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Oncologia pediátrica: Metade dos investigadores não tem fundos

Logótipo de Notícias ao Minuto Notícias ao Minuto 08/11/2019 Lusa

Os investigadores que trabalham na área da oncologia pediátrica em Portugal estudam sobretudo as leucemias agudas e os tumores cerebrais e metade não tem fundos para desenvolver a sua atividade, indica um inquérito que é hoje divulgado.

Os investigadores que trabalham na área da oncologia pediátrica em Portugal estudam sobretudo as leucemias agudas e os tumores cerebrais e metade não tem fundos para desenvolver a sua atividade, indica um inquérito que é hoje divulgado. © iStock Os investigadores que trabalham na área da oncologia pediátrica em Portugal estudam sobretudo as leucemias agudas e os tumores cerebrais e metade não tem fundos para desenvolver a sua atividade, indica um inquérito que é hoje divulgado.

O inquérito diz ainda que a investigação em oncologia pediátrica decorre essencialmente nos grandes centros urbanos: Braga, Porto, Coimbra e Lisboa (Oeiras).

Em declarações à agência Lusa, Bruno Cardoso, o investigador do Instituto de Medicina Molecular responsável pelo tratamento dos dados deste trabalho, indica que não há um registo oficial relativo aos investigadores na área da oncologia pediátrica, mas defende que os 46 que responderam "estarão muito próximo" do total a exercer em Portugal.

Quanto ao trabalho destes investigadores, os dados apontam para um equilíbrio entre a investigação clínica (realizada em ambiente hospitalar e estreita relação com os pacientes) e a investigação fundamental (mais ligada às questões biológicas da doença), com uma ligeira predominância da primeira.

Quase metade dos investigadores que responderam viu os resultados das suas investigações publicados em revistas científicas internacionais nos últimos cinco anos. "Isto constitui um efetivo marcador de produtividade em ciência", destaca o estudo.

Os investigadores que responderam ao inquérito são essencialmente investigadores principais (chefes de equipa, responsáveis pelos projetos de investigação) e a maioria (37) tem colaborações com unidades hospitalares de vários tipos: trabalham nas próprias instituições, estas estão geograficamente perto ou têm colaborações com grupos noutras instituições do País (em menor número) e estrangeiras.

Metade não dispõe de fundos para as suas investigações. Os que têm fundos para desenvolver a sua atividade, estes são provenientes de várias fontes: nacionais, internacionais, privadas e também da angariação de fundos.

Questionados sobre qual a questão em oncologia pediátrica que poderia ser abordada num projeto multidisciplinar a nível nacional, os investigadores, que responderam (26), optaram por focar o projeto em questões centradas no doente e na sua família, em novos medicamentos e tratamentos e na biologia da doença.

Quanto à investigação em oncologia pediátrica em ambiente hospitalar um número significativo de investigadores clínicos participa em ensaios clínicos (12), a maioria em ensaios de fase III, aquela em que, a partir de vários testes, se determina a segurança, monitoriza os efeitos secundários, verifica eficácia e benefício terapêutico do novo medicamento por comparação com um medicamento padrão e/ou placebo.

A falta de tempo protegido para investigação é um tema fulcral na investigação clínica e a grande maioria dos investigadores assume que não tem tempo laboral para realizar tarefas associadas à investigação. Ainda assim, 40% dos investigadores fazem-no fora do período laboral.

A contratação de recursos humanos exclusivamente para investigação clínica, desde enfermeiros a monitores de ensaios e a proteção de tempo laboral para se dedicarem a este tipo de investigação foram apontadas pelos investigadores como medidas que ajudariam a melhorar o panorama geral nesta área.

Os resultados deste inquérito, que pretendeu saber quem são, onde trabalham e o que investigam os investigadores da área da oncologia pediátrica em Portugal, vão ser apresentados hoje em Lisboa, numa conferência sobre investigação em cancro pediátrico.

  

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