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Como o coronavírus da China está a infetar as bolsas e ameaça a economia mundial

Logótipo de ECO.PT ECO.PT 24/01/2020 Leonor Mateus Ferreira
© Fornecido por ECO - Economia Online © Swipe News, SA © Fornecido por ECO - Economia Online Um novo vírus detetado na China, que provoca graves pneumonias e já matou quase duas dezenas pessoas, está a causar preocupações não só de saúde, mas também financeiras. Após 2019 ter sido o melhor ano desde a crise para as bolsas e de o arranque de 2020 ter sido de fortes ganhos, o surto deitou por terra o sentimento positivo dos investidores. No entanto, a expectativa é que não tenha efeitos de longo prazo.

“O sentimento de risco leva a um desinvestimento e à queda das bolsas. E, neste caso, o risco é o de um aumento da taxa de mortalidade. Esse receio, se materializar-se numa epidemia, pode levar as pessoas a saírem menos à rua, evitarem os transportes públicos, não trabalharem, fecharem lojas, etc. estagnado a economia“, explicou André Pires, analista da corretora XTB.

A reação inicial nos mercados financeiros foi de medo, com as bolsas a caírem e os investidores a refugiarem-se na dívida. As bolsas mundiais caem desde o início da semana, com especial expressão para as praças chinês.

A exceção foi Wall Street, que recuperou na terça-feira (tendo mesmo renovado máximos), mas acabou por sucumbir novamente. O português PSI-20 acumula uma perda de 1,5% na semana, por exemplo.

Por outro lado, os investidores refugiaram-se em ativos como o ouro, que negoceia em máximos de sete anos, acima dos 1.565 dólares por onça. Também a dívida tem valorizado com a forte procura, que leva a uma quebra das yields. Na Alemanha, o juro das Bunds a dez anos caiu para -0,312%, o valor mais baixo desde 12 de dezembro. A yields dos mesmos títulos portugueses segue em 0,364%.

Sentimento negativo alastra a Lisboa

Turismo e luxo perdem, mas farmacêuticas ganham

Mas como é que uma doença tem esta capacidade? “Uma questão de saúde tem impacto nos mercados financeiros na medida que mexe essencialmente com o consumo e com a mobilidade das pessoas. Um surto à escala global afeta companhias aéreas, hotéis e restaurantes, comércio geral e comércio de luxo, afeta as empresas públicas e privadas por baixa dos trabalhadores, e, por consequência, afeta também os mercados”, apontou Nuno Caetano, analista da corretora Infinox.

Na China, produtos como viagens e companhias aéreas, comércio e artigos de luxo têm perdido tração por causa do vírus. Por outro lado, os grupos farmacêuticos e os fabricantes de máscaras estão em contra-corrente e têm tido boas performances.

“Uma questão de saúde poderá influenciar negativamente os mercados financeiros, se o nível de propagação do vírus reduzir os fluxos globais de circulação de pessoas e de mercadorias. Neste momento, estamos muito distantes de tal cenário acontecer“, diz Steven Santos, gestor do BiG – Banco de Investimento Global. “O vírus chegou a poucos países e várias autoridades e aeroportos estão já a implementar procedimentos preventivos que controlem a propagação“.

O coronavírus foi inicialmente detetado, no mês passado, em Wuhan, cidade do centro da China, um importante centro de transporte doméstico e internacional. O número de casos aumentou rapidamente, estando contabilizados atualmente 830 pessoas infetadas, segundo dados oficiais da Comissão Nacional de Saúde da China.

Pelo menos 26 pessoas morreram vítimas do vírus. Já foram detetados casos em Macau, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. A comparação com cenários semelhantes anteriores — como as gripes aviária e suína ou a síndrome respiratória aguda grave (SARS) — são inevitáveis.

Ano Novo Chinês aumenta situação de alerta

Está a ser particularmente preocupante pois estão, neste momento, a decorrer os festejos de passagem de ano chinês, e muitos chineses visitam a sua pátria por este período, aumentando o risco de disseminação pelo mundo quando retornarem de férias”, afirmou Pires, da XTB. O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que a prioridade das autoridades chinesas é conter o surto e salvar vidas, sendo que Pequim cancelou as celebrações do ano novo e três cidades foram colocadas em quarentena.

Por um lado, o gestor do BiG lembra que “no passado, os mercados financeiros relativizaram a ameaça de doenças globais (gripe suína, gripe das aves, etc.), não tendo impacto duradouro no sentimento de mercado“. Já Caetano, da Infinox, acrescenta que investidores experientes estão sempre preparados para situações adversas através de carteiras diversificadas e até aproveitando para ganhar com as perdas dos ativos ou com a alocação de maior capital em ativos-refúgio. “Há sempre forma de contornar e ultrapassar as situações de catástrofes naturais ou de conflitos armados”, diz.

Por outro, “num cenário hipotético mais catastrófico julgo que nunca se está suficientemente preparado”, refere o analista da XTB, apontando para um acentuar do efeito de estagnação dos mercados e eventuais conflitos por bens essenciais e matérias-primas.

Esta é a segunda situação de agravamento do risco em 2020, depois de os EUA terem ordenado o ataque que matou o comandante da força de elite iraniana Qasem Soleimani e de o Irão ter retaliado com o lançamento com vários mísseis terra-a-terra contra duas bases iraquianas, onde estavam instaladas as tropas norte-americanas.

Mas, nos dois casos, o pico de tensão recuou. “A apetência por risco é muito alta e diversos índices bolsistas estão colados a máximos históricos. A complacência dos investidores é grande neste momento, pelo que qualquer fenómeno inesperado, quer seja geopolítico ou de saúde, surpreenderia negativamente os investidores”, acrescentou Santos.

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