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Investigadora da Universidade do Minho premiada por substituto ósseo bioativo

Logótipo de RTP RTP há 6 dias Nuno Patrício - RTP
O corpo humano tem a capacidade de regeneração óssea quando existem sequelas ou fraturas, mas com o avançar da idade essa capacidade torna-se mais difícil e lenta. © Fornecido por RTP O corpo humano tem a capacidade de regeneração óssea quando existem sequelas ou fraturas, mas com o avançar da idade essa capacidade torna-se mais difícil e lenta.

O projeto está ainda em fase exploratória e com testes in vitro nos laboratórios do Centro de Microssistemas Eletromecânicos da UMinho (CMEMS), em Guimarães, mas já foi reconhecido e premiado no VI Concurso Pitch de Investigação do Grupo Compostela de Universidades, na Suíça.

"Venham para cá esses ossos"

O osso é o segundo tecido mais transplantado do mundo e estima-se que 1,5 milhões de pessoas por ano sofram uma fratura devido a doenças ósseas, com custos significativos para os sistemas de saúde, explica a investigadora Helena Pereira.

O problema afeta em especial os seniores e a Organização Mundial da Saúde prevê que no ano de 2050 haja dois mil milhões de pessoas com mais de 60 anos.
Mas se forem criadas condições de regeneração mais “amigas” do corpo humano e com resultados mais eficientes estes números, quer de pacientes, quer económicos, podem baixar significativamente. É o que refere à RTP Helena Pereira, aluna do doutoramento em Líderes para as Indústrias Tecnológicas da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e do Programa MIT-Portugal.

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Helena Pereira utiliza neste novo sistema de regeneração óssea fosfatos de cálcio degradáveis, combinando hidroxiapatita e beta-tricálcio de fosfato, para obter um substituto com dissolução controlada, compatível com a taxa de regeneração, e elevadas propriedades mecânicas, equivalentes às do osso.

Com esta fórmula evita-se, segundo a investigadora, a perda óssea, nova cirurgia, imunorreações e outras complicações ligadas a tratamentos comuns.

Neste campo já existem outros tratamentos como, por exemplo, substitutos sintéticos com titânio, cobalto e crómio, mas a vantagem deste composto bioativo é que não deixa no organismo marcas como a libertação de ferro e excessiva rigidez, refere a investigadora.

“O meu objetivo é criar um produto que se dissolva ao longo dos anos com base em material bioativo; ao mesmo tempo que o osso se regenera, o produto dissolve-se”, explica.

O fosfato de cálcio já é usado como substituto ósseo, em pessoas com pouco osso. A presente solução funciona como um implante de fosfatos, pois, além de dissolver à taxa de regeneração do osso e de forma controlada, tem propriedades mecânicas equivalentes às do osso. “Essa é a minha principal inovação, graças a uma combinação dos fosfatos de cálcio e do processo de manufatura”, realça a cientista do CMEMS, que está a preparar um pedido de patente e espera que a sua tecnologia venha a consolidar-se e a generalizar-se no mercado.

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Um produto não injetável, que surge em forma de bloco e pode ser personalizado necessidade do paciente. Ou seja, se o paciente tiver um defeito ósseo com uma determinada geometria, determina-se essa forma e o composto será colocado no local da fratura em forma de bloco, para que a pessoa que sofre a intervenção possa utilizar rapidamente o membro afectado.

Uma solução para quebras, mas não para a osteoporose

Este produto pode ser usado em várias situações, explica Helena Pereira à RTP: “Mesmo na extração de um dente, em que fica lá o espaço da raiz porque é preciso ajustar, porque houve um desgaste do osso e tem de ser ajustado, ou mesmo em situações em que há um acidente e há uma perda do osso, este produto vai poder ser utilizado”.

Já em casos de osteoporose, a fragilidade em que o osso se apresenta este composto já não aconselhado, pois aqui as propriedades de regeneração natural não se apresentam eficazes. “Enquanto, por exemplo, uma pessoa saudável tem um pequeno acidente ou fica com um defeito, o osso que estará à volta deste implante substituto ósseo é saudável , no caso da Osteoporose, não”.

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Nascida em Fafe há 31 anos, Helena Pereira é licenciada em Ciências Biomédicas pela Universidade da Beira Interior, mestre em Engenharia Biomédica pela UMinho e está a ser orientada no doutoramento pelos professores Filipe Samuel Silva, da UMinho, e Georgina Miranda, da Universidade de Aveiro.

Fez ainda parte da equipa vencedora do concurso de ideias de negócio SpinUM 2019, com a tecnologia “beWOODful” que trata e impregna cor na madeira, e obteve agora o 3.º prémio do concurso de vídeos científicos do Grupo Compostela, com a apresentação “Guided absorption bone substitutes”.
Um resultado que a investigadora diz ser muito positivo e que pode ser patenteado em breve, pois existem muito pormenores “apetecíveis” pelo mercado e que a investigadora não quer perder.
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