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A batalha pelo voto da "Espanha vazia"

Pouco antes das eleições, o voto da chamada Espanha vazia tornou-se numa das prioridades para os partidos políticos espanhóis. Em Espanha, os deputado das zonas menos povoadas precisam de menos voto para serem eleitos do que os deputados dos círculos com mais população. Um mecanismo que tem beneficiado os grandes partidos, o PSOE e o PP. Mas, com a fragmentação dos votos, devido à entrada em cena do Ciudadanos, do Podemos e do Vox, os equilíbrios políticos podem mudar. A euronews esteve em Cuenca, onde a densidade populacional é uma das mais baixas da Europa. Benjamín Prieto é Presidente da Junta de Freguesia de uma aldeia com 258 habitantes. O representante do Partido Popular ocupa o cargo há vinte anos, mas, o desfecho do atual escrutínio é incerto devido à emergência de novos partidos. "Se os eleitores quiserem uma opção de centro-direita, pode acabar por haver uma repartição dos votos em territórios onde as "maiorias naturais" vêm do centro-direita, do Partido Popular. Ou seja, essas maiorias podem ser alteradas fazendo com que o voto vá para uma segunda opção, que não é precisamente o que o eleitoral queria", explicou Benjamín Prieto. O congresso espanhol tem 350 assentos. Nas áreas menos povoadas, há entre dois e cinco deputados por província. O sistema eleitoral espanhol usa o método D'Hondt para calcular a distribuição dos deputados, um método que tende a favorecer os partidos com mais votos para permitir maiorias no parlamento. O protesto da "Espanha Vazia" A 31 de março, a chamada Espanha vazia juntou-se em Madrid num protesto contra o despovoamento de vastas partes do território. Muitos dos manifestantes eram oriundos de Zamora, a província que perdeu mais população em 2018. Em Cuenca, os eleitores elegem três deputados. "Os políticos não oferecem soluções à Espanha abandonada. Todas as medidas de que se fala atualmente são eleitoralistas. De alguma forma, foram eles que geraram a Espanha abandonada por interesse, foi um despovoamento programado. Não queremos que o nosso território nem que o dinheiro da Europa destinado à despovoação seja usado para outros fins que não são do nosso interesse, como experiências de terreno, gestão de resíduos, agricultura e criação industrial de animais 4.0", afirmou Ana Morillos, porta-voz da Plataforma de Cidadãos Viriatos Zamora. Para o politólogo Manuel Mostaza, o primeiro passo para resolver os problemas dos territórios desertificados é integrar o problema nas agendas políticas dos partidos. "A emergência de um partido no centro, o Ciudadanos e de um partido na esquerda extrema, o Podemos, e agora outro na direita mais extrema, o Vox, faz com que os grandes partidos deixem de ter os votos garantidos em Zamora. O que teve um efeito positivo porque se fala enfim da Espanha vazia. Agora, todos os partidos têm dificuldades em ganhar votos em Zamora, e, por isso o tema entrou na agenda política. Para solucionar um problema, é preciso que ele faça parte da agenda política", disse o politólogo e diretor de Assuntos Públicos em Atrevia.
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