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Anfavea refaz a conta e vê números menos otimistas para o mercado no Brasil

Logotipo do(a) Vrum Vrum 22/07/2021 Enio Greco
A fábrica da General Motors em Gravataí (RS), onde é produzido o Onix, ficará paralisada até meados de agosto © Chevrolet/Divulgação A fábrica da General Motors em Gravataí (RS), onde é produzido o Onix, ficará paralisada até meados de agosto

O setor automotivo não é o único que vem sofrendo as consequências do baixo fornecimento de semicondutores no mercado mundial, mas é, com certeza, um dos mais prejudicados. No Brasil, algumas montadoras foram obrigadas a paralisar ou reduzir a produção por falta do componente, resultando em queda nas vendas e uma longa espera por parte dos consumidores para adquirir um carro novo. O problema é tão grave que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) refez suas projeções para 2021, divulgando números menos otimistas para veículos leves, mas um pouco mais positivos para os pesados.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, revela que antes da pandemia da COVID-19 a produção mundial de veículos girava em torno de 97 milhões de unidades por ano. Com a pandemia, caiu para 78 milhões, representando uma queda de 19 milhões de unidades em todo o mundo. Em 2020, no Brasil, foram produzidas 2.014.000 unidades de veículos leves e pesados. O número de emplacamentos foi de 2.058.000, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Em janeiro deste ano, a Anfavea havia feito uma projeção de que 2021 encerraria com a produção de 2.520.000 unidades (veículos leves e pesados) e com um total de 2.367.000 unidades emplacadas, o que representaria um crescimento de 15% em relação a 2020. Mas diante da realidade do setor, com a falta de semicondutores e outros fatores, a entidade optou por rever a projeção para 2021, chegando a 2.459.000 unidades produzidas e 2.320.000 veículos comercializados (leves e pesados), representando um crescimento de 13% em relação a 2020.

Analisando as projeções da Anfavea, nota-se certo otimismo em relação aos veículos comerciais leves e caminhões, com crescimento na produção e nas vendas, impulsionadas pelo agronegócio e e-commerce. Já para os automóveis a expectativa é de queda. Luiz Carlos Moraes lembra que no fim de 2020 a falta de componentes, aço e borracha já começava a comprometer a produção da indústria automotiva. “Isso resultou na interrupção da produção nas fábricas da General Motors, que só retornará em meados de agosto, além de Volkswagen, Hyundai, Nissan e outras”, lembra o presidente da Anfavea. Ele revela que a indústria automotiva deixou de produzir 3,6 milhões de unidades no mundo no primeiro semestre, e que a previsão é de encerrar o ano entre 5 milhões e 7 milhões de veículos a menos.

 

Luiz Carlos informa que a escassez no fornecimento de semicondutores tem comprometido a produção da indústria automotiva. “Os semicondutores são utilizados em diversos produtos, como veículos, celulares, computadores, jogos, eletroeletrônicos e até na indústria aeronáutica. E a produção desses componentes é concentrada atualmente em grande parte nos países asiáticos. O Brasil tem que usar esse desafio que está vivendo e investir em pesquisa e desenvolvimento de semicondutores, para ser menos dependente”, sugere o presidente da Anfavea.

Ele revela que a indústria automotiva usa de 500 a 1 mil semicondutores por veículo produzido, por isso acredita que as montadoras terão problemas durante todo este ano. “A expectativa é de que o fornecimento de semicondutores se estabilize até o segundo trimestre de 2022, mas até lá é provável que veremos algumas fábricas interrompendo a produção”, projeta Luiz Carlos. Ele acrescenta que no Brasil cerca de 120 mil veículos deixaram de ser produzidos no primeiro semestre devido à falta de semicondutores. Mas, apesar disso, o presidente da Anfavea acredita que com o controle da pandemia em setembro ou outubro será possível prever a retomada da indústria automotiva em toda a América Latina, com números melhores em produção e vendas no segundo semestre e perspectiva mais positiva para 2022.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, acredita na recuperação do setor em 2022 © Anfavea/Divulgação O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, acredita na recuperação do setor em 2022

EMISSÕES Questionado sobre a possibilidade de a Anfavea pedir o adiamento da entrada em vigor da nova fase do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), prevista para 2022, Luiz Carlos afirmou que não existe nada definido sobre o assunto. Mas ele alega que para desenvolver novas tecnologias com o objetivo de atender as normas de emissões é preciso investir em testes prolongados, garantir qualidade nos produtos, adaptar a linha de produção e treinar os funcionários, o que exigiria um cronograma de três a quatro anos. “A Anfavea defende a nova fase de emissões, mas é preciso fazer uma readequação do prazo. Estamos discutindo o assunto com o governo, mas ainda não há uma definição”, afirma.

ASSINATURA Com a redução na produção e venda de veículos, Luiz Carlos prevê o crescimento de novos modelos de transporte individual. Ele acredita no aumento da procura de carros por assinatura e locação, principalmente por motoristas de aplicativos e empresas que não querem mais ter frotas próprias. “São segmentos que têm demonstrado uma tendência de crescimento e podem ser alternativa para aquecer o mercado”, afirmou.

CUSTO BRASIL Ao ser questionado sobre os preços altos dos carros novos no Brasil, Luiz Carlos se apoia na velha retórica da indústria automotiva de que a carga tributária no país é absurdamente mais alta do que em outras nações. “Os impostos que incidem sobre um carro variam de 40% a 50%, dependendo da motorização. Não existe lugar nenhum no mundo que se tenha imposto sobre a produção (IPI). Com isso, a capacidade de crescimento do setor fica limitada pelas altas taxas. Esperamos que com a reforma tributária essa questão seja revista”, diz o presidente da Anfavea. Ele admite que os preços dos carros no Brasil são altos e que existe repasse dos custos para o valor final pago pelo consumidor, puxado também pela alta do dólar, já que muitos componentes são importados.

“O custo Brasil é muito alto. É um problema estrutural, que aliado à insegurança jurídica, gera um custo adicional”, afirma. O presidente da Anfavea acrescenta ainda que o Brasil não pode ser só exportador de soja, minério e de produtos do agronegócio. “É preciso ter atenção à indústria da transformação”, conclui.

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