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Ferritina, a diferença entre viver ou morrer de septicemia

Logótipo de Jornal de Notícias Jornal de Notícias 15/06/2017 Leonor Paiva Watson

Uma investigação única no Mundo, liderada pelo cientista Miguel Soares, é publicada esta quinta-feira numa das mais prestigiadas revistas científicas, a "Cell", dando conta que a produção de ferritina pode ser a diferença entre morrer ou sobreviver a uma septicemia.

A sépsis é uma resposta descontrolada do corpo, que provoca alterações significativas no funcionamento de órgãos vitais - como o cérebro, o coração, os rins, o fígado ou os pulmões -, e mata 18 milhões de pessoas por ano no Mundo inteiro. Mas muitos outros sobrevivem. Então, qual é o mecanismo protetor que têm estes últimos?

Esta foi a resposta que a equipa de Miguel Soares procurou numa investigação que conta cinco anos, com a chancela do Instituto Gulbenkian da Ciência e cujo resultado chega esta quinta-feira à revista "Cell", avançando que o segredo está na ferritina, uma proteína absolutamente necessária para que o fígado produza glucose: um açúcar que nos pode proteger de sucumbir à sépsis.

Começar pelo princípio

Quando ficamos infetados, ficamos sem apetite e paramos de comer. Como não conseguimos absorver a glucose através da comida, vamos produzir essa glucose no fígado, o que é, absolutamente, essencial. "Quando surge uma septicemia, primeiro há um aumento dessa produção, porque o cérebro avisa que há perigo, mas depois a mesma diminui", explica Miguel Soares.

O investigador avança que "não há problema no facto de os genes que produzem a glucose ficarem inibidos" desde que "não passe de um certo ponto". "E quem é que controla isto? A ferritina", responde.

"A ferritina vai agarrar no ferro e não vai deixar que este oxide, pois, caso contrário, as células do fígado já não produzem a glucose", pormenoriza.

Resumindo, o controlo do metabolismo do ferro é fundamental para que o fígado produza glucose; e a glucose é essencial para proteger o doente da morte por septicemia.

Miguel Soares salvaguarda que "esta investigação foi feita em ratinhos" mas que "é uma prova muito forte" e congratula-se com o facto de ser publicado na "Cell", uma revista que "rejeita 95% dos artigos que lhe são enviados".

Cientista Miguel Soares © Bruno Simões Castanheira/Arquivo JN Cientista Miguel Soares

Este estudo foi conduzido pelo Instituto Gulbenkian da Ciência em colaboração com Jena University Hospital, na Alemanha; e com a University Claude Bernard Lyon, em França; tendo sido financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia pelo Programa Harvard Medical School Portugal, pelo Conselho Europeu de Investigação, pela Deutsche Forschungsgemeinschaft, pelo Ministério de Educação e Investigação Federal Alemão, pela Agência Nacional de Investigação Francesa, e pela Medical Research Foundation.

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