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Não cozinhe frango com xarope para a tosse (sim, isto está a acontecer)

Logótipo de TVI TVI há 6 dias CNN
Não cozinhe frango com xarope para a tosse (sim, isto está a acontecer) © TVI24 Não cozinhe frango com xarope para a tosse (sim, isto está a acontecer)

Quer cozinhar frango com NyQuil? Tomar uma overdose de anti-histamínicos? Engolir cápsulas de detergente para a roupa?

Isto não é brincadeira, é o que estão a fazer adolescentes e jovens adultos que continuam a ser suscetíveis a desafios como estes colocados e difundidos nas redes sociais. É tanto assim que o próprio regulador de saúde pública norte-americano (equivalente ao Infarmed português e à Agência Europeia de Medicamentos), a Food and Drug Administration (FDA) acaba de publicar um alerta:

"Uma tendência das redes sociais que assenta na pressão de pares são os vídeos online de pessoas a utilizar indevidamente medicamentos não sujeitos a receita médica e que encorajam os espetadores a fazê-lo também. Estes desafios em vídeo, que muitas vezes visam os jovens, podem prejudicar as pessoas - e até causar a morte", declarou a FDA num aviso.

Um desafio recente publicado nas redes sociais encoraja as pessoas a cozinhar frango numa mistura de acetaminofeno, dextrometorfano e doxilamina – os ingredientes básicos de alguns remédios para a gripe, para a tosse e frio.

“Ferver um medicamento pode torná-lo muito mais concentrado e alterar as suas propriedades”, disse a FDA. “Mesmo que não coma o frango, inalar os vapores do medicamento enquanto cozinha pode causar a entrada de altos níveis de medicamentos no seu corpo. Pode também ferir os seus pulmões”.

A agência também apontou para um desafio no TikTok para as pessoas ousarem alucinar tomando grandes doses de difenidramina em anti-histamínicos de venda livre. Chama-se “Desafio Benadryl” e a FDA citou relatórios de adolescentes que acabaram em salas de urgências hospitalares ou que morreram depois de participarem.

Porque são os jovens tão suscetíveis a estes desafios?

O cérebro adolescente não está totalmente desenvolvido, explica a Academia Americana de Pediatria. De facto, o córtex pré-frontal, que gere o pensamento racional, a resolução de problemas e as consequências, só se desenvolve completamente por volta dos 25 anos. É por isso que os adolescentes e os jovens adultos são frequentemente impulsivos e mais propensos a agir sem considerarem as consequências, diz a AAP.

"As crianças não irão necessariamente parar para pensar que detergente para a roupa é um veneno que pode queimar as suas gargantas e danificar as suas vias respiratórias. Ou que a má utilização de medicamentos como a difenidramina (Benadryl) pode causar graves problemas cardíacos, convulsões e coma”, advertiu a AAP no seu website.

“Aquilo em que eles se vão focar é no facto de uma criança popular na escola fez isto e conseguiu centenas de gostos e de comentários", declarou o website da AAP. “As redes recompensam o comportamento chocante, e quanto mais chocante for, maiores os direitos de gabarolice".

Considerando o enorme impacto das redes sociais no comportamento dos adolescentes, como podem os pais e os prestadores de cuidados impedir os seus filhos de participar em tais desafios?

Mantenha as linhas de comunicação abertas, sugeriu a AAP. Pergunte ao seu filho e aos seus amigos sobre os desafios das redes sociais debata-os “calmamente e sem julgamentos”, ao mesmo tempo encorajando-os a pensar em quaisquer potenciais resultados negativos.

"Lembrem os vossos filhos de que as overdoses podem ocorrer com medicamentos vendidos ao balcão na farmácia, bem como com medicamentos sujeitos a receita médica", declarou a FDA. Em casa, mantenha todos os medicamentos de venda livre e medicamentos sujeitos a receita médica trancados em segurança, acrescentou a agência.

Se o seu filho parece relutante em falar sobre o que viu, pergunte, em vez disso, sobre os seus amigos: “Por vezes, as crianças estão mais dispostas a falar sobre os seus pares do que sobre si próprias”, observou a AAP.

Se uma criança parece ter tomado demasiados medicamentos e está a alucinar, não consegue ser acordada, teve ou está a ter uma convulsão, tem dificuldade em respirar, teve um colapso, ou está a mostrar outros sinais de abuso de drogas, ligue para o 112 para ter apoio médico imediato.

 

Nota: este artigo tem como base uma notícia originalmente publicada na CNN internacional, que a CNN Portugal - parceira da estação norte-americana - adaptou para a realidade portuguesa.   

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