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Tiago vai caçar planetas

Logótipo de Expresso Expresso 13/04/2018 Marta Gonçalves

Missão da Nasa vai procurar novos planetas. Tiago Campana, português de 37 anos, é um dos caçadores. E nem vai ter de ir lá acima

Tiago vai caçar planetas © NASA Tiago vai caçar planetas

Existem milhares de planetas mas Tiago Campana quer descobrir mais. E muito provavelmente vai conseguir. “Acho que será revolucionário.” O investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço faz parte da “pequena equipa de portugueses” que participa na TESS, uma missão da NASA cujo principal objetivo é encontrar planetas que orbitam nas estrelas mais brilhantes perto do sol – são cerca de 200 mil. O satélite é lançado segunda-feira e, então, Tiago vai caçar planetas.

“É literalmente ir à caça de planetas, só que não vamos lá acima. É à distância.” Tiago tem 37 anos e esta não é primeira vez que colabora com a NASA – a agência espacial norte-americana. Foi em 2012, quando estava a terminar o doutoramento e esteve envolvido na missão da sonda espacial Kleper, que identificou mais de dois mil exoplanetas, ou seja, que orbitam em torno de estrelas que não o sol. “A ideia primária é a deteção de planetas extra-solares, basicamente um rastreiodos planetas em torno das estrelas mais brilhantes.Vão ser dois anos em que o satélite vai observar 90% do céu.”

No entanto, esta é a primeira vez que Tiago participa na fase pré-lançamento, na preparação da missão, fazer previsões e definir quais os requisitos técnicos para a levar a concretizar. Até agora, tinha-se envolvido em fases posteriores, de análises de dados. “Desta vez é completamente diferente. Sinto o satélite como parte de mim, porque fiz todo o trabalho antes, estamos nisto há cerca três anos”. O TESS, Transiting Exoplanet Survey Satellite (em português, Satélite de Rastreio de Exoplanetas em Trânsito), vai começar a sua missão na segunda-feira. Quando em Portugal foram 23h32 de segunda-feira, o satélite será lançado para o espaço a bordo do foguetão Falcon 9, da SpaceX (a empresa de Elon Musk). Mas Tiago não estará na Florida para ver.

“Vou acompanhar online, o site da NASA vai transmitir. Vai ser lançado com todos aqueles ingredientes a que estamos habituados. Depois, o satélite vai ser colocado em órbita ao longo de várias semanas.”

Está tudo preparado para acontecer na segunda-feira. Se não for possível, a segunda janela de oportunidade está agendada para terça-feira. “Em principio vai ser lançado na próxima semana.”

Uma volta à Terra em 13 dias

O Tess demora 13 dias a completar uma órbita terrestre. E ao longo dos próximos dois anos, em que estará a pairar a milhares de quilómetro sob as nossas cabeças, vai dar qualquer coisa como 56 voltas à Terra. E é no meio de tanta volta que deve identificar os exoplanetas. Mas como?

“Quando um planeta passa entre o observador [que é o satélite] e a estrela, há uma ligeira redução do brilho da estrela, porque fica tapada. Como recebemos a indicação do brilho da estrela, conseguimos detetar quando há essa ligeira redução. Chamamos a isto o método de trânsito”, explica o investigador.

Os primeiros resultados só devem chegar “lá para dezembro ou janeiro do próximo ano”. A equipa de portugueses vai analisar os dados, que de imediato vãos ser públicos, e a partir daí identificar os planetas extra-solares e caracterizá-los através da asterossismologia – o estudo da oscilação da estrela.

Conhecer a oscilação das estrelas é um dos objetivos secundários da TESS, porque é possível conhecer uma série de informações sobre a estrela, como por exemplo o diâmetro, a massa ou a idade. “Ao conseguirmos conhecer a estrela conseguimos caracterizar o planeta. Por exemplo, só conseguimos perceber o tamanho do planeta em relação à estrela, por isso mesmo é essencial saber qual o tamanho absoluto da estrela para determinar o tamanho absoluto do planeta.”

Esta é uma fase pós-lançamento do satélite, de exploração científica e, apesar de grande parte do trabalho da NASA se centrar sobretudo nos Estados Unidos da América, parte da análise dos dados vai passar por cá, pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

É um privilégio trabalhar com as equipas da NASA. A comunidade de astronomia em Portugal é muito jovem e dinâmica. Grande parte foi para fora e regressou com muitos bons hábitos. Portugal precisa de participar mais nestes consórcios.”


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