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Mudança climática e pesca predatória elevam mercúrio tóxico em peixes

Logotipo do(a) Reuters Reuters 07/08/2019 Por Thin Lei Win
Cozinheiro prepara peixe na Esplanada dos Ministérios, em Brasília © Reuters/ADRIANO MACHADO Cozinheiro prepara peixe na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Por Thin Lei Win

ROMA (Thomson Reuters Foundation) - A mudança climática e a pesca predatória estão aumentando os níveis de mercúrio tóxico no bacalhau e no atum, o que pode causar problemas neurológicos em crianças e bebês cujas mães comem peixe durante a gravidez, mostrou um estudo de cientistas de Harvard nesta quarta-feira.

A concentração de metil mercúrio --um composto orgânico que pode provocar danos sérios no cérebro e no sistema nervoso-- aumentou 23% no bacalhau e 27% no atum-rabilho no Golfo do Maine, situado no Oceano Atlântico, em cerca de três décadas, disse o estudo.

"O metil mercúrio é... particularmente danoso durante o terceiro trimestre da gravidez, quando o cérebro está se desenvolvendo mais rapidamente, e para crianças pequenas", disse Elsie Sunderland, coautora da pesquisa publicada no periódico científico Nature.

Há tempos, gestantes vêm sendo aconselhadas a evitar carne de peixe-espada e de tubarão devido aos níveis altos de mercúrio, mas o bacalhau é uma variedade de peixe que o governo dos Estados Unidos recomenda como um alimento nutritivo e rico em proteínas que pode ajudar no desenvolvimento das crianças.

"Não é que todos deveriam estar horrorizados depois de ler nosso estudo e parar de consumir frutos do mar, que é um alimento muito saudável e nutritivo", disse Elsie, professora de química ambiental da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard.

"Queríamos mostrar às pessoas que (a mudança climática) pode ter um impacto direto no que se está comendo hoje, que estas coisas podem afetar saúde... não só coisas como clima severo, inundações e a elevação do nível dos mares".

Mares mais quentes aumentam as necessidades energéticas de peixes pequenos, por isso eles ingerem mais presas contaminadas com metil mercúrio, explicou Elsie. Estes peixes pequenos, por sua vez, são comidos pelos atuns, o que também aumenta seus níveis de metil mercúrio, disse.

A pesca predatória de arenque e sardinhas também mudou a dieta do bacalhau do Atlântico, forçando-o a consumir arenques maiores e lagostas, que têm níveis mais elevados de metil mercúrio, disse o estudo.

O consumo global de peixes mais do que dobrou desde os anos 1960, chegando ao recorde de 20,2 quilos por pessoa, e um terço dos oceanos do mundo sofre com a pesca predatória, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

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