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5 coisas que meus dreads me ensinaram

Logotipo do(a) Salon Line Salon Line 23/07/2019 Luana Sudré
Dreads © Unsplash Dreads

Você conhece alguém que tenha dread? Se não conhecer, bem provável que já tenha visto ou que você seja essa pessoa. Modernos e alternativo, o estilo do penteado chama atenção não só pelo estilo mas por dizer muito sobre quem usa.

Carol Afreekana, dubpoetry, conta que enxerga seus dreads como coroas: “São tipo antenas que captam as energias de fora, jogando fora as negativas enquanto armazenam as positivas”. Pode até parecer só um emaranhado de fios, mas esse tipo de cabelo carrega uma grande história.

Não é só: os dreads carregam histórias e significados pessoais e coletivos que refletem muito sobre a sociedade e cultura negra. Saiba mais sobre o penteado e o que ele significa para quem usa.

1 - Lidar com o preconceito

Para os adeptos do penteado, olhares de julgamento são muito comuns. Muito disso por conta da falta de entendimento do que os dreads representam.

Talia Sousa, estudante de jornalismo, tem dread ha três anos e conta que já sofreu muito preconceito por conta de seu cabelo, “principalmente no âmbito profissional e familiar. Os dreads são muito marginalizados por serem o que são: uma resistência às imposições sociais, muitas vezes preconceituosas, racistas, machistas, enfim, excludente de minorias”, relata.

Ela diz ainda que, apesar da dor em ver que alguém se torna intolerante apenas por conta de um penteado, existe a chance de tirar uma lição. Apesar de enxergar a ignorância sobre o assunto, Talia afirma que é muito bom representar essa oposição aos padrões sociais, “o importante é ter a liberdade de ser o que quero, mesmo a sociedade ainda sendo conservadora à isso”.

Carol Afreekana conta que sofria muito preconceito por conta de seus dreads mas que, hoje em dia, não é mais assim. “Eu confronto com palavras, da forma mais amorosa possível. Me mantenho observando e mostrando o outro lado da história, que é contada por nós mesmos, uma história de rei e rainha”.

2 - Ter paciência

O dread é uma técnica que pode ser feita de diversas formas, a mais comum é aquela que usa agulha de crochê. Primeiro, o profissional separa o cabelo em várias mechas e, em seguida, desfia cada uma delas com um pente bem fino - a ideia é formar a “berlota”, ou seja, a textura típica e característica do penteado. A agulha é a que vai unir a berlota em uma única mecha.

Isso demora um certo tempo, principalmente se fizer no cabelo todo. De acordo com Eryk Mendonça, músico e rastafari, “o melhor aprendizado é a paciência, pois assim que fiz, deu certa ansiedade para que crescesse cada vez mais e rápido”.

Além disso, uma vez que aderir o estilo, é preciso mantê-los limpos e bem cuidados. Lavar com o máximo de atenção é fundamental. Eryk diz que, “a única desvantagem é o quanto demora para secar”.

3 - Se expressar

A forma como nos vestimos, os acessórios que usamos, diz muito sobre a personalidade de cada um. Carol diz que, com certeza, seus dreads são uma representação forte da sua personalidade.

Ela já exibe o penteado há 7 anos e diz que ele traz uma força imensa para si. Isso porque, “dreadlocks são coroas de reis e rainhas da história preta africana. Um sacramento que liga nossa cabeça - glândula pineal, o ponto no alto da cabeça com maior expansão de energia inteligente - aos céus, a ligação direta com Deus”.

Eryk também diz que seus dreads refletem quem ele é de várias formas, “representam, junto a diversas coisas, o meu voto de nazireu”. Esse voto está contido na Torá - livro sagrado do judaísmo - e designa uma pessoa como servente o a Deus.

4 - Interagir com o movimento Rastafári

O rastafarismo é um movimento judaico-cristão criado por afro-descendentes na Jamaica. Um dos principais pilares da cultura rasta são os dreadlocks, que surgiram porque era proibido cortar o cabelo.

Nos dias de hoje, essa proibição não existe mais, ou seja, é uma escolha pessoal. “Fiz meus dreads a partir de um voto presente na Torá, que inclui também hábitos como a alimentação natural e o não consumo de bebidas alcoólicas. Apesar de ser uma característica marcante da cultura, os dreads são uma pequena parcela do rastafari”, conta Eryk.

5 - Alcançar a auto-aceitação

A autoaceitação é fundamental para alcançar o amor próprio. Ao tomar a decisão de fazer dreads, independente de críticas, julgamentos e preconceitos, é um passo nessa estrada. “Encaro a decisão de adotar o penteado como parte e consequência do processo de ser livre, mesmo ainda estando dentro de vários outros padrões sociais que nos impõem”, conta Talia. Além disso, Carol conta que, após tanto tempo sendo rasta, ela não vê desvantagem nenhuma em ter dreads, muito pelo contrário: “Quando você se afirma preto e assume seu cabelo, só vejo orgulho e auto-estima”.

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