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Sérvia acusa primeiro-ministro do Kosovo de "jogada política"

"Uma jogada política" - Foi assim que a Sérvia analisou o anúncio da demissão do primeiro-ministro do Kosovo, Ramush Haradinaj, com vista a responder à acusação de crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional (TPI). Para o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, Haradinaj está apenas a tentar angariar apoio popular e considerou que a decisão pode agravar as tensões étnicas na região. Haradinaj fez parte do Exército de Libertação do Kosovo na guerra contra os sérvios, entre 1998 e 1999. O antigo comandante do exército separatista albanês liderava o governo do Kosovo desde 2017 e nega os crimes de que é acusado. "Apresento a minha demissão irrevogável do cargo de primeiro-ministro da República do Kosovo e agradeço-vos pela confiança e apoio que recebi”, afirmou esta sexta-feira o líder kosovar. Esta já não é a primeira vez que Haradinaj, de 51 anos, responde em Haia por suspeitas de tortura e limpeza étnica contra os sérvios no pós-guerra. O agora ex-primeiro-ministro kosovar já foi ilibado pela primeira vez em 2008. Quatro anos mais tarde voltou a ser ilibado, desta feita da acusação de intimidação sobre testemunhas para faltarem ao primeiro julgamento. Haradinaj revelou que o tribunal lhe deu a hipótese de comparecer como primeiro-ministro ou como cidadão e que preferiu optar pela segunda via. Uma decisão igual à que já tinha tomado em 2005, aquando da primeira acusação de Haia. O tribunal especial internacional responsável pelo julgamento dos crimes de guerra no Kosovo entre 1998 e 2000, uma iniciativa apoiada pela União Europeia (UE), foi criado em 2015 com a missão de investigar as ações violentas cometidas pelo Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) em particular contra os sérvios, roms (ciganos) locais e opositores albaneses após o conflito de 1998-99 nesta antiga província do sul da Sérvia.
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