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As cobras podem estar na origem do coronavírus? Investigadores chineses dizem que sim

Logótipo de Expresso Expresso 24/01/2020 Isabel Paulo

Investigadores de universidades chinesas revelam que a cobra é o hospedeiro mais provável do vírus 2019-nCoV, que terá sido transmitido num mercado chinês de venda de carne de animais exóticos em Wuhan, a cidade de 11 milhões de pessoas epicentro do surto que já infetou 881 pessoas e causou 26 mortos

Cobra chinesa, Naja atra © Martin Harvey/Getty Images Cobra chinesa, Naja atra

Um estudo publicado no Journal of Medical Virology aponta para duas espécies de cobras chinesas - a Bungarus multicinctus e Naja atra (conhecida por cobra chinesa) -, vendidas no mercado de Wuhan, como o mais provável agente transmissor do coronavírus - conhecido como 2019-nCoV - de animais para humanos.

A conclusão, ainda não fechada e controversa, foi avançada por investigadores das universidades de Pequim e Bioengenharia de Wuhan, a cidade onde surgiram os primeiros pacientes infetados, alguns dos quais trabalhadores no local de venda de carne de animais exóticos, como morcegos, sapos, ouriços, cobras e serpentes.

O surto que já levou as autoridades chinesas a alargar a quarentena a 20 cidades e 33 milhões de pessoas é apontado como tendo origem num vírus da mesma família da epidemia SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e MERS (Síndrome Respiratória do Médio Oriente), detetado inicialmente em morcegos e que terá sofrido uma mutação em cobras e serpentes.

A conclusão do estudo, ainda sem validação científica, foi avançada após terem sido efetuadas análises de sequência genéticas a mais de 200 genomas de coronarovírus em possíveis animais hospedeiros, posteriormente comparados com as amostras das pessoas infetadas.

As análises comprovaram que a sequência genética do vírus 2019-nCoV terá tido como agente transmissor original o morcego, antes de 'saltar' para cobras e destas para os seres humanos. Para os investigadores ainda é um mistério como o coronavírus se transmitiu de hospedeiros de sangue frio para os humanos, vírus que causa complicações respiratórias e pneumonias graves que podem levar à morte.

Segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDS), são raros os casos de coronavírus suscetíveis de serem transmitidos de animais para humanos, como agora acontece com o 2019-n-CoV. No estudo publicado esta quinta-feira, os investigadores descobriram que esta estirpe de vírus é uma mistura ou combinação de dois coronavírus - um que infeta morcegos, outro de origem desconhecida até agora, mas que depois dos genes de vários espécies de animais analisadas tudo aponta para as cobras como o agente modificador.

Investigadores não envolvidos no estudo em curso questionam, contudo, as conclusões dos docentes das universidades chinesas, garantindo Paulo Eduardo Paixão, virologista da Universidade de São Paulo, no Brasil, que “não existem evidências” científicas de que a cobra possa ser hospedeiro do vírus em causa.

A Organização Mundial da Saúde decidiu esta quinta-feira não avançar para já com a declaração de situação de emergência de saúde pública internacional.


Veja também: Luanda Leaks: novas relevações (SIC Notícias)

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