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ONU alerta que mudar o uso do solo é essencial para o clima

Logotipo do(a) AFPAFP 08/08/2019 afp.com
(Arquivo) O informe examina como a mudança climática afeta as terras utilizadas para o cultivo, para o gado ou para os bosques © JEAN-FRANCOIS MONIER (Arquivo) O informe examina como a mudança climática afeta as terras utilizadas para o cultivo, para o gado ou para os bosques

O planeta precisa mudar urgentemente a maneira de usar e cultivar suas terras para garantir a segurança alimentar de seus habitantes e lutar contra a mudança climática, alertam os especialistas da ONU sobre o clima.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pediu, em um relatório publicado em Genebra, ações em curto prazo contra a degradação dos solos, o desperdício de alimentos ou as emissões de gases que provocam o efeito estufa pelo setor agrícola.

© Paul Gypteau, Johannes Myburgh, Suzane de Oliveira

As delegações dos 195 países membros do IPCC examinaram durante cinco dias o relatório, que tem como título "A mudança climática, a desertificação, a degradação dos solos, sua gestão sustentável, a segurança alimentar e os fluxos de gases do efeito estufa".

O informe examina como a mudança climática afeta os solos utilizados para o cultivo, para o gado ou para os bosques, assim como questões de segurança alimentar, as práticas agrícolas e a maneira como o desmatamento modifica o clima.

O texto, de 1.200 páginas negociadas linha por linha pelas delegações, foi divulgado em uma entrevista coletiva em Genebra.

A conclusão principal é que "nosso uso dos terras [...] não é sustentável e contribui para a mudança climática", afirmou a copresidente do IPCC, Valérie Masson-Delmotte.

Os sistemas alimentares geram, em seu conjunto, "até um terço de nossas emissões" de gases de efeito estufa, ressaltou Eduardo Calvo Buendía, copresidente do IPCC.

- Pouca margem de manobra -

O documento afirma que não resta mais tempo, pois o aquecimento das terras emergidas alcançou 1,53°C, o1 dobro do aumento global da temperatura (incluindo os oceanos).

Os riscos de instabilidade em termos de abastecimento alimentar poderiam ser "muito elevados" a 2ºC, explicou Masson-Delmotte.

A margem de manobra é muito pequena se os países desejam limitar a mudança climática e seus efeitos sobre as terras e, ao mesmo tempo, alimentar corretamente uma população que mundial que no fim do século pode superar 11 bilhões de pessoas.

Queremos "reduzir as emissões que saem das terras o máximo possível", mas sem esquecer "a outra parte da equação: as emissões de gases de efeito estufa principalmente fruto do setor de energia", insistiu à AFP Hoesung Lee, presidente do IPCC.

"Temos que pensar de maneira muito mais exaustiva como utilizaremos cada hectare. As terras têm que permitir cultivar nossa comida, proporcionar biodiversidade e água doce, dar trabalho a bilhões de pessoas e capturar bilhões de toneladas de carbono", indicou Piers Forster, professor da universidade de Leeds (Reino Unido).

- Mudar os hábitos de alimentação -

O IPCC elaborou diversas hipóteses para alcançar a meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C ou a menos de 2°C em comparação ao período pré-industrial.

As hipóteses incluem a mudança do uso das terras, o reflorestamento e as bionenergias, entre outras medidas.

O informe adverte, no entanto, que a reconversão do uso dos solos (reflorestamento para capturar CO2, campos dedicados às bioenergias, etc) poderia ter "efeitos colaterais indesejáveis", como a desertificação ou a degradação do solo.

Para o IPCC, além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, também é necessário mudar os hábitos de consumo.

Atualmente "entre 25% e 30% da produção total de comida é desperdiçada", afirma o relatório, ao mesmo tempo que 820 milhões de pessoas no mundo passam fome.

Se nas regiões pobres as proteínas animais são insuficientes em alguns momentos, nos países ricos são consumidas em excesso e existem dois bilhões de adultos com sobrepeso ou obesos.

O informe aponta o benefício para o meio ambiente e a saúde das dietas menos ricas em carne mas "o IPCC não prescreve os regimes das pessoas", disse seu copresidente, Jim Skea.

"Espero que este informe chame a atenção midiática ainda mais que o anterior", e que cada um "se dê conta do significado das conclusões", declarou à AFP Greta Thunberg, a ativista adolescente sueca, que assistirá esta semana a uma cúpula de jovens pelo clima em Lausanne (Suíça).

O relatório do IPCC publicado nesta quinta-feira é o segundo de uma série de três "informes especiais".

O primeiro, divulgado no ano passado, abordou a questão da possibilidade de conter o aquecimento global a 1,5°C. O terceiro e último, previsto para setembro, examinará os oceanos e a criosfera (geleiras, etc).

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