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Prorrogar auxílios fiscais terá efeito “contracionista” na economia, diz BC

Logotipo do(a) Poder360 Poder360 17/11/2020 Hamilton Ferrari
Roberto Campos Neto durante sabatina no Senado após ser indicado para presidente do Banco Central pelo presidente Jair Bolsonaro, em 2019 © Foto: Sérgio Lima/PODER 360 Roberto Campos Neto durante sabatina no Senado após ser indicado para presidente do Banco Central pelo presidente Jair Bolsonaro, em 2019

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou nesta 3ª feira (17.nov.2020) que a prorrogação de programas de estímulos fiscais devem ter efeito “contracionista” na economia. As declarações foram feitas depois de o ministro Paulo Guedes (Economia) confirmar a continuidade do pagamento do auxílio emergencial em caso de 2ª onda de covid-19.

Para Campos Neto, o efeito deve ser “maléfico” para a economia porque o caixa dos governos estão fragilizados. A dívida pública do país superou 90% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro. Segundo a IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal, há risco elevado de descumprimento da regra do teto de gastos em 2021.

Os programas de estímulos foram adotados para aquecer a economia em momento de desaceleração. Os países criaram medidas para evitar queda mais acentuada do PIB (Produto Interno Bruto). No Brasil, as projeções do mercado financeiro indicam que a retração econômica deve ser de 4,66% em 2020.

“Existe em algum momento ponto de inflexão, dependendo da fragilidade fiscal que você apresenta, em que o elemento benéfico de colocar o dinheiro em circulação é menor do que o movimento maléfico da falta de credibilidade por ter 1 fiscal já muito fragilizado”, afirmou o presidente do Banco Central durante entrevista à GloboNews.

Campos Neto disse que, em vez de ter 1 efeito expansionista, essas medidas acabam provocando o efeito contrário. “Na verdade, você tem efeito contracionista. Por quê? Porque o elemento credibilidade é mais importante e inibe o crescimento futuro de forma maior do que o dinheiro que está sendo colocado para circular na economia”, afirmou.

Para ele, qualquer solução que for pensada pela equipe econômica para impulsionar a economia sem gerar gasto fiscal é bem-vinda. “Os agentes econômicos vão entender que o governo está fazendo esforço de colocar o dinheiro na economia, de fazer programas que ajudem as empresas e os microempresários, mas isso não vai gerar [gasto] fiscal”, declarou.

Campos Neto disse que o Brasil precisa retornar ao regime de esforço fiscal. Afirmou que não sabe o quanto vai conseguir recuperar, já que o país foi o que mais gastou entre os emergentes durante a pandemia. “Mas os agentes têm que entender que existe 1 esforço”, afirmou.

De acordo com ele, a descontinuidade do ajuste eleva os de riscos de investir no país, o que aumenta os juros longos, desvaloriza o dólar e desorganiza os preços. “Desorganizar os preços inibe o crescimento futuro”, declarou.

“Eu acho que é uma responsabilidade de todos entenderem que nós temos agora 1 problema. Já passamos por outro problema muito grande [da pandemia] e nos endividamos bastante. Temos 1 tema de credibilidade muito grande. O dinheiro tem que circular na economia. O que vai fazer o dinheiro circular na economia é a credibilidade, e o que traz credibilidade são as reformas”, disse o presidente do BC.

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