de incêndios do ano num só dia - mais seis do que na sexta-feira. Só em três horas, entre as 15.00 e as 18.00, Portugal tinha 70 fogos ativos. A situação em Coimbra, Miranda do Corvo e Cantanhede foi mesmo considerada grave e com potencial de catástrofe, o que obrigou à ativação dos planos de emergência de proteção civil, que define o modo de atuação dos vários organismos, serviços e estruturas a empenhar em operações de proteção.

A imagem do país a arder levou a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, ao comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, para se "inteirar do ponto da situação dos incêndios a nível nacional, anunciando de seguida que Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. A ministra, que espera apoios de outros países já a partir de hoje para ajudar no combate aos incêndios, explicou a decisão por "uma questão de prudência", tendo em conta as previsões meteorológicas para os próximos dias.

O apoio que chegar de fora irá juntar-se às largas dezenas de bombeiros que estão no terreno de norte a sul do país, aos 600 militares do Exército e aos cem da Marinha que foram este sábado enviados para combater os incêndios mais preocupantes: nos concelhos de Coimbra, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Ferreira do Zêzere e Tomar.

70 incêndios em três horas

No segundo briefing do dia, feito pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, a adjunta nacional de operações, Patrícia Gaspar, explicou que "depois de uma manhã mais tranquila", na tarde deste sábado surgiram 25 incêndios entre as 15.00 e as 16.00, outros 25 entre as 16.00 e as 17.00 e mais 23 entre as 17.00 e as 18.00. Às 19.00 estavam ainda ativos 31 incêndios florestais (mas contabilizando os em fase de conclusão, àquela hora havia 108 ocorrências).

Com novos incêndios e vários reacendimentos (Mealhada, Cantanhede, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere), Patrícia Gaspar revelou haver aldeias e pequenos povoados em vias de ser evacuados. A responsável não deu conta de casas que tenham ardido, mas falou de algumas em perigo nas zonas de Santarém, Ferreira do Zêzere e Cantanhede.

O sistema de comunicações de emergência, o SIRESP, registou "falhas pontuais", mas sem afetar as operações, concluiu.

© Fernando Fontes / Global Imagens

António Costa critica PT

E as falhas do SIRESP foram assunto na edição do Expresso. O primeiro-ministro, António Costa, responsabilizou a Portugal Telecom (PT ) pelas falhas de comunicação nos incêndios de Pedrógão Grande, que vitimaram 64 pessoas. A acusação surge numa antevisão de uma entrevista - que será publicada na íntegra na próxima edição - em que o chefe do executivo pressiona a empresa a melhorar a sua rede em áreas potenciais de incêndio, substituindo os cabos aéreos por cabos subterrâneos nas estradas. O DN tentou obter uma reação junto de fonte oficial da PT, que preferiu não fazer qualquer comentário. "É inadmissível que as redes de comunicações junto as estradas nacionais que já têm calhas técnicas não estejam enterradas e continuem com os cabos aéreos", disse Costa.

O primeiro-ministro remeteu as suas declarações para as conclusões do relatório preliminar do Instituto de Telecomunicações, divulgado nesta semana. "O que falhou foi que grande parte daquela rede [de emergência, do SIRESP] assenta na rede fixa da PT que assenta em cabos aéreos que, obviamente, numa zona florestal que está a arder ardem. E, portanto, colapsam as comunicações", disse António Costa, que rejeita qualquer intenção em rasgar o contrato com o SIRESP ou mesmo nacionalizar esse mesmo sistema.

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