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Covid-19: o atleta de maratonas que deixou de subir escadas, cozinhar e conduzir

Logótipo de TVI24 TVI24 30/06/2020 Cláudia Évora
Covid-19: o atleta de maratonas que deixou de subir escadas, cozinhar e conduzir © TVI24 Covid-19: o atleta de maratonas que deixou de subir escadas, cozinhar e conduzir

Ahmad Ayyad passou de um atleta com quase 100 quilos, musculado e com uma força enorme, para um homem de 40 anos com um ar envelhecido e cansado. Porquê? Estava infetado com Covid-19.

Os primeiros sinais apontavam para uma forte fatiga. Ahmad tinha uma vida bastante ativa. Geria o próprio restaurante em Washington DC, nos Estados Unidos, ajudava no negócio de móveis da família, fazia maratonas, competia em corridas de obstáculos e ainda dava aulas de basquetebol e boxe.

No entanto, a certa altura não conseguia subir um vão de escada, cozinhar ou conduzir sem ficar com falta de ar e extremamente cansado. Depois, surgiram os espirros e a tosse compulsiva. Mais tarde, a febre alta, a falta de apetite e a dificuldade em respirar. 

Na altura, Ahmad não deu importância, porque pensou que não passava de um gripe. No dia 15 de março, um amigo, médico assistente, aconselhou-o a ir ao hospital e as suspeitas confirmaram-se: estava infetado com o novo coronavírus.

Com o quadro clínico a piorar constantemente, colocaram-lhe um ventilador e transferiram-no para o Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, onde foi colocado em coma induzido durante 25 dias. Uma decisão médica que tinha como objetivo salvar-lhe a vida.

Em entrevista à CNN, confessou que foi um processo "bastante emotivo".

Eu sabia que estava nisto completamente sozinho. Então liguei para um amigo meu para ir buscar o meu cão. E foi isto. Eu não sabia o que estava por vir. Eu não sabia se aquela seria a última vez que eu iria falar com eles. Eu não sabia se estava prestes a morrer".

 

Uma publicação partilhada por Ahmad Ayyad (@ahmadbird) a 13 de Mai, 2020 às 3:19 PDT

Não sabe ao certo quando ou onde pode ter sido infetado, mas uma semana antes de começar a apresentar sintomas, fez uma viagem de três dias à Flórida para visitar o irmão e desconfia que possa ter sido nessa altura.

Já passaram pouco mais de dois meses desde que teve alta hospitalar (22 de abril), mas o aumento da frequência cardíaca e a falta de fôlego ainda estão presentes em algumas atividades do dia a dia. 

Perdeu 27 kg e ficou com o coração e os pulmões mais fragilizados. No entanto, todos os dias treina e aos poucos tem vindo a recuperar a sua forma física. 

Depois daquilo que passou, Ahmad deixa um aviso: "As pessoas estão a agir como se o vírus tivesse desaparecido. Mas não desapareceu. Usa a tua máscara. Não te juntes em grupos grandes. Cuida de ti e das pessoas à tua volta"

Leva isto a sério. Isto não é uma brincadeira. Isto pode matar-te, mesmo que penses que és saudável e imune a isto. Não és", acrescentou. 

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