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Bolsa cai 1,26% e dólar sobe 0,2% com cenário negativo tanto no Brasil quanto no exterior

Logotipo do(a) Estadão Estadão 04/05/2021 Redação

O cenário político interno ruim, em dia de CPI da Covid e reforma tributária, somado às incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos, afetaram a Bolsa Brasileira (B3) nesta terça-feira, 4. O Ibovespa fechou em queda de 1,26%, aos 117.712,00 pontos, puxado ainda pela forte queda das empresas do setor financeiro. No câmbio, o dólar sentiu o mau humor dos investidores e subiu 0,22%, a R$ 5,4307.

Unânimes, os analistas ressaltam que a piora externa, que acabou contaminando o ambiente doméstico, veio após a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmar que as taxas de juros no país podem ter de subir para evitar o sobreaquecimento da economia americana. Vale lembrar que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) disse não esperar uma mudança na política monetária dos EUA antes de 2022.

"Isso gerou um desconforto. Já está virando consenso no mercado que será preciso subir os juros americanos antes de 2023, mesmo que seja no segundo semestre do ano que vem", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. "A inflação nos Estados Unidos é o grande teste para saber se os índices seguirão subindo", complementou Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, plataforma de análises independentes.

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, na CPI da Covid © Jefferson Rudy/Agência Senado Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, na CPI da Covid

E o movimento externo encontrou localmente um terreno fértil para imprimir a queda do Ibovespa, que bateu nos 117,6 mil pontos na mínima o dia. A CPI da Covid, que ouviu hoje Luiz Henrique Mandetta, o primeiro ministro da Saúde do governo de Jair Bolsonaro, trouxe dúvidas sobre como vai sair a reforma tributária, num cenário de economia que se arrasta devido ao lento processo de vacinação.

A leitura do parecer da reforma começou hoje pelo relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), na sessão da comissão mista que debate o tema. O deputado afirmou que o objetivo é "fazer mudança estrutural no sistema tributário brasileiro". Fundamental para destravar o setor privado, a reforma tributária transformou-se em uma "cortina de fumaça", na opinião do economista João Leal, da Rio Bravo Investimentos. O resgate dessa agenda pelo governo "vem para tirar o foco da CPI e tem chance praticamente nula de avançar neste ano", na avaliação do economista. “É uma confusão extremamente grande. Ninguém sabe para onde essa reforma vai”, diz Leal.


Video: Fed mantém taxas ultrabaixas nos EUA (AFP)

Do ponto de vista corporativo, a queda forte das ações dos bancos, que têm peso de mais de 20% no Ibovespa, contribuiu muito para o dia negativo. Os investidores não gostaram da "qualidade" dos dados do balanço do Itaú Unibanco divulgados ontem à noite. "Quando o setor de bancos começa a dar um sinal mais negativo todo mundo começa a olhar mais com mais cuidado", disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

A sessão terminou com as ações preferenciais do Itaú Unibanco em baixa de 4,27%, do Bradesco, 3,02%, as ordinárias do Banco do Brasil em queda de 1,28% e as units do Santander recuando 2,72%. Por outro lado, Vale subiu 1,51%.

A queda dos ativos acionários também reflete, em parte, a expectativa para o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã, uma vez que é consenso que a taxa básica deverá ser elevada em 0,75 ponto porcentual, para 3,50%. "A questão da normalização parcial e se o próximo ajuste será na mesma magnitude são pontos de atenção no comunicado de amanhã", disse Cruz.

Câmbio

O dólar operou em alta no mercado à vista nesta terça-feira, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior, em dia de aversão internacional a risco, e a cautela com a CPI da Covid, tentativa de derrubar parcialmente vetos do orçamento e a apresentação do relatório da reforma tributária. A moeda para junho subiu 0,05%, a R$ 5,4590.

Na mínima do dia, a moeda bateu em R$ 5,41, em meio à declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência pública no Congresso. Ele avaliou que o dólar tende a cair, na medida em que o Brasil deve ter superávits comerciais recordes com a alta do preço das commodities no mercado internacional. "Acho que o dólar vai cair mais para frente", afirmou.

Esta semana, profissionais das mesas de câmbio dizem que o Copom pode dar novo fôlego ao real, caso sinalize mais altas pela frente e/ou retire do comunicado a expressão que classifica o ajuste em curso de alta na Selic como parcial. Para o analista técnico de moedas do Commerzbank, Axel Rudolph, há uma nível de resistência no câmbio em R$ 5,32, mínima batida pelo dólar em abril.

Caso consiga romper este patamar, provavelmente pós-Copom, o dólar pode testar valores na casa dos R$ 5,22 ou mesmo R$ 5,19, níveis alcançando em novembro de 20220 e janeiro deste ano, respectivamente, ressalta em relatório. A média móvel dos últimos 200 dias está em R$ 5,4448, patamar que vem sendo testado nos últimos dias. /SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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