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O solo e o clima, dois problemas relacionados

Logotipo do(a) AFPAFP 08/08/2019 afp.com
Um fazendeiro recolhe baías de cafeeiros, na fazenda do fazendeiro queniano Josphat Muchiri no condado de Kiambu. © TONY KARUMBA Um fazendeiro recolhe baías de cafeeiros, na fazenda do fazendeiro queniano Josphat Muchiri no condado de Kiambu.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) apresentou nesta quinta-feira um relatório sobre as relações entre o uso dos solos e o aquecimento global.

As principais conclusões do documento.

- Um planeta sem recursos -

O informe foi elaborado por mais de 100 cientistas especializados em clima e uso dos solos.

O documento mostra um planeta devastado pelo insaciável apetite humano por alimentos e recursos naturais.

As atividades humanas já afetam mais de 70% do solo livre de gelo do planeta. Além disso, a agricultura utiliza 70% da água do mundo.

Ao mesmo tempo, a atividade humana expande os desertos e as zonas com seca aumentam 1% a cada ano.

Os solos, com sua vegetação e capacidade de refletir uma parte importante do calor do sol, absorveram quase 29% das emissões de CO2 geradas pelos humanos entre 2006 e 2016.

Mas com o aumento das temperaturas cresce o temor de que a absorção diminua.

Os solos representam ainda uma fonte de gases do efeito estufa, já que a agricultura, o desmatamento e outras atividades representam 23% do total de emissões geradas pelos humanos.

- Temperatura em alta -

Em 2018 o IPCC publicou um estudo sobre como limitar o aquecimento global a 1,5ºC em comparação ao período pré-industrial, um dos objetivos dos acordos de Paris sobre o clima.

Em seu estudo, o IPCC destacou a necessidade de reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa com a diminuição do consumo de combustíveis fósseis.

A temperatura na superfície do planeta já subiu 1ºC desde o período pré-industrial e aumenta mais rapidamente nos solos que nos oceanos.

O informe publicado nesta quinta-feira sugere que, comparada ao período pré-industrial, a temperatura nos solos já aumentou 1,53ºC.

A situação torna mais vulneráveis os cultivos, degrada os solos e exacerba os eventos climáticos extremos, fenômenos que colocam particularmente em risco, as mulheres, crianças e idosos.

O relatório também adverte que o risco de insegurança alimentar poderia passar de "elevado" (com aumento de 1,5ºC da temperatura), a "muito elevado" (abaixo dos 2ºC).

- Sobrepeso e má alimentação -

Entre 25% e 30% de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados.

Ao mesmo tempo, nos países desenvolvidos o consumo de calorias per capita aumentou um terço desde 1961.

O mundo tem quase 2 bilhões de adultos considerados obesos ou com sobrepeso, enquanto 820 milhões de pessoas sofrem com a fome.

- Previsões -

O informe analisa como a humanidade pode usar os solos para combater a mudança climática e destaca a importância de reconstituir as florestas para que absorvam o gás carbônico da atmosfera.

O total de solos reconvertidos necessários para limitar a 1,5ºC o aumento da temperatura varia de acordo com as projeções de consumo humano nas próximas décadas.

Mesmo se o consumo fosse baixo, os modelos matemáticos do IPCC demonstram que com aumentos de temperatura de entre 2,5ºC e 3,5ºC existiria um "alto risco" para a segurança alimentar.

Se o consumo permanecer no nível atual o cenário de "alto risco" será alcançado com um aumento de apenas 1,3ºC.

De modo paralelo, a reconversão de terras pode ter consequências negativas, como a desertificação.

- Redução de emissões -

O relatório reitera a urgência de reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa provocadas pelos humanos para evitar "perdas irreversíveis" na função dos solos para "produzir alimentos, saúde, lugares habitáveis e produção".

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